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Arquivo de outubro, 2010

11/10/2010 - 13:42

Invasão espanhola

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Luana Marino

A Espanha não é nenhuma novata no rol dos campeões mundiais de motovelocidade, embora o único título do país na categoria principal fosse, até domingo, de Alex Crivillé em 1999, quando as motos ainda eram de 500cc. Nas 125cc, a prova da força ibérica é traduzida por Angel Nieto, pentacampeão da classe nas décadas de 70 e 80, uma das lendas do motociclismo.

O que faltava, na verdade, era essa mesma força na elite das duas rodas, mas a disputa deste ano restrita entre Jorge Lorenzo e Daniel Pedrosa na MotoGP depois do acidente de Valentino Rossi mostrou que a vez é dos espanhóis. Além disso, o domínio do país nas 250cc e nas 125cc é surpreendente.

Para se ter uma ideia, o Mundial deste ano das 125cc já viu nada menos do que oito pódios totalmente espanhóis. Ano passado, isso aconteceu apenas uma vez, no GP da Alemanha. O último foi neste domingo, inclusive, com vitória de Marc Márquez. O piloto, de quebra, ainda assumiu a liderança da competição, que tem, até o momento, Nicolas Terol em segundo e Pol Espargaró em terceiro – todos espanhóis.

Ou seja, provavelmente teremos mais um campeão do país ibérico em 2010 na moto, e se levarmos em conta que Toni Elías já garantiu o título na Moto2, a Espanha está prestes a entrar para um seleto grupo que conta apenas com Itália e Grã-Bretanha até o momento: dominar três categorias da motovelocidade no mesmo ano. A Itália de Valentino conseguiu o feito três vezes, em 1950, 1975 e 1976. Já os britânicos foram superiores em 1967.

Lembrando que, naquela época, os mundiais contavam ainda com 350cc e 50cc. Então, se olharmos por este lado, a Espanha pode alcançar um feito inédito, já que o Mundial deste ano conta com três classes apenas. Seria um domínio total, com uma safra de pilotos que promete muito para as próximas temporadas.

Claro que Rossi ainda tem lenha para queimar na Ducati e totais condições de ser campeão novamente, mas o italiano vai se aposentar daqui a uns poucos anos. E ele sabe que a concorrência nos últimos Mundiais se acirrou. Vai ser mais um desafio para o ‘Doutor’ superar a espanholada abusada que vem por aí.

Autor: - Categoria(s): MotoGP Tags: , , , , , , , ,
10/10/2010 - 01:58

Um dia seca

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Felipe Paranhos

O tema anda esquecido, eu sei. Mas Flavio Briatore — ele mesmo — o recolocou em voga. Depois da saída de Max Mosley da presidência da FIA, os cortes nos custos ficaram em segundo plano. Que eu me lembre, a única notícia do ano neste sentido dizia respeito a um acordo das equipes para seguir economizando, mas tudo muito genérico.

Flavio declarou, em entrevista ao ‘Journal du Dumanche’, que o desempenho abaixo do esperado das equipes novatas é uma prova da situação frágil que vive a F1.

Briatore pode ser um escroque, mas tem razão neste sentido.  “Eu limitaria os custos muito mais, em pelo menos 70%. As equipes estão em agonia. Os carros estão só alguns segundos abaixo do desempenho dos carros da GP2 — e a GP2 é uma categoria  que requer um investimento dez vezes menor. Isso é maluquice, especialmente quando se torna extremamente difícil para encontrar patrocinadores”, disse.

O italiano foi além. “A F1 está lutando por sua sobrevivência e não percebeu. Precisamos parar de fazer reuniões que não decidem nada”, bradou.

Eu sempre digo aqui que a F1, após a entrada de Jean Todt na FIA, voltou a ter aquele caráter elitista que ganhou durante grande parte da gestão Mosley. Max percebeu a besteira que estava fazendo e tentou mudar de ideia. Ganhou a batalha, trazendo três novos times para a categoria a baixo custo, mas perdeu a guerra.

Por incrível que pareça, as declarações acima vêm de um cara que não entende lhufas de automobilismo e que é o maior representante da F1 endinheirada, de iates e negócios presepeiros. Enquanto isso, os insiders de hoje estão ocupados nas festas dos patrocinadores que lhes restam.

Autor: - Categoria(s): F1 Tags: , , , , , , ,
09/10/2010 - 14:52

F1 na segunda-feira?

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FELIPE GIACOMELLI

Essa não foi a primeira vez que um treino da F1 foi cancelado por causa do mau tempo. Nos últimos anos, o mês de outubro tem sido cruel com a categoria. Em 2004, o próprio GP do Japão teve o treino classificatório adiado para o domingo em virtude do tufão Ma-on que atingiu as terras japonesas. No ano passado, foi a vez da chuva paulistana bagunçar o treino classificatório do GP do Brasil.

A previsão do tempo para o domingo aponta que as atividades deverão ser disputadas com pista seca, embora exista a possibilidade de chuva. E se novamente acontecer uma tempestade torrencial, estaria o GP do Japão fadado a acontecer em uma segunda-feira?

Corridas serem adiadas não é algo tão raro no automobilismo. Nos Estados Unidos é uma situação bem comum, já que provas em ovais não podem acontecer com a pista molhada por razões de segurança. Por isso, azar de quem trabalha, mas as competições acabam acontecendo em plena segunda-feira, diante de um público restrito.

Só que quando São Pedro não coopera e o temporal continua, o jeito é continuar adiando a prova e realizá-la, por exemplo, em uma terça-feira. Em 1997, apenas quinze voltas das 500 Milhas de Indianápolis foram disputadas no domingo. A chuva constante no restante do dia impediu que a corrida, que até então era liderada por Tony Stewart, continuasse.

O tempo não melhorou na segunda-feira e os carros sequer foram alinhados. Na terça-feira, o sol reapareceu e a corrida aconteceu normalmente com vitória de Arie Luyendyk, aproveitando que Stewart não teve o mesmo desempenho com o tempo bom.

Na Nascar, a situação foi parecida para a segunda etapa de Michigan de 2007. A chuva impediu a corrida de acontecer tanto no domingo quanto na segunda-feira e a previsão de tempo não garantia que o restante da semana tivesse tempo bom. Para piorar, os caminhões das equipes deveriam chegar no máximo até quinta-feira em Bristol para a realização da próxima etapa.

Em meio às especulações de uma transferência da corrida para o final da temporada, a prova aconteceu na terça-feira mesmo, entre uma pancada e outra de chuva. A vitória ficou com Kurt Busch, enquanto Tony Stewart foi o décimo, provando que não dá sorte em provas adiadas.

Nenhum caso, porém, é tão simbólico quanto as 500 Milhas de Indianápolis de 1986. A chuva impediu que a prova fosse realizada no domingo e o mau tempo continuou na segunda-feira. A direção de prova decidiu adiar a corrida, sem definir quando iria acontecer. Horas mais tarde veio a informação de que a corrida aconteceria no sábado seguinte – seis dias depois da data prevista.

A etapa de Milwaulkee, porém, estava marcada para o domingo e precisou também ser adiada em uma semana para que a tradicional prova da Indy acontecesse. Bobby Rahal venceu a corrida e se tornou o primeiro piloto a completar a corrida em menos de três horas. Sendo assim, ironicamente, a edição mais curta da prova até então.

Autor: - Categoria(s): F-Indy, F1 Tags: , , ,
07/10/2010 - 04:58

Questão de bom senso

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Felipe Paranhos

Peter Sauber é dono, chefe e principal porta-voz da equipe que leva seu nome na F1.

(Já repararam que quase ninguém mais fala em nome da equipe? O negócio é centralizado)

Suas funções, portanto, requerem que ele esteja ao lado do time em todos os GPs, acompanhando os trabalhos, dando seu ponto de vista — enfim, cuidando decentemente da empresa.

Mas Peter não está em Suzuka para o GP do Japão. Vai a um casamento.

O leitor se pergunta que raio de chefe é esse.

É que o casamento é de Carlos Slim Domit, presidente da Telmex, principal patrocinadora da Sauber em 2011. Domit junta os trapinhos milionários com María Elena Torruco neste fim de semana.

É, Peter, boa escolha. Aproveita e dá uma passada em Acapulco.

Autor: - Categoria(s): F1 Tags: , , , , , , , ,
06/10/2010 - 13:55

Batalha de egos

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Luana Marino

“Lorenzo tinha dito que queria disputar uma corrida até a última volta comigo. Isto é correr comigo até a última volta”.

A frase acima foi dita por Valentino Rossi um dia depois do eletrizante duelo entre ele e Jorge Lorenzo nas últimas voltas do GP do Japão. Rossi, como se sabe, é conhecido e idolatrado por dar show nas pistas, protagonizando grandes duelos com os adversários. Não é novidade nenhuma também que o heptacampeão vende caro uma ultrapassagem – característica, aliás, de nove entre dez super campeões no esporte a motor.

Pois bem, foi exatamente o que aconteceu. Lorenzo precisou fazer de tudo para passar Vale, e quando isso aconteceu, foi na marra. Mas Rossi deu o troco (na marra também, dando toque para tudo o que é lado) e venceu o duelo particular até a última volta, como o espanhol tanto queria.

Como já era esperado, houve chiadeira de Lorenzo para todos os lados. Também pudera, mais do que o terceiro lugar, o espanhol perdeu uma luta pessoal contra Rossi. E o golpe doeu.

Já faz tempo que Lorenzo vem cutucando Valentino. Chegou a rebater uma declaração do italiano, dizendo que Rossi fez de tudo para que ele não aprendesse nada na Yamaha e que Rossi se acidentou porque ele, Lorenzo, o forçou a ir ao limite. O companheirismo entre os dois já foi há muito tempo.

Só que o acaso tratou de colocar os dois para duelar por uma posição. E Rossi demonstrou um ritmo até surpreendente em Motegi, para quem esperava ter dificuldades por causa do ombro lesionado. Já Lorenzo queria voltar ao pódio. Motivos de sobra para a garra demonstrada na pista.

Mas a disputa pelo terceiro lugar entre Valentino e Jorge foi pessoal. O orgulho de ambos falou mais alto ali, e era questão de honra chegar à frente do outro, independente da posição que estivesse valendo. Lorenzo não ia querer à sua frente um piloto todo lesionado, se recuperando de um grave acidente e ainda sentindo dores no ombro. Já o italiano queria provar que, mesmo lesionado, ainda era Valentino Rossi. A agressividade foi praticamente instintiva. No momento do pega, a moto de Rossi era nitidamente mais lenta, enquanto Lorenzo tinha uma mais equilibrada. O xis de Valentino e as curvas lado a lado com o espanhol foram no braço.

Foi, sem dúvida, um dos duelos mais bonitos dos últimos anos, mas que a Yamaha não quer ver novamente este ano. Se bem que, sinceramente, eu duvido que os moços se contenham, como pediu o time, caso a situação se repita. Afinal, o orgulho de Lorenzo está ferido, e o espanhol está doido por uma revanche.

Autor: - Categoria(s): MotoGP Tags:
05/10/2010 - 11:45

Seriedade

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Felipe Paranhos

“Somos sérios”, declarou pela milésima vez Tony Fernandes, depois de anunciar o acordo para receber o sistema hidráulico e a caixa de câmbio da Red Bull.

Há um ano Tony diz isso.

Mas não é porque é uma mala. É porque sabe o ambiente hostil que as novatas sofrem na F1.

Busca na cabeça aí: depois da saída do Max Mosley, quem manifestou algum tipo de apoio a Lotus, Virgin ou Hispania? É só porrada.

Me parece  óbvio que a Lotus é esportivamente séria. Tony Fernandes não entra em nada pra perder, já disse isso por aqui. Mas as perspectivas para quem pretende entrar na F1 hoje em dia não são nada animadoras — como se pôde ver no processo seletivo da FIA para a 13ª vaga do Mundial de 2011.

E mesmo se a equipe não tivesse grana, não teria o direito de tentar fazer história na F1 — mesmo que no fundo do grid?

Quanto mais elitizada a F1 for, mais babaca ela vai ser.

Autor: - Categoria(s): F1 Tags: , , , , ,
02/10/2010 - 19:29

O vencedor

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Felipe Paranhos

Romain Grosjean é um dos grandes vencedores da temporada 2010. Depois de fracassar retumbantemente em sua rápida passagem na F1, não tinha o que fazer neste ano.

Começou no FIA GT1, no qual estava em primeiro até decidir deixar a categoria. Foi parar na Auto GP, o que parecia ser um retrocesso, já que se trata de um campeonato de terceira classe na Europa.

Chegou na quinta corrida. Na 11ª, uma antes do fim, garantiu o título. Para que não parecesse estar confortável com a situação, Romain foi além. Enquanto fazia sua vitoriosa campanha na Auto GP, se filiou ao Gravity, grupo que comanda a Renault e a Dams na GP2.

Primeiro, entrou no lugar de Jérôme D’Ambrosio em uma corrida. Depois, substituiu com relativa competência o lesionado Ho-Pin Tung. E, se não foi brilhante, pelo menos fez sete pontos, mais do que o chinês em quase todo o campeonato.

Sei não, mas acho que, aos poucos, Grosjean trilha seu caminho de volta à F1…

Autor: - Categoria(s): F1, GP2 Tags: , , , , , ,
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