Publicidade

Publicidade
18/08/2010 - 11:40

O original e a imitação

Compartilhe: Twitter

Felipe Paranhos

Aqueles que me seguem no Twitter talvez já saibam que eu acho o CQC um nojo do ponto de vista jornalístico. Trata-se de um programa que se diz jornalístico para conseguir autorização para entrar no Congresso Nacional, mas se vale abundantemente de um artifício que é o antijornalismo por si só: a propaganda.

Perdoem o nariz-de-cera, mas ele tem razão de ser. Porque tudo o que vira moda ganha imitações, grandes ou pequenas. Após a vitória na etapa de Salvador da Stock Car, Cacá Bueno foi vítima de um subCQC baiano do qual nunca ouvi falar.

Cacá gentilmente parou para conversar com o tal repórter. Eu passei do lado, não dei muita importância. Tentando falar com a Luana Marino aqui do GP pelo telefone, ouvi a primeira pergunta: “Você é Cacá e seu irmão é Popó. Seu pai é Gagá?”

O piloto da Red Bull se saiu bem na resposta, dizendo que o pai ainda tem lenha para queimar, algo assim. Eu já estava dentro da sala de imprensa quando veio outra pergunta, com uma associação ainda mais babaca e infantil, algo do tipo “Como foi ficar com o Duda encostado na sua traseira na corrida?” Educadamente, Cacá disse que já era suficiente e deixou o rapaz falando sozinho. Com toda a razão.

Ainda que, neste caso, tenha sido só babaquice e não ofensa grave, de perto se vê quão constrangedor é ser abordado por um destes supostos repórteres. Se o original chama atrizes pornô de putas ao vivo às 22h, imaginem o que podem fazer as imitações.

Autor: - Categoria(s): Stock Car Tags: , , , ,

Ver todas as notas

93 comentários para “O original e a imitação”

  1. Xavier disse:

    Está escrito em algum lugar que não se pode fazer piadinha com piloto de corridas? Só se pode fazer perguunta “séria” no automobilismo? Engraçado como alguns jornalistas criticam o politicamente correto e chato mundo da F1 e suas entrevistas previsíveis e sem conteúdo e depois viram paladinos da moralidade por conta de uma piada. Esperava mais de você, Paranhos.

    • Felipe Paranhos disse:

      Não falei isso. A gente aqui no blog fala mil besteiras, na própria coletiva de imprensa da vitória do Cacá houve perguntas bem feitas e com bom humor.

      O que eu acho é que aquilo que relatei não é jornalismo. Jornalismo é o que se faz por uma informação. Aquilo é piada velha e sem graça, com o único objetivo de colocar o outro numa situação embaraçosa e rir com isso.

      O mundo da F1 pode ser legal sendo bem-humorado, descontraído não sendo engessado como é hoje. Mas se for babaca, não adianta ser descontraído.

  2. O CQC é bom – não tenho culpa se o Cacá não tem senso de humor :)

  3. leandro oliveira disse:

    olha…até concordo que essas imitações podem ou até fazem coisas piores em horários mais comprometedores…mas vejamos:se atrizes pornô fazem a venda de seu corpo,não podem ser chamadas de putas,as que ficam nas esquinas,não aparecem na mídia,nem ganham como as atrizes,também não podem.certo?

    • Felipe Paranhos disse:

      A questão não é a palavra, Leandro, é o peso que ela tem, é o que se quer dizer com isso.

  4. Junior disse:

    Não posso negar que gosto, ou gostei do CQC, pois nos últimos tempos eu já não tenho mais achado a mesma graça que achava antigamente, pois eles estão baixando ao nível do Pânico.

    Quanto ao humor, quem quiser responde, quem não quiser que apenas ignore, ou responda da mesma forma que eles perguntam, ou seja, com deboche e em alguns casos com falta de respeito.

    Já a situação da atriz pornô foi um absurdo o CQC ser punido. Uma PUTA é uma mulher que faz sexo por dinheiro, não seria isso?

    As atrizes de filme pornô, se encaixam na definição de putas, só que elas são filmadas enquanto fazem sexo por dinheiro.

    Ou seja, toda atriz pornô é puta, mas nem toda puta é atriz pornô. Será que estou enganado?

    • Felipe Paranhos disse:

      Junior, como falei aqui embaixo, a questão não é a palavra a ser usada, mas o sentido que se deu a isso. Eu assisti ao programa no dia de uma da ofensa à Pamela Butt e todos os que estavam comigo acharam gratuito e ofensivo. E eu acho que prostituta é prostituta, atriz pornô é atriz pornô. Mesmo que uma só pessoa faça as duas coisas.

  5. Francisco disse:

    É isso aê… Concordo totalmente contigo.
    Esses programas de humor pseudo-jornalístico são umas porcarias sem precedentes… São um sujeitinhos que querem fazer biquinho e poses na frente das câmeras, se acham os bons, mas não passam de uns membros da trupe dos sem cultura.
    Pena que também tenha muitos humoristas no automobilismo… :(

  6. Thiers disse:

    Concordo que o cara quis dar uma de CQC e foi um babaca, mas achar o verdadeiro CQC nojento e “antijornalistico” é tão babaca quando… Eles só não são hipocritas na maior parte do tempo e não tem papas na lingua, dai o nome, Custe o que Custar… Mas gosto é igual a… voce sabe né… é aquela coisa mesmo, que lembra bastante o cara da foto grande ai emcima, só fede um pouco menos…

    • Felipe Paranhos disse:

      Eu acho um nojo e você pode me achar babaca por isso. Mas dizer que não é antijornalístico é ignorância, desculpe. Jornalismo e propaganda não se misturam de jeito nenhum. Jornalista não faz propaganda.

      Sobre hipocrisia — ô palavra manjada —, duvido que se você descobrisse uma hipotética fábrica da Pepsi que causasse problemas à população, eles fariam um Proteste Já com isso.

  7. Ary Junior disse:

    Um site inteligente, um comentarista inteligente com comentarios infelizes, o cqc é um bom programa e o fato de vc nao gostar dele não significa que nao seja bom, humor é sempre bom, seu mau humor que é incrivel. E com certeza, pelo seu historico, esperavamos mais de vc, pelo menos bom senso.

    • Felipe Paranhos disse:

      Ué, eu acho um lixo jornalisticamente falando, mas pode ser bom como entretenimento. Nem avaliei o programa. Sou eu o mau-humorado? Tem certeza?

  8. Verde disse:

    Eu discordo sobre o fato do CQC ser babaca, embora ele já tenha sido bem melhor em verões anteriores e os repórteres estejam um tanto quanto estrelinhas ultimamente.

    Mas acho bizarro o povo reclamar da opinião do Paranhos. E o tal do Voltaire, aonde fica?

  9. Evandro disse:

    Concordo. É previsivel. É mais ou memos assim: Perguntam ao sindico do meu predio porque o preço do condominio do outro predio esta caro, e acham que ele tem obrigação de saber a resposta porque é sindico e por ai vai.

  10. Marcel Cintra disse:

    é foi engraçado o CQC denunciando venda ilegal de combustível ao lado de uma escola pré-primária. Foi super engraçado a denuncia de tratamento de esgoto irregular no interior de São Paulo. Foi hilário a denúncia que os parlamentares assinam projetos de lei sem ler do que se trata. Metrô NOVO cheio de falhas de projeto e parados no porto de Salvador a mais de um ano. Realmente, CQC não é jornalístico. Faça o favor. Vc deve ter rabo preso com algum político desmascarado pelo CQC.

    • Felipe Paranhos disse:

      Sim, claro, se eu discordo de você, é porque eu tenho rabo preso com algum político desmascarado pelo CQC, grandes paladinos da justiça. Só pode ser por isso, pois como alguém discordaria do caráter jornalístico de um programa como aquele? Só com rabo preso, né?

  11. Antonio Silva disse:

    Olá Paranhos,

    Hoje terei que discordar de você, acredito que quando se é uma pessoa pública sabe-se que estará sujeito a qualquer tipo de situação. As perguntas feitas pelo “jornalista” em nenhum momento ofendeu o Cacá, cabe a ele responder ou não a este tipo de questões. É o mesmo caso dos políticos nestas eleições, em que o TSE proibiu os programas de humor (onde eu concordo que o CQC não é programa jornalístico e sim de humor) de fazer qualquer menção sobre os mesmos. Pra mim trata-se de censura. No país que vivemos hoje, acredito que a pessoa pode e deve perguntar o que quiser, desde que arque com as consequências deste ato.

  12. focacruz disse:

    como dizia o velho antonio abujamra: tudo so piora. e tem esse monte de babacas que gostam dessas piadinhas. queria ver se fossem com eles, se teriam esse humor todo. rarara!!

  13. focacruz disse:

    paranhos, vc ta pegando leve com essa gente inteligentissima que acha que esses cqcs, pqps sao engracados.
    gente que acha que grosseria eh humor tem se #*&@$%!!!!

  14. marco disse:

    cqc e outros são programas que vivem do constrangimento alheio… tem gente que, pelas bandalheiras que comete ou encrencas em que se mete, merece ser constrangido com perguntas diretas e bem humoradas… tem gente que, de outro lado, merece humor com respeito… acho que é isso né paranhos???

  15. Ringo disse:

    Acho o CQC o lixo do lixo, mas convenhamos alguns políticos adoram aparecer no tal “programa jornalístico”. Mas devo admitir que o CQC é um mal necessário não são vocês da imprensa que vivem critiando a sensura, então engulam os babacas como você os classifica.

    • Felipe Paranhos disse:

      Sim, alguns políticos gostam de aparecer lá, outros no Amaury Jr, outros no Pânico, problema é deles. E nada a ver com censura o que eu falei.

  16. Tonico disse:

    Paranhos, Desculpe a minha ignorância, mas vou pedir a sua ajuda. Tenho o CQC um bom programa, divertido e diferente, que pode ajudar a informar, com humor, a incentivar o publico a exercer sua cidadania e para que tenha suas próprias conclusões sobre os temas abordados. Acho que isso é parte do objetivo do jornalismo. Espero que eles mantenham a sua identidade, para ser mais uma opção de programa entre os mais e os menos escrachados. Porém, se para fazer humor, a ferramenta for ofender alguém, passa a ser mau caratismo. Com certeza eles não aprovariam a mesma postura caso os entrevistados fossem seus entes queridos.

    Agora, a questão da propaganda com o jornalismo é que ficou estranha. Quanto custo a hora da propaganda nos intervalos do JN. Será que eles veiculariam uma reportagem devastadora sobre uma fábrica de cerveja que faz propaganda, nos intervalos do JN. Se fosse outro canal e outro jornal, será que seria diferente??? Gostaria mas não vejo essa separação clara entre jornalismo e propaganda nas midias de hoje. Terá que ser o leitor, telespectador ou ouvinte, a perceber esse conflito de interesse e avaliar quão isenta é a reportagem.

    • Felipe Paranhos disse:

      Opa, vamos lá: você não é ignorante não, estamos no mesmo plano. A diferença entre a ação da propaganda em programas jornalísticos e no CQC é que, neste último, a publicidade não está apenas nos intervalos — ela é feita pelos próprios — ditos — repórteres. Desde o momento em que alguém diz que o programa está “redondo” até o momento em que, nas vinhetas, os homens tomam determinada bebida.

      Acho que programas de entretenimento podem informar — o que às vezes é o caso do CQC —, mas isso não faz dele jornalismo.

  17. Luiz Batista disse:

    Concordo com você Felipe, o CQC nunca foi programa jornalístico, é um programa humorístico travestido de jornalismo. Não é por que o Gugu passou 3 ou 4 horas falando da morte dos Mamonas Assassinas que o Domingo Legal virou programa jornalístico. PS: Falem mal do Cacá, mas o cara até que é bem inteligente…

  18. Alex Neundorf disse:

    Não entrando no mérito de qualificar CQC como jornalismo ou anti-jornalismo… para mim anti-jornalismo (dâ-ne-se-o-novo-acordo-gramatical) é querer expressar opinião como se fosse notícia… vejo jornalista por ai que não conhecem palavras como: supostamente, relativamente, provavelmente… só sabem dizer: tudo, nada, sempre, nunca, completamente… sempre desconfio dessas palavras e de quem as usa!

    opinião é opinião… e deveria ser desde o início expresso dessa maneira…

    jornalismo é opinião em grande parte (ou seria 100% opinião?)… e essa balela de imparcialidade nunca existiu e nem pode existir… nem uma foto ou vídeo de um acontecimento qualquer é imparcial…

  19. Mauricio Freire disse:

    Acho que vc é daqueles que acham que o mundo deve ser politicamente correto e que nao se pode haver piadas. O CQC tem um estilo diferente de fazer piadas. Não é considerado jornalismo e nunca foi, tanto que se enquadra na linha de programa humorístico. O reporter nao ofendeu ninguém tanto que o Caca respondeu na boa. Agora vc vir tomar as dores do cara que é estranho, muito estranho mesmo

    • Felipe Paranhos disse:

      Não, não sou “daqueles”. O CQC se diz um programa jornalístico, tanto que fez campanha para que fosse permitida sua entrada no Congresso Nacional com este argumento.

      “Tomar as dores”. Claro, claro, muito estranho.

  20. Pamella disse:

    Olá… Vim a esse blog por indicação do Flávio Gomes.
    Concordo com o que li. Sou estudante d ejornalimso e já trabalho com isso. Sinceramente, o CQC pode ter audiência, ser engraçado, mas não posso chamá-lo d eprograma jornalístico. É piada, algumas d emal gosto, outras engraçadas, mas ninguém é obrigado a responder piadas em uma coletiva de imprensa, onde tem muitos jornalistas trabalhando de forma série para produzir as suas matérias. Muitas delas acabam atrapalhando o entrevistado. Já pensou se o entrevistado abandona a sala de entrevista por causa d euma piada sem medida de um programa de humor. E como ficaria a sua matéria, sem as respostas? Que delícia, não?
    É isso. Não estou discutindo a qualidade do programa CQC, apenas colocando, com base no que estudo e faço, que aquilo não é jornalismo.

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo