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20/03/2010 - 14:52

Senna por Da Matta

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Felipe Paranhos

Ontem, conversei com Cristiano da Matta sobre as memórias que ele tinha do Ayrton Senna em sua carreira. Como são de gerações diferentes (o piloto mineiro tem 36 anos), a influência do tricampeão nos passos de Cristiano foi, por assim dizer, virtual. Mas, mesmo assim, a força que Ayrton teve no automobilismo europeu e as pegadas que deixou no mundo do esporte-motor chegaram a seduzir Da Matta a não tomar o caminho dos Estados Unidos, no início da segunda metade da década de 1990.

Na ótima conversa que tivemos, ele falou um pouco também sobre a trajetória dele. Curtam aí.

“A imagem que ficou dele lá fora é aquela que ele criou — que os resultados que ele conseguiu criaram, na verdade, né? Ele é sempre visto como um cara da velocidade, um dos maiores que já existiram — pra não dizer o maior, na verdade. É opinião de 100% das pessoas do meio.

Durante o crescimento no automobilismo, ter um cara como ele para olhar é algo que não tenho palavras para descrever. Já para seguir, não é muito fácil se espelhar naqueles passos, mas ter alguém para se espelhar e tirar algo de bom, aprender, foi ótimo, não tem o que falar.

[Quando Senna morreu,] Eu era novo no automobilismo, estava começando a fazer F-Ford, estava para começar a F3. Eu estava naquela parte de aprendizado, ainda começando a dirigir fórmula. Só de assistir correr já era bom para quem queria caçar coisa para aprender, procurar. Era um exemplo fantástico.

Essa parte [deixar a Europa] é sempre muito díficil. Naturalmente, a maior parte dos pilotos tem como objetivo final a F1, porque é para onde todo mundo alimenta o sonho. Mas para mim foi engraçado, porque naquela parte eu tive que tomar a decisão de abandonar a europa porque estava ficando cada vez mais difícil, precisando de dinheiro, de patrocinador, para subir. Era caro, quase impossível. E nos Estados Unidos as perspectivas eram mais realistas, existiam muito mais oportunidades.

É claro que a F1 pesava na nossa cabeça, mas tem horas que tem ter pé no chão, ser menos emoção. Eu dei muitas voltas, mas de um jeito ou de outro cheguei lá. Hoje, acho que eu fiz o caminho certo, embora seja difícil dizer como seria se eu tivesse feito diferente. Eu consegui chegar contratado, sem ter de levar um centavo de patrocínio. Não é como um grande resultado ou uma vitória, mas chegar lá sem dinheiro, sem patrocínio pra levar era uma coisa complicada. Sempre tive sorte e bom relacionamento com as montadoras. Mas, quando eu tive que decidir, era difícil colocar o pé no chão pensando no Senna e na situação que ele teve lá.”

Grande cara, o Cristiano. Que seja feliz com a Iveco na Truck.

Autor: - Categoria(s): F-Truck, F1 Tags: , , , ,

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10 comentários para “Senna por Da Matta”

  1. Edgar Bianchi Filho disse:

    Grande piloto o cristiano, foi muito mal aproveitado na formula 1 com certeza tinha potencial de ser campeão, passou por uma experiencia muito forte com a batida que teve (acho que foi mais forte que a do felipe), que Deus ilumine seus caminhos e minha torcida e pra ele na truck

  2. Baixinho "Alexandre Cunha" disse:

    Caro Felipe Paranhos, somente esta sua expressão bem resumida, ” Grande cara o Cristiano”, para quem entende de automobilismo e conheceu o Cristiano Da Matta também como pessoa sabe o tamanho do significado deste seu oportuno elogio ao Cristiano. Parabéns Felipe, você sabe dar valor às pessoas.
    Desejo também muita sorte e um caminhão competitivo para o Cristiano. O resto é só deixar por conta dele. Parabéns aos promotores da Fórmula Truck e Iveco pela escolha deste piloto sensacional. A categoria cresceu muito com a presença do Cristiano da Matta.
    Um forte abraço a todos.
    Baixinho

  3. israel martins disse:

    concordo plenamente com cristiano ha cristiano seja muito bem vindo a f truck abraço

  4. Rai Valério disse:

    Cristiano é um grande piloto, suas tomadas da curva sul (oval) no Rio de Janeiro eram assustadoras e muito mais “dentro” que os demais. Bom demais que está de volta.

  5. Rafinha Dias disse:

    Bem legal a entrevista. Uma das cenas que lembro da passagem do Da Matta pela Toyota é ele solando uma guitarra com a mesma pintura de seu carro no motor-home. Figura! Não sabia que ia correr de Truck, agora deve tocar uma moda de viola ou um sertanejo. :-)

  6. fred disse:

    A Toyota sempre teve um baita orçamento mas seus dirigentes não tinha visão nenhuma de F1. Queriam fazer um motor consistente, ficavam testando peças, e não se preocupavam em ganhar corridas.
    Isto prejudicou muito o Cristiano Da Matta que, na minha opinião, foi o melhor piloto que passou por lá, inclusive chegou a andar na ponta várias voltas com o Schumi ao seu alcance.
    Se tivesse corrido em outra equipe tenho certeza teria tido resultados expressivos. É um guerreiro, assim como foi seu pai.

  7. jonas disse:

    viva ao senna

  8. Clenio Vilela disse:

    Grande “baixinho” o Cristiano! Vai pegar a tocada de um Truck rapidinho. Mas, em matéria de tocar guitarra, êle não tocará as sertanejas, espero.

  9. Muita sorte para esse grande cara e grande piloto vai vencer na truck com certeza.

  10. thiago disse:

    foi meu piloto na formula truck

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