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24/02/2010 - 17:41

Negócios e esporte (ou Indy: uma polêmica)

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Lloyd

Felipe Paranhos

Tudo começou quando um usuário de um fórum norte-americano disse ter escrito um email para o diret0r-executivo da HER, energético que patrocinava Alex Lloyd até o ano passado — e coloria seus carros e macacões de rosa, já que o produto é voltado para as mulheres. Aparentemente, já que não encontrei o email enviado por ele — acho que não disponibilizou —, o torcedor pedia satisfações sobre o fim do apoio ao piloto britânico.

O cara, Brett Jacobson, supostamente respondeu. Digo supostamente porque há quem questione a autenticidade do email, publicado apenas em texto e com alguns erros de inglês. Brett reclamou do tom utilizado pelo fã, afirmou que não é apenas um patrocinador que mantém um carro na pista e lembrou o fato de que a Versus, detentora dos direitos de transmissão da categoria, tem pouca audiência. Ou seja, disse que a visibilidade de um produto em um carro da Indy é bem menor do que foi no passado. Como disse que o rapaz foi deselegante ao reclamar da empresa, ele retrucou dizendo que é por emails como aquele, reclamando do fim de um patrocínio, que as empresas fogem da IRL: falta, segundo o suposto Brett, lealdade dos torcedores da Indy às empresas que apoiam/apoiaram pilotos de lá.

Vamos, então, à questão mais relevante. Com a delicadeza habitual, Mr. Paul Tracy criticou o fato de, no treino de hoje da Indy em Barber, haver apenas quatro pilotos da América do Norte: Danica Patrick, Marco Andretti, Ryan-Hunter Reay e Sarah Fisher. “E caras como [Graham] Rahal, eu e [Buddy] Rice têm de ficar em casa assistindo. Se é isso que vocês, torcedores, querem, divirtam-se”, falou.

O rotundo canadense pediu aos fãs da Indy para que avisassem ao “novo caubói na cidade” [Randy Bernard, novo diretor-executivo da IRL, ex-chefe da liga americana de rodeio] o que eles querem da categoria. E disparou contra os pilotos pagantes, que, afinal, fazem a categoria — e quase todas as outras do mundo, diga-se. Tracy afirmou que a IRL precisa de pilotos com torcida, não de quem tem grana. E disse, mui singelamente: “Se você quer um sanduíche de merda, não espere que ele não tenha gosto de merda. Se você quer boas corridas, diga a eles que você quer os bons pilotos!”

E aí, finalmente, o gordinho chegou ao ponto que falávamos no início deste texto: “O diretor-executivo da HER desceu a porrada na IRL… Não posso concordar com ele sobre os torcedores não serem leais. Os fãs de fórmula foram tolamente leais pelos últimos 15 anos, já que as duas categorias [IRL e Champ Car] arrastaram o automobilismo de fórmula ao fundo do oceano. Mas já seguramos a respiração demais”, disse, antes de “implorar” para que cada torcedor tome o controle daquilo que “ama e quer da Indy”.

Tracy ganhou o apoio de Oriol Servià. Notório gozador, Nelson Philippe mandou um recado para o canadense. “Só fazendo um flashback… Lembra quando você tentou “matar” Bourdais em Cleveland/06? Bons tempos, bons tempos…”

Senti uma ironia aí.

O futuro da Indy está no meio dessas duas histórias. Para dizer a verdade, o futuro do automobilismo está no meio disso tudo: grana, negócios, visibilidade, interesses, patrocinadores… E, se houver espaço, talento. O que pensam vocês?

Autor: - Categoria(s): F-Indy Tags: , , , , , ,

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36 comentários para “Negócios e esporte (ou Indy: uma polêmica)”

  1. Igor Padrão disse:

    Paul Tracy não tem cacife nem talento pra reclamar de nada, na minha opinião. Ele é um reflexo do que se tornou o automobilismo monoposto nos EUA. Quanto a questão dos investimentos, acho que sempre foi um pouco assim. Pelo menos desde que a Lotus estampou a Golden Leaf nos seus carros. Automobilismo é muito caro. E não falo nem das grandes categorias, o que já está mais do que batido, falo do kart. Iniciar uma carreira no automobilismo é caro pra P… Poucas são as famílias com dinheiro pra investir numa carreira de um filho (normalmente essas famílias já estão envolvidas com corridas de automóveis a umas duas gerações). Quantos pilotos frustrados por não terem tido grana pra fazer o que desejavam existem por aí? Se uma quantidade mínima desses jovens frustrados se tornassem verdadeiros talentos? Teríamos muito mais pilotos com “P” maiúsculo por aí. Mas isso é impossível, pois o combustível desse esporte é o dinheiro e dessa forma atrai muito mais Bussinesmen do que apaixonados pela coisa. E a coisa, dessa forma, vira um grande espetáculo vazio, sem substância, como quase tudo tem virado nessa nossa Sociedade.

  2. Neanderthal disse:

    Penso que já era.
    Só não vai se extinguir porque permanece o desejo, e dá prá realizar corridas com qualquer veículo de quatro rodas, mas todos os modos atuais dão mostras que não servem mais – a queimação de verba necessária não cabe cabe no mundo de agora, nem no próximo futuro. È o que penso.

  3. veber disse:

    pessoal vamos ser sinceros,, são pouquissimos os pilotos que chegam as categorias TOP sem levar parceiros ou patrocinios,, e isso não desmerece nenhum piloto,, existem excessoes em tudo,, mas vejamos,, temos vários exemplos que tem muito talento e acontece algo errado ou chegam na hora errada ou na equipe errada e perdem a chance,, depois precisa de parceiros ou patrocinios para que suas carreiras possam continuar,, veja por exemplo o Di Grassi é um ótimo piloto e foi parar na Virgin,, se ele tivesse um apoio de uma empresa, um patrocinio da Tim por exemplo de 10 milhões por temporada vc sabe onde ele estaria?? na Renault com certeza pois a própria Renault sabe que ele é melhor que o Petrov,, mas os altos custos da F1 acaba inevitavelmente ixigindo isso ……… valeu

  4. eu disse:

    é …indy ta faltando os bons pilotos …nao que os que existem sejam maus pilotos ..mas , os novos q estao entrando , 98% é budget , din din , cash ,. money …
    Paul tracy , é bocudo , sim ! porém ..é um piloto rapido …o cara guiando em indianapolis é surreal ….bonito de se ver…

  5. Zé Graça disse:

    Paul Tracy devia ficar satisfeito em pilotar um Porsche GT3 na Grand Am, isso sim!

  6. Bruno disse:

    Pobre Paul Tracy, não deveria falar assim dos pilotos pagantes e desprovidos de talento…Graças a ele que conseguiu o título na moribunda Champ Car em 2003 quando dividia curvas com gente do calibre de Rodolfo Lavín, Alex Yoong, Joel Camathias ou de veteranos em fim de carreira como Roberto Moreno, Jimmy Vasser e quase metade do grid (12 de 28) era de estreantes (creio que muitos deles pagantes)…

  7. Paulo Roscoe disse:

    O Sr. Tracy se esquece que os USA atravessa ainda uma crise financeira sem precedentes e grana para automobilismo é algo cada vez mais dificíl no mundo inteiro, pillotos iniciantes por melhores que sejam hoje precisam de levar uma verba de patrocinio, assim como os que nada provaram ao longo de suas carreiras(como é o caso deste Sr.), que ele vá arrumar um lugar na Nascar onde os gordinhos fazem sucesso nos USA.

  8. Paulo César disse:

    De mer….. o Paul Tracy entende, porque já fez muitas.

    Agora a realidade é que em qualquer esporte de alto nível o que manda é a grana, independente de talento. Mesmo para o atleta de maratona tem que ser bancado por alguém que deseja no mínimo um bom retorno de mídia para a sua marca.

    Dinheiro é o combustível para mover qualquer máquina……..

  9. Dawton Queiroz disse:

    Gosto mais de discutir e contrapor, mas infelimente é verdade, talento se sobrar espaço. Por aqui também temos bons exemplos: Pedro Paulo Diniz, que nunca ganhou uma corrida, ainda que tivesse andado em carros competitivos, nas categorias de base, chegou a F1. E ficou!!! Posso estar sendo injusto, autorama, também é automobilismo, né? Êle ganhava da avó despois que ela fez 70 anos. Temos outros pilotos:
    Boesel, que foi campeão do mundo “por equipe”. A Jaguar, sua equipe, tinha três carros e somou os piloto, pimba!! capeão . Mas ganhou nas de base. Cristian Fittipaldi, deveria ter ido correr nas passarelas. Gugelmim, etc. Mas o mais importante é que temos aqui no Brasil muita gente com talento que não pode seguir em frente porque não tinham “bufufa”. Mas GT, “Gordo Tracy Quendava muito, gordo ou magro, mas andava, esta certo e vc também.
    Dawton

  10. Arnold disse:

    já diz o ditado “automobilismo é esporte de rico”….

  11. rafael bubolz disse:

    Dou imensa razão ao Tracy, apesar de não achar ele aqueeeele piloto, Tracy levava torcedores aos autodromos e é de pilotos com carisma que o automobilismo mundial precisa. A indy ja nao esta boa das pernas, confesso que no meu modo de ver ja perdeu espaço para a nascar sprint cup por exemplo que logico assim como todas as categorias precisa de grana mas prioriza e da total apoio aos pilotos tradicionais pois são esses pilotos que fazem boas corridas e engrandecem o espetáculo.

  12. Hyder disse:

    Acho engracado isso… a escola de formacao de pilotos deles e pessima… ha anos nao produzem um grande piloto. A Indy esta nivelada, ha tempos, por baixo… acho que ele esta achando que o movimento de trazer jogadores medalhoes para o futebol brasileiro deve ser aplicado para ele tb… acho que ja deu !!!

  13. Max Mosley disse:

    São muitas coisas envolvidas aí. As categorias de fórmula nos eua não têm, de longe, a mesma quantitdade de fãs que a patética nascar. Paul Tracy sempre foi um piloto medíocre. Ele é mais famoso pelo jeito nigel mansell (a parte imbecilóide) dentro das pistas e mike tyson (a parte acéfala) fora delas. Existem poucos pilotos norte-americanos nas principais categorias de fórmula porque eles são, por essência, ruins pra ********. Ali só se faz curva pra esquerda. Poucos têm a sensibilidade e qualidade pra fazer mais do que dosar a aceleração e girar o volante para o mesmo lado por duas centenas de voltas. Não é à toa que o Ecclestone disse há alguns anos atrás que a indy era um campeonato brasileiro na améroca do norte. Por fim, a questão de patrocínios…..que tipo de retorno o empresário espera por estampar sua marca na lateral de um aerofólio? Decerto não pode ser imcrementar suas vendas em 50%. Existe uma supervalorização daqueles espaços por parte de quem os vende e de quem os compra. Você passou a contratar seguros da allianz ou da ing porque eles patrocinaram a williams ou a renault? Fez economia do seu suado dinheiro pra comprar um tag por causa da mclaren? Nem você e nem eu. O automobilismo sempre foi e sempre será uma atividade da elite. Não que isso seja ruim do ponto de vista social….mas é difícil se relacionar emocionalmente com alguém que sempre nadou em dinheiro desde o berço. Se é pra apoiar alguém com meu dinheiro, prefiro que seja alguém talentoso e verdadeiramente dependente dessa ajuda para atingir o máximo de seu potencial.

  14. Beto disse:

    A CART ensinou-me que tudo tem fim… O sucesso foi a ruína do openwheel americano… a IRL está a um passo do fim!

  15. ewerton disse:

    A crise no automobilismo é mundial, vejam que a f1 não tem a mesma audiência de 10anos atrás, a indy aqui nunca decolou,para nós brasileiros fica sempre a impressão que a indy é feita por pilotos aposentados e sem talento,que nadam em dinheiro e pilotam por hobby, as honrosas exceções foram jacques villeneuve e montoya. Paul tracy pode fazer 10corridas contra schumacher, ambos usando carros da mesma equipe,motor,pneus,etc , nas pistas que o tracy escolher, que o alemão vai ganhar todas,idem para alonso,hamilton,button e até mesmo o barrichello vai tirar onda com a cara dele.
    O americano médio é muito xenófobo e chauvinista, ele só aceita pilotos estrangeiros porque eles trazem dinheiro pros compatriotas correrem, eles não gostam das categorias formula porque acham que os computadores acertam os carros para os pilotos, e na stock a coisa é feita no braço.

  16. Thiago disse:

    O Tracy não tem patrocinio porque é um “gordinho mimado”… será que algum patrocinador vai patrocinar um cara que coloca os outros para fora da pista? ou um cara que quando é colocado para fora da pista resolve rodar a baiana e dar porrada no Tagliani? Paul Tracy esteve na indy desde 1991 e não ganhou praticamente nada e agora vem falar do Sato? E olha que esse japa num carro da Indy pode ser tipo Montoya ou Zanardi…Tracy guiou a Penske, Green e Forsythe e não ganhou nada… só ganhou quando não tinha rival… pq depois o Bordais chegou e adeus Paul Tracy. E desmerecer os pilotos da Indy tambem não passa de uma palhaçada… só porque o cara não ta na F1, ele é um bosta dirigindo… na boa ninguem gosta de automobilismo, todo mundo só gosta de F1, porque quem gosta de automobilismo que nem eu, assiste de tudo, F3, DTM, F1, Indy, Nascar e até a Stock Car, que só esta a porcaria que estar por causa da Globo e do so seu Globo esporte… eu uso Oleo Mobil 1, Gasolina Shell, Tenho un Tag, bebo Red Bull com Johhny Walker na noitada, uso tenis Puma, enfim procuro usar marcas que apoiam o meu esporte que é o automobilismo. Agora se um cara de um produto acha que não vale a pena patrocinar um carro, problema dele, os torcedores que não usem mais aquele energetico… alguns anos atras na Nascar, torcedores jogaram seus latas de cervejas na pista enquanto o piloto comemorava, pois o piloto que venceu usou de um “toto ala Tracy” para tirar o outro piloto. O Detalhe, o Piloto que venceu era patrocinado pela cerveja…

  17. Tito Neto disse:

    Acho que o esporte deixa de ser esporte quando estampa o nome de alguem na camisa/carro/capacete, em troca de dinheiro.
    Acho que antigamente, o automobilismo era feito por pessoas apaixonadas pelas maravilhosas máquinas de quatro rodas e pela velocidade. Esse era o automobilismo verdadeiro, tanto assistir, quanto participar.
    Infelizmente não tive a oportunidade de vivenciar essa época, tenho apenas 30 anos.
    Desde que me conheço por gente, o automobilismo é movido por dinheiro. Cade a essência verdadeira?
    Sou um apaixonado por carros, limitado pela condição financeira que amputou todos os sonhos, que tive na infância, de pilotar essas máquinas maravilhosas.
    Felizes são os pilotos da Classic Cup. Espero num futuro não muito distante, poder juntar-me a eles.

  18. Verde disse:

    Paul Tracy está completamente coberto de razão. O número de pay-drivers da Indy esse ano está assustador.

    E todo mundo desce o cacete no TG (que é, de fato, um idiota) e nos rednecks no estilo A. J. Foyt por serem protecionistas ao mesmo tempo em que defende uma internacionalização. Está aí o resultado: apenas quatro norte-americanos correndo contra brasileiros, suíços, ingleses, venezuelanos, japoneses… e o interesse dos gringos, que é o mercado principal da categoria, tende a zero. Está acontecendo a mesma coisa que aconteceu com a excelente ChampCar: quem se interessa, lá no Tennessee, em assistir James Rossiter disputando contra Simona de Silvestro?

    O Nelson Philippe é bizarro. Na última foto de pilotos da história da ChampCar, ele apareceu mostrando o dedo do meio, hehehehehe.

    (ignorar comentário anterior)

  19. Aliandro Miranda disse:

    Está certo o Tracy. Este seria o mundo perfeito.

    Seria.

  20. leonardo sampaio disse:

    bons tempos em que a cart tinha fittipaldi, rahal, mears, unser jr ,os andreti, eventualmente um leao, de ferran, boesel, moreno, fernandez, montoya, e mais alguns que nao lembro, nos assistiamos pro que eram corridas exelentes, com carros lindos, um evento de encher os olhos ai qualquer patrocinador que entrar nessa

    • Igor Padrão disse:

      Faltou mencionar o canadense voador Jr.: Jacques Vilanova.

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