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05/04/2011 - 20:55

O som do silêncio

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Felipe Paranhos

Como vocês devem imaginar, meu sumiço do BloGP nos últimos dias se deve à correria absurda para cobrir tudo o que a morte de Gustavo Sondermann merece. Estamos indo atrás de vários lados da história, ouvindo versões diferentes, posicionamentos de pilotos e dirigentes sobre o assunto, a fim de revelar as questões que contribuíram para a tragédia em Interlagos.

Apurando o caso, entrevistei Dinho Ferreira, telemetrista da J Star, equipe de Sondermann. Queria saber informações de um técnico da equipe, coisas sobre desaceleração, velocidade naquele local e afins. Acabei ouvindo um relato emocionante sobre a experiência massacrante que é acompanhar a perda de um colega de trabalho próximo. Sempre preocupado em não parecer que estava querendo aparecer com a morte de um companheiro, Dinho falou com parcimônia e serenidade.

“Infelizmente, ‘escutei o silêncio’ dele no rádio após o acidente… Não posso dizer precisamente a velocidade no local do acidente, mas, levando em conta que na freada do S do Senna eles chegam a 230 km/h, deviam estar nos 200 km/h”, disse.

“Dentro das pistas éramos bem entrosados, falávamos um pouco de tudo e de todos, para nos situar e planejar desempenhos, mas fora delas nem tanto”.

Uma coisa que me intrigou foi sobre como a questão do estado de saúde de Gustavo era passada à equipe. Aqui fora, a informação oficial era a de que ele estava sem “risco iminente de morte”, conforme disse o Dr. Dino Altmann quando o piloto foi levado ao Hospital São Luiz. Imaginei que, dentro da J Star, todos soubessem uma hipotética verdade: que Gustavo dificilmente sobreviveria.

Dinho contou justamente o contrário. Sua reação ao saber do falecimento de Sondermann foi, em suas palavras, a de “surpresa”.

“Só fui embora do autódromo pelas 15h, quando o Sergio [pai de Gustavo] nos disse que ele estava sob controle,tinha batimento e respiração”, falou. “O próximo passo seria a transferência para o Morumbi, para uma bateria de exames e para conhecer a dimensão toda do acidente. Aí soubemos da parte neurológica.”

Nesta terça, no Twitter,  Dinho foi duro em relação às condições pelas quais passam as equipes da Montana. “A segurança no automobilismo brasileiro tem que ser vista , tratada e fortemente modificada em todos os aspectos”, escreveu, antes de postar uma irônica declaração com a qual tendo a concordar. “Estes chassis ofereceram algum perigo para a V8, para a Light servem, é só tirar alguns cavalos e tudo bem.”

“Não é de ontem que a Light, hoje Montana, sofre em função da principal. Em alguns autódromos, nós ficamos em barracas precárias e temos que torcer para que um vendaval não as arranque do chão e voe ou caia em cima de alguém, fato já acontecido em Santa Cruz”, finalizou.

Infelizmente, foi necessária a morte de Sondermann para que uma discussão profunda se iniciasse. E ela não pode parar. Ninguém quer outro fim de semana como este último em Interlagos.

Autor: - Categoria(s): Stock Car Tags: , , , , , , ,

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11 comentários para “O som do silêncio”

  1. Joca disse:

    Interessante a questão da Montana estar abaixo da principal na questão condicional, pelo relato do membro da equipe é uma sub categoria. Sendo sub categoria, tratando desta maneira será que a segurança também estaria em segundo lugar? Do tipo coloquem na pista para manter o publico e cada um se vire da maneira que poder. Sou piloto amador a mais de 25 anos, já vi acontecer isso por várias vezes, destesto Stock Car categoria no meu ver uma porcaria, máquina de dinheiro, tiram dinheiro das equipes, pilotos e aptrocinadores para corridas ruins para quem conhece. Algo que digo a anos para o público não interessa se vc anda a 280 ou a 180 eles querem ver é disputa , ultrapassagem, o que se vê hoje, toques maldosos sem o minimo respeito com a vida dos outros.
    A morte do Sondermann foi o lado negro de corrida, levou toque foi ao muro voltou e foi atingido na lateral ao lado inverso do piloto. O que me chamou a atenção foi a deformação do chassi tubular, muito pouco considerando a força do impacto. Minha opinião é de que o carro tem falhas graves, não há absorção de impacto visivel, se eu fosse um promotor pegava o caso e não deixaria nenhum carro da Stcok entrar em pista nenhuma sem laudo de segurança nos veículos por pessoas não ligadas ao automobilismo.
    O automobilismo no Brasil é podre, para melhorar somente de uma maneira algo chamado “respeito” com todos.
    Espeto que os meus filhos que hoje tem gasolina nas veias no futuro sejam felizes neste esporte.

  2. Gabriela disse:

    “Senhor”! Por acaso não chegou por aí, um garoto dirigindo um carro , em alta velocidade? É o nosso Gustavo Sondermann “Senhor” brasileiro como eu e o “Senhor” Arrojado, o melhor de todos!Se ele chegou, dê a ele a bandeira quadriculada,ele venceu, dê a ele sua mão “Senhor”, para que ele saia do carro,ele pode estar assustado e meio perdido,>pois saiu daqui, com a velocidade de um raio,se quer deu tempo para se despedir .Sossegue-o “Senhor”, faça com que ele veja,a maior prova de Gratidão e de Amor que jamais um mortal recebeu.Transmita a ele “Senhor” a mais sincera gratidão por todos esses anos de gloria e de luta.Há! Acelera Gustavo Sondermann pois daqui de baixo a cada estrela que cruzar o céu,saberemos que você estará nela e os anjos do céu tocarão em seus clarins a Música da Vitória!Acelera Gustavo Sondermann Até um dia, Campeão!
    Ana Paula Almeida
    Achei no orkut esse texte…muito emocionante

  3. Felipe Scur disse:

    é uma pena Perdermos um Grande Piloto como Gustavo Soldermann uma pena q foi de uma maneira tão trágica e triste fiquei muito chocado com esse acidente muito feio, fico me perguntando o que q a Federação Internacional de Automobilismo a Confederação Brasileira de Automobilismo devem fazer com a curva do café vale lembrar de uma outra morte ocorrida nessa mesma maldita curva em 2007 com o Piloto Rafael Sperafico realmente me sinto indignado e triste com essa tragédia q ocorreu no dia 3 de abril Descanse em Paz campeão

  4. André disse:

    Compreendo o relato do membro da equipe, pois elas (equipes) tem de trabalhar com o que é oferecido, que é precário.
    Mas chega uma hora onde ninguém pode tirar o corpo fora: mesmo não se fiscalizando corretamente a montagem de uma gaiola, ou da posição do pneu, ou se permitindo um para-brisa de um material leve mas que embaça tudo na chuva, as equipes tem de parar e tentar fazer o melhor, nao apenas visando o resultado.
    Montem as gaiolas corretamente. Montem os pneus corretamente. Utilizem um para-brisa de material mais pesado, mas que nao embaçe a visão do piloto. Busquem se unir em um acordo entre as equipes para que isso ocorra sem desvantagens para quem fizer o certo.

    • Arildo disse:

      O que as equipes fazem é a instalação de chapas de fechamento desde aço a fibra de carbono, não é permitido modificar nenhume estrutura da gaiola em si.
      Quanto ao para brisa é feito de policarbonato por ser material que pode ser trabalhado de acordo com o desenho da carenagem o parabrisa de vidro com desembaçador só mesmo empresas do setor tem condições de fazer e lembremos que a carenagem foi substituida novamente este ano para adequação ao produto existente no mercado. São só alguns fatos que gostaria de relatar sem dúvida concordo que é de vital importancia que sejam feitas as devidas mudanças para que não precisemos ver novamente jovens perdendo o vida naquilo que sabem fazer ou trabalham.

  5. Com o perdão da expressão, o Dr. Dino Altmann é um cara de pau (claro que é pago, e muito bem, para isso). Na morte do Rafael Sperafico ele afirmou que uma parada cardiorrespiratória após um trauma craniano resulta em morte instantânea, e no Caso do Gustavo ele afirmou que era algo normal e que não oferecia nenhum risco, mas ele deve lembrar que a maioria dos brasileiros têm memória fraca.

  6. Nair Rissato disse:

    Gente!!! O esporte é automobilismo! Não é Tenis, Bocha ou Volei! Carro de corrida bate, capota e pega fogo! O Pace morreu em queda de avião, o Chico Landi deu sorte e morreu de velho! O risco é do esporte… Ate o Senna morreu na pista. Não adianta agora promover caça as Bruxas!!! Não quer correr risco? Vai jogar bolinha de guede!!! Desculpem a frieza… mas ipocrezia não guento!!!

  7. m paulo disse:

    É …muito triste mesmo..
    Porem, nao pode deixar a poeira baixar..
    Infelizmente tivemos que ver mortes , para a CBA ´´pensar“ em mudar algo …Só que, agora com toda força , temos que apoiar algo que seja feito…Nao podem ocorrer mais mortes, por causa de ´´politica“ e etc ….

  8. Ricardo Silva disse:

    Pelos princípios de Física e Engenharia, os efeitos da aplicação de força num corpo são: deformação e aceleração. As deformações da carenagem e estruturas são evidências dos locais (muro e colisão T) e intensidade dos impactos. Assim como uma marca no capacete (deformação) indicaRIA um choque da cabeça com a estrutura, que também podeRIA estar marcada.

    Não sendo médico, me parece que o Neurologista identificou que as acelerações associadas a colisão T causaram a morte, pois foi relatado que não havia danos no piloto visíveis externamente. Traumas vísiveis podem ser conseqüência de impacto. Se o piloto não teve nenhum trauma em conseqüência de ruptura ou deformação da estrutura então me parece que outros aspectos devem ser estudados.

    http://www.fmotor.net/cart/pics/j_montoya_nascar_cockpit_l.jpg

    Por favor vejam a foto do Montoya num cockpit da NASCAR. Além do HANS, usado pelo piloto, existe uma proteção no cockpit para movimentos laterais da cabeça. Sendo o movimento da cabeça, em virtude da Colisão T, a causa da morte do piloto, então eu penso que o cockpit possa ser melhorado.

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