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28/01/2011 - 15:17

O fim futuro

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Felipe Paranhos

Antes mesmo de ser doado oficialmente à Confederação Brasileira de Judô para a construção do Centro Internacional de Treinamento, o Kartódromo Ayrton Senna, em Lauro de Freitas, já vinha sendo sucateado pelos eventos musicais realizados no local. O último deles, o Reggae Power Festival, com 11 bandas do ritmo, aconteceu no dia 7 de dezembro e deixou marcas profundas no local. Antes disso, no mês anterior, houve o Desafio Internacional de Supermoto.

De acordo com o site “Allkart.net”, os dois eventos deixaram uma conta de energia no valor de R$ 4 mil, além de custos de reconstrução estimados em R$ 10 mil, tudo pago pela Associação Baiana de Kart (ABK).

O pessoal do Allkart (boa, Nei) nos cedeu essas fotos aqui, via ABK. Comento mais abaixo.

Não conheço profundamente a presidenta da Federação de Automobilismo da Bahia, Selma Morais. Somente de entrevistas e tal. O que eu sei é que, ao menos em atitudes públicas, ela dá um duro grande pra fazer o esporte a motor ser respeitado por essas plagas. Quando ela diz que “já é hora de a Bahia ter um autódromo”, está dizendo a verdade.

Pelo que pareceu nos dois anos de Stock aqui — o segundo menos, por uma divulgação mais fraca, ano de eleição e tal — e em corridas outras, como na F-Renault em 2005, há muito público pro automobilismo, gente que paga pra ver. Ótimo que construam um centro de excelência de judô, até por ser algo top, para formar atletas top, mas a terceira maior cidade do país ficar sem kartódromo, sendo que já não tem autódromo, é duro.

Só que vergonha não é simplesmente não ter automobilismo forte na terceira maior cidade do país. É não ter vôlei (joguei voleibol de base, vi de perto que lixo é o vôlei daqui, apesar dos esforços de técnicos e potenciais jogadores), basquete… Enfim. A Bahia é como um monte de lugares no Brasil: vive de duas ou três revelações esporádicas (Luiz Razia, Tony Kanaan), que nascem exclusivamente do suor de suas famílias e/ou da migração rápida para outros lugares.

Essa semana eu tava conversando com o pessoal da redação e falando sobre como existe o risco de, nos próximos anos, não haver brasileiro nenhum na F1, não por conta da falta de talento do pessoal daqui — existe uma infinidade de pilotos que poderiam facilmente chegar lá —, mas porque não vai ter onde revelar, onde começar a correr… Não duvido que os mais ricos saiam daqui cedo pra correr por outra bandeira, como, por exemplo, faz — muito bem — o tenista Christian Lindell.

Parece uma análise (rasa, porque isso merece uma discussão bem maior) catastrofista, mas começo a acreditar que as sucessivas gestões pífias do automobilismo brasileiro vão, sim, destruir o esporte. Veja com um olhar frio: o Brasil só recentemente virou um país médio, o chamado ’em desenvolvimento’ ou um desses nomes que criam e mudam a cada década. Em suma, um país muito pobre por muito tempo, e ainda cheio de miseráveis, apesar dos avanços.

O que explica um país deste ser potência no automobilismo? Entre outros motivos, a tradição. O fato de que, quando fazer esporte-motor era possível com disposição e conhecimento técnico, surgiram Lettrys, Balders, Pereira Buenos, Landis, Fittipaldis, Dias Ribeiros, gente assim. Criou-se uma cultura do esporte. Neste automobilismo de hoje, no qual sem muito dinheiro você não chega a lugar algum, no dia em que o Brasil parar de dar condição a alguns poucos, nunca mais vai se reerguer.

Desculpaí o desabafo.

Autor: - Categoria(s): F1, Geral, Kart, Stock Car Tags: , , , , ,

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34 comentários para “O fim futuro”

  1. Carlos Giacomello disse:

    Pegando gancho no comentario do Rafael Dias Santos, do dia 28/01 o kartista gaucho tem sim para onde ir. Fórmula 1.6, que em 2011 vai passar dos 20 carros no grid, tem um bom patrocinador(Benoit) e está atraindo pilotos até de Saõ Paulo e Rio de Janeiro. Pode ser um treino para a Fórmula Future ou mesmo para a Fórmula 3. Não precisa ir para o turismo. Alem disso, na contramão do Brasil o Rio Grande doSul está inaugurando 1 kartodromo em Itaqui nesta semana e realizando a reforma de outros 2(Bagé e Pelotas).
    Parece até que em termos de automobilismo vivemos em outro país.

    • Caro Giacomello . Somente para pegar uma carona em seu comentario aqui na “big city” SP . Acabaram com a F-São Paulo ( ex F-Ford) , que utilizava os mesmos Reynard – Techspeed utilizados ai . Em 2009 com iniciativa somente de equipes nos empenhamos em criar um novo campeonato de monopostos utilizando os F-Renault que a principio foi batizado de Superformula 2.0 e em seguida Premier Racing Series…. Pois bem, sua duração foi de tres etapas ……TRES ETAPAS !!!!!! a Federação Paulista, Clubes e alguns “dirigentes” apareceram somente pedindo e exigindo numero minimo de 10 inscriçes entre outras excrecencias ….. Veja no site da FASP……. ATENÇÃO ESPECIAL AO FELIPE PARANHOS, CREIO QUE MERECE UM TEXTO …….. ao nivel da categoria que estão promovendo …..por favor leiam o regulamento da FORMULA VEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! É de chorar !!!!!!!!!

      Como disse em minhas considerações anteriores …..DESISTI

      Caro Giacomello …… sobre sua ultima frase ……..
      Voces estão em outro pais sim ….. não é só aparencia não

      Saudações

  2. Igor SSA disse:

    Sobre a questão de pilotos brasileiros chegarem a equipes top do automobilismo há que se refletir também onde anda o empenho dos kras. Não é querendo criticar nem nada, mas automobilismo é um esporte onde a maioria dos que conseguem praticar vem de família rica e podemos dizer que não precisam de fato se empenhar para sobreviver do sucesso no esporte. Alguns estão ali simplesmente porque puderam bancar a iniciação no automobilismo e não por terem passado por uma peneira até chegarem onde chegaram. Muitos estão ali somente pelos finais de semana de glamour e as oportunidades extra-pista que a vida de piloto proporciona. São muitos os maus exemplos. Mas chego a me emocionar quando vejo exemplos como, recentemente, Bia Figueiredo no desafio internacional das estrelas. Enquanto todos estavam ali somente tocando os karts para a frente, ela estava ali pra buscar a vitória. Quem entende de pilotagem sabe do que eu estou falando. A maneira com que ela valorizou cada saída de curva, cada décimo de segundo, é coisa que só os grandes se importam e talvez por isso mesmo se tornem “os grandes”. Acho que falta muito disso nos nossos pilotos. Saber valorizar a dedicação em busca de décimos, centésimos, milésimos de segundos. Como Ayrton Senna, que dedicou a vida às frações de segundos. Como Schumacher, que mostrou ao mundo a importância de fazer um pit-stop perfeito e transformou esse momento num ritual que envolve desde cerca de 3 voltas antes da parada até o momento em que se sai da linha branca que limita os pits e que hoje, os pilotos medianos já conhecem e praticam também. Mas até eles entenderem que esse era um dos segredos do Michael, ele já tinha se tornado um dos grandes pilotos. Enfim, acredito que o sucesso de um piloto passa pelas oportunidades que se encontra no seu início, pela sorte, pelas escolhas, mas muito, muito mais, pela VONTADE. E isso falta a muitos. Posso dizer que hoje, vejo vontade de verdade, no Barrichello (pelo desempenho na F1 e no Kart), na Bia (pelo desempenho no Kart), no Tiago Camilo (pelo que vejo nas corridas de Stock), acho que o Luiz Razia e poderia dizer o Tony Kanaan, mas confesso que acho a Indy uma categoria difícil de se avaliar o talento.

  3. Gabriel Souza disse:

    Fala Felipe, tudo bem?

    Não precisa se desculpar pelo desabafo, a coisa tá feia para o automobilismo neste país.

    E quando alguém tenta fazer algo para que as coisas melhorem, ninguém incentiva. Pelo contrário, fazem de tudo para que não dê certo – vide Trofeo Linea x Vicar. Não é uma categoria de monoposto, mas é uma opção.

    Pior, essa briga pode ter reflexos na Formula Future, que é um sopro de esperança no automobilismo de monoposto, apesar do grid “mirrado” em 2010.

    Abraço!!

  4. raul disse:

    A 3a maior metropole do Brasil não tem kartodromo, nem autodromo, nem plano nenhum de ter. Nem sei nem se tem federação de automobilismo no estado.

    Ela também se chama Belo Horizonte.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_regi%C3%B5es_metropolitanas_do_Brasil_por_popula%C3%A7%C3%A3o

    Salvador, o 3o maior município em população e 7a maior metrópole estava até bem antes do kartódromo fechar. E super moto conta como esporte a motor né? deve ter sido um evento interessante..

    Sei que a discussão é chata e inócua, mas é importante por esses pingos nos is. Uma cidade tão grande como BH, com a maior montadora instalada no brasil não tem nada acontecendo! Nem um piloto em categoria top! Cristiano da Matta foi o único na F1… tá difícil viu!

    • Felipe Paranhos disse:

      É que o Supermoto foi no kartódromo mais porque ele ficava numa área turística, cheia de hotéis, do que por ser Salvador em si. Mas é verdade, comentamos isso aqui no GP outro dia, BH não tem nada, né.

  5. Max disse:

    Felipe, concordo com vc em número gênero e grau!
    Infelizmente o automobilismo no Pais esta a mercê de um Feudo enraizado chamado CBA e FAUs. Pra quem é do meio sabe muito bem do que estou falando. Administrações pensando somente em arrecadar fundos, mas sem ouvir pilotos, patrocinadores e preparadores.
    Enquanto persistir esta fórmula arcaida e pouco democrática, que insisite em não ouvir os pilotos, conviveremos com este tipo de situação.
    Tomara que mais pessoas como vc e com o seu pensamento se juntem a nós para mudarmos de vez essa situação e acabar com toda a barderna.

  6. marpial disse:

    Aqui no Brasil o “cobertor é curto”, pq a roubalheira é grande … pra se fazer alguma coisa tem que se tirar de outra, sempre.

Os comentários do texto estão encerrados.

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