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12/08/2009 - 11:59

Caos, corrida e carnaval

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Não queria escrever sobre a Stock em Salvador. Depois de tanto tempo falando sobre o assunto, vivendo tudo ‘in loco’ — sou soteropolitano, para quem não sabe —, enchi um pouco o saco. Mas ouvi e li tanta barbaridade sobre a (argh) “etapa do axé” que decidi comentar.

É proibido fazer festa em evento automobilístico? Não. Sobretudo quando se sabe que, em uma cidade provinciana como a capital baiana, qualquer grande novidade ganha contornos carnavalescos. Achei até estranho não terem colocado alguma tosqueira abominável como, sei lá, Todo Enfiado, para tocar na pista e mostrar “a cara da Bahia”.

Para a categoria, foi ótimo: 47 mil pessoas no CAB, quase todas pagando ingressos caros, na quase ausência de cambistas. Embora seja difícil precisar, o baiano gostou do evento, para o qual foram gastos, segundo estimativas feitas em abril, R$ 8 milhões. A maioria nem percebeu que a corrida foi um lixo — em parte porque muita gente que lá estava não costuma ver provas nem pela TV.

Vi coisas inacreditáveis e bastante interessantes, como o Pedro Boesel, da Stock Jr., dando autógrafos e tirando fotos com centenas e centenas de pessoas em um shopping daqui. Alguém dali sabia quem era o simpático gordinho? Quase ninguém. Da mesma forma, presenciei gritinhos de fãs à Beatles quando Dino Altmann entrava no Medical Car. Fui perguntar qual o caso às meninas que se descabelavam . “É piloto, né?”, ouvi.

Justamente por isso, contudo, ainda é cedo para dizer que todo o envolvimento da cidade com a corrida é um sinal de que o soteropolitano abraçou a Stock. Até porque, como efêmera, a paixão pode se esgotar até o ano seguinte.

Feita a análise sobre a festa, falo da corrida. Vi muita gente — jornalistas, inclusive — no deslumbre da imensa promoção que a etapa teve na Bahia. A divulgação foi excelente: mil carros em postos de gasolina, shoppings, contagem regressiva em outdoors… Como disse semana passada, a cidade respirou Stock Car — o que é legal, repito.

Alguns dos que aqui chegaram até defenderam que, diante de acalorada recepção, fosse esquecido o caos do final de semana na pista. Reclamaram, inclusive, de críticas feitas por quem não estava na cidade e ignoraram que quem aqui estava disse a mesma coisa — só que muitos não publicamente. Jornalista não é promoter, como brilhantemente falou o colega Ivan Capelli em seu twitter (@ivancapelli).

No sábado, ouvi nos bastidores a mais sensata das análises: “Primeira vez que a Stock vem a Salvador, primeira vez em corrida de rua, primeira vez que o treino de sexta-feira não termina, primeira vez que um treino tem oitenta bandeiras vermelhas…”

O fato de a etapa ter sido ridícula em pista não tem nada a ver com o parco número de ultrapassagens. Até porque, quem o fez, conseguiu isso com trabalho de boxe, como em tantas outras categorias — a TV exibiu apenas uma troca de posição em pista: Paulo Salustiano em Felipe Maluhy, pelo 13º posto.

Lamentável é ver pilotos serem excluídos de treinos por tocarem em barreiras de pneus improvisadas e mal colocadas numa chicane ordinária [foto]. É ignorar o “toda corrida é uma palhaçada” de Antonio Pizzonia, um cara que já correu nas principais categorias do mundo. Sinceramente, já tem muita gente para só falar bem e fingir que não há defeitos no automobilismo brasileiro…

Felipe Paranhos

Autor: - Categoria(s): Stock Car Tags: , , ,

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32 comentários para “Caos, corrida e carnaval”

  1. João Ferreira disse:

    Bom, não estive em Slavador, acompanhei pela televisão, a falta de ultrapassagens realmente incomoda, mas isso é geral, não somente na Stockcar….contudo, declarar um trecho na pista como proibido de ultrapassar realmente foi decepcionante, como evento promocional, foi dez, mas como automobilismo, muito fraco, a esperança que foi o primeiro, então muitas lições aprendidas para que no próximo, a organização repense em alguns pontos do circuito, para além da festa e recepção, tenhamos um automobilismo de primeira….

    Resposta do Felipe Paranhos

    É isso, João, o raciocínio é esse. Duro é escrever que “o fato de a etapa ter sido ridícula em pista não tem nada a ver com o parco número de ultrapassagens” e ter de ler gente dizer que eu estou falando o contrário. Ou de as pessoas acharem que as críticas à Stock são feitas para acabar com a categoria, ou algo assim. Gostamos tanto de automobilismo quanto vocês, não há razão para querer que alguém ou alguma categoria se foda.

  2. Mauricio Mattos disse:

    Meu caro e bom amigo você como jornalista é um bom surfista, e tb não tem nem um pouco de humildade para concordar que este é o primeiro ano de teste! É muito fácil apontar erros quando não se tem responsabilidades, eu estava lá e moro ao lado do circuito acompanhei todos dias a formação da pista e as barreiras vencidas por todos, o evento foi maravilhoso, mais fico chateado quando vejo uma pessoa apontar só erros como seu caso!!! Acho que vc deveria por os pés mais no chão e ser mais Humilde!!! Grande abraço

  3. Luis disse:

    É engraçado ver como as pessoas se matam para defender uma categoria sem graça como a estoque, que como o Arthur Chrispin bem lembrou é baseada em uma categoria onde se corre em circulos que parece aqueles aeromodelos q ue se voa com cordas. A categoria é a melhor do Brasil??? tenho minhas duvidas, ela é a mais vista por causa da Rede BOBO, mas a truck tem muito publico com metade da divulação da estoque.
    Qto a corrida, nem perdi meu tempo, o mundo todo precisa de no minimo um ano inteiro (365 dias) para costruir um autodromo, no Brasil isso é feito em 3 meses e quem resolver os problemas de projeto com um muro de pneu no dia da corrida?????
    O brasileiro tem q parar de defender coisas que são empurradas para nós como sendo boas, tem categorias muito melhores por ai, a WTCC, os Rallys, a truck, até a GT3 se tivesse mais divulagação seria muito melhor que a porcaria da estoque, pois sao carros de verdade, nao chassis de baja com bolha imitando carro e sendo abastecido com funil.

    Brasileiro se diz apaixonado por carro e automobilismo, não é mais como antigamente qdo se pegava um carro, e preparava na garagem e ia correr em corridas de verdade como faziam os fitipalds e muitos outros, aquilo éra corrida de automovel nao esse autorama de hoje

  4. Harlan Rodrigo disse:

    Felipe, vc acha que essa pista do CAB tem possibilidade de melhoras? Tipo, criando mais uma faixa na parte de asfalto, áreas de escape nos locais que não podiam por causa da altura da parte gramada, aumentar o comprimento da pista, etc?

    Enfim, melhoras que a deixem mais competitivas, inclusive pra possível vinda da Indy pra cá…

  5. Jacson Paz disse:

    Não sou piloto.
    Não sou repórter.
    Não sou dirigente de nenhuma categoria.
    SOU APENAS um teleespectador, cuja cidade não cedia nenhuma corrida, que não tem tempo para ir a outras cidades e que resta apenas ver o que se passa na TV aberta ou paga.

    Apaixonado pelo automobilismo, não gostei. Ponto. Simples. Direto.

    Motivos:
    1) Autorama.
    2) Regra de não ultrapassar no final da reta (mesma coisa que dizer pro atacante: NÃO VALE BOMBA!! )

    Gente boa do GP, aproveitem a visibilidade para além de criticar, SUGERIR O QUE DEVE SER FEITO. Sei que muita coisa deveria ficar nas “entre-linhas”, mas aproveitem e digam com todas as palavras, desenhos, gráficos, vídeos… o que for, AJUDEM a transformar este BUSINESS em AUTOMOBILISMO novamente.

    Exemplo:
    – não deve se seguir o que a GLOBO quer. (Ok. Concordo em gênero e grau. Mas o que aconteceria se não???? Todos sabemos? O que fazer para voltar a ser independente ? Como manter os salários, a estrutura? Como conciliar necessidades X paixão??? )

    Não tomemos o exemplo da oposição clássica da política. (que por sinal, além de clássica, é a ÚNICA que temos no nosso país.)

    Muita gente de bem neste país iria adorar que repórter fosse muito mais TENDENCIOSO, QUE AJUDASSE A FORMAR OPINIÃO, QUE MOTIVASSE MAIS, QUE SUGERISSE MAIS.

    Crítica Sempre.
    Vamos adotar também: Soluções sempre.

    Abraço e bom trabalho!

    Jacson Paz
    Novo Hamburgo – RS

    Resposta do Francisco Luz:

    Jacson, meu conterrâneo, não sei realmente se as sugestões que eu tenho para dar são válidas. Não tenho estudo suficiente e nem experiência para saber se algo é válido ou não.

    O que eu sei é que, como espectador e, agora, jornalista envolvido com o assunto, há coisas que me agradam e outras, não. Aí eu falo sobre isso. Mas não me arrisco a dizer o que DEVE ou não ser feito – apenas arrisco uns pitacos meio inconsequentes de quando em vez.

  6. Adilson Ventura disse:

    Impressionante o bairrismo por aqui.

    Tá na cara gente, a Stock é uma piada, desde as transmissões até à proibição de ultrapassar (?!?!?!).
    Muro de pneus ??? R$120,00 ??

    O carnaval foi totalmente desnecessário, ninguém quer ver carnaval, e sim uma corrida decente.

    Usa a grana da festa para fazer uma chincane decente e evitar aquela estupidez de proibição de ultrapassagem.

    Não chega nem a ser amador.

    Para os que defendem isso, deveriam reclamar com a CBA, com a organização, com a TV, e não com o blogueiro, que não disse nada de mais:

    A STOCK É, E FOI TAMBÉM (infelizmente) EM SALVADOR, UMA PIADA.

    Acho que vocês tem que separar a crítica à categoria da cidade, ninguém tá questionando o lugar, e sim o que vem acontecendo e o que aconteceu com a etapa brasileira e circense da StockCar.

    Assino em baixo no post do Paranhos.

    Para aqueles que gostam de dar conselhos desnecessários e presumir fatos inexistentes:

    O respeito de alguém termina aonde começa o de outro.

  7. Lipe Paíga disse:

    Felipe, eu estive lá como você, estivemos muito tempo juntos, aliás. Eu achei que a corrida foi sem graça pela falta de ultrapassagens. Os pilotos estavam divididos quanto a chicane. Você deve ter visto quando, na sala de imprensa, perguntei para o Paulo Gomes o que ele achava. Ele foi enfático ao dizer que quando se corre em circuito de rua, o risco aumenta, mas a pista foi feita assim e não se deve mexer. Para o ano que vêm talvez. Zebras altas como a da corrida foram durante anos vistas nas rua de Surfers Paradise e ainda são vistas em Melbourne, não são uma especialidade de Salvador.
    O episódio do Pizzonia foi muito bem encontrado por nós em meio a preocupação com a corrida. Ele disse tudo que disse no Twitter, a mim e a você. Está no programa. Nós fizemos nossa parte e divulgamos o fato. quanto ao pedido de desculpas dele para o Cacá, temo que não tenha havido, apesar do Cacá dizer que houve. Acredito que não há porque se desculpar por falar algo em que se acredita.
    A corrida em sí me lembrou corridas do WTCC em Pau, Porto e Macau. Sem graça como um GP de Mônaco de F1. O saldo final para mim, que não vendo Stock Car, é que ví pilotos felizes e dizendo “a pista é um tesão de guiar”, um público com paixonite pela categoria, estrutura boa e facilidade de acesso. Essas coisas somadas fizeram com que o final de semana fosse bom.

    Abrasss

    Resposta do Felipe Paranhos

    Fala, xará. Seguinte: eu, sinceramente, acho que alguns poucos veículos que fazem jornalismo de verdade são mais importantes para o automobilismo brasileiro do que todos os outros juntos. E é nisso que eu me concentro, como foi legal ver que o WoW teve o mesmo saque de correr atrás do Pizzonia quando soubemos da história. A notícia tava ali. Da minha parte, criticar o que vejo de errado é igual para a Stock e para a Indy, a F1… Mas taí, você tem razão quanto aos pilotos, porque muitos elogiaram o traçado — embora outros tenham reclamado em off. Acho que o debate foi aberto, e a resposta da Stock àqueles que não gostaram da prova será dada (ou não) em 2010. Vamos ver. A gente se bate por lá. Abraço!

  8. Thiago Bianchi da Rocha disse:

    Felipe, e também o Francisco (esse tem uns pontos negativos comigo desde a final da Copa do Brasil… brincadeira, rsrsrs), Na minha modesta opinião vocês são aqueles que mais dão atenção aos que comentam seus posts, é só observar a quantidade de respostas que tivemos aí pra cima… Ultimamente o FG anda meio colérico, respostas agressivas, e vejo que com vocês tem sido diferente. Eu sei, por também ser um cara de opiniões fortes e via de regra controversas, que é sacal vir um cara que nunca te viu na vida, e desse a madeira em uma opinião sua, como se tivesse autoridade para isso, mas é o ônus que se carrega por ter visibilidade das suas opiniões, faz parte, se o cara não gosta, F#d@-se!

    De minha parte, um grande abraço aos dois blogueiros, e se possível, continuem se importando com a audiência e respondendo os comentários…

  9. Bolasdecujos disse:

    Hay govierno? Yo soy contra!!!!!!!!!!

    Ta loko, cai aqui, pois navegar na net as vezes te leva à sites pornos, ou este aqui……….hahahahaha!

    Nossa como tem maluko que sem noção…….

    To começando a gostar deste blog, pronto gostei!

    parabéns!

    Resposta do Felipe Paranhos

    hahaha! Valeu, rapaz. Seja bem-vindo às nossas risadas e porradas.

  10. Thiago RC disse:

    Não gosto do Flávio Gomes, muito menos do que ele escreve. Mas concordemos que ele tem razão no que tange a StockCar.

    A etava da Bahia é prova do baixo nível de profissionalismo da Vicar. Quem conhece bem automobilismo sabe que foi ruim. Treino sem cronometragem e chicanes improvisadas foram apenas dois exemplos.

    Sem ser irônico, é melhor mesmo acabar com o automobilismo brasileiro mesmo. Se for para fazer lixo e detonar com os olhos e ouvidos de quem ama e conhece bem o esporte, é mais prático fechar as portas.

  11. Mario Martin disse:

    Felipe, desculpe o atraso e só hoje comentar, nem sei se você voltará aqui para ver o post. Mas como li hoje, quero compartilhar as minhas idéias.
    Bahia, Salvador, baiano, sempre tem festa. Sou paulista e não sou eu que vou contrariar as tradições que lá existe.
    Não leio só GP, Flavio Gomes e demais deste site, que por mais que tente achar outro, é o melhor que temos em relação a informações de esportes a motor existentes no mundo. Mas também não é sobre eles que quero comentar.
    O comentário vai sobre a corrida da Stock-Car, Estoque, enfim, do que vocês achem melhor. Foi difícil acreditar que na reta principal não se podia passar o adversário. A largura da pista era pior que em Mônaco. Mas difícil foi escutar que tudo estava lindo e maravilhoso. Que aquilo sim era o automobilismo brasileiro, igual a nascar americana. Parem, chega de “puliticagem”. Ninguém merece sofrer “lavagem cerebral” ao assistir e ler informações para ter opiniões. A corrida foi um lixo, pronto, fim!

    Resposta do Felipe Paranhos

    Acho que você captou o sentido do meu comentário, Mario. O lance não é dizer que foi tudo terrível, que é pra esquecer a etapa da Bahia. Mas dizer que foi tudo ótimo é lamentável. Continua por aqui. Abraço.

  12. […] — sou soteropolitano, para quem não sabe —, enchi um pouco o saco. … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

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