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10/04/2011 - 07:27

Parem de reclamar

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Felipe Paranhos

Às vezes penso que tem gente que sente prazer em reclamar. Da vida, do casamento, da solteirice, do time do coração, da profissão, do chefe, da humanidade. A gente vê isso nas coisas que mais gosta, que melhor acompanha. Um exemplo é a F1.

Foi pelo que li no Twitter durante a corrida que decidi falar sobre isso aqui, a fim de gerar o debate. Quando não tem ultrapassagem, o pessoal reclama; quando tem, reclamam também. Não ficam satisfeitos nunca? Evidentemente que as disputas por posição na Malásia tiveram como fator maior o propositalmente alto desgaste dos pneus Pirelli. Esta não é uma forma natural de se obter boas disputas na pista, é fato. Mas nas temporadas anteriores não tinha nada, exceto em circunstâncias absolutamente incomuns. Não é melhor que seja assim, pelo menos por enquanto?

Kobayashi brigou com Schumacher a corrida inteira, Webber conseguiu sair de décimo para quarto, Heidfeld conseguiu mais um pódio para a surpreendente Renault, Alonso pôde brigar por uma improvável posição por Hamilton, fez barbeiragem e terminou atrás de Massa, que perdeu tempo nos boxes na primeira parada… Além disso, mostrou que pilotar não é só acelerar, ser agressivo, mas também saber como tirar o melhor do carro em condições adversas, o que fez Jenson Button, segundo colocado. E o mais importante: tudo isso não tirou a vitória do melhor piloto da corrida, Sebastian Vettel.

Todos esses acontecimentos tiveram uma mesma origem: os pneus Pirelli. Ano passado, só havia boas corridas com chuva ou variação de tempo. Este ano, em duas provas, tivemos uma mediana e uma muito boa. Parem de reclamar.

Se os pneus estivessem influindo negativamente no resultado da corrida, tudo bem; mas não. Quem merecia vencer venceu, quem cuidou bem dos pneus subiu no pódio, e piloto que fez barbeiragem — bom dia, Fernando — ficou para trás. Que a F1 continue assim em 2011.

Autor: - Categoria(s): F1 Tags: , , , , , , , , ,

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28 comentários para “Parem de reclamar”

  1. Ubaldir Jr. disse:

    É, a corrida foi bem movimentada. Mas a previsibilidade total a respeito do vencedor é que mata. Não adianta muito pra galera um monte de disputas secundárias se o primeiro colocado está andando soltinho lá na frente, sem a menor chance de ser incomodado por alguém. Na era Schumacher tivemos muitos anos assim também, com um monte de neguinho se engalfinhando atrás do alemão soberano. E as recordações dessa época realmente não são lá muito boas pra quem gosta da F1.
    Fala-se muito dos motivos que levam as corridas à previsibildade. Um fator que acho que deixam muito de lado é o formato dos treinos, que era preponderante na emoção das corridas nos idos de 70/80. Naquela época, tínhamos total liberdade para as equipes trabalharem o carro para os treinos e depois para a corrida. E onde isso ajudava na imprevisibilidade? Ora, era muito corriqueiro uma equipe conseguir dar um “canhão” a um piloto nos treinos e não arrumar um bom acerto para as corridas, o que causava muitas inversões no grid, proporcionando muita movimentação, ao menos na primeira metade da prova. Hoje em dia, com os carros largando do mesmo jeitinho que treinaram, nada mais óbvio que o melhor conjunto larga em primeiro, o segundo melhor larga em segundo, e assim por diante, salvo algum fato incomum. A tendência é mesmo que apenas vá ocorrendo um distanciamento sistemático entre os pilotos ao longo das primeiras voltas, sem nenhuma luta por posição. Aí acaba sendo necessária a intervenção artificial via desgaste de pneus, diferença de estratégias, asas mirabolantes, tudo pra impor alguma emoção na peleja. É aquela coisa, na falta de coisa melhor, vai o que tem mesmo, paciência. Frente à média das corridas com tempo seco que temos acompanhado nos últimos anos, a corrida de Sepang do último fim de semana foi realmente boa analisando-se assim.

    • Felipe Paranhos disse:

      Pô, Ubaldir, mas o cara que é melhor tem que vencer, mesmo. Ou os caras têm de criar artifícios pra dificultar que o melhor ganhe?

    • Ubaldir Jr. disse:

      Felipão, o maior exemplo que eu tenho disso tudo que eu falei é o Senna com aquela Lotus preta de 85. Na velocidade pura, com o carro contando com acerto extremo, motorzão de 1200 cv, coladinho no chão e zerado de gasolina, ele conseguia bater todos os outros, mesmo contando com um carro que seria o sétimo melhor do grid. Ele largava na frente e forçava uma galera a se “virar nos 30” pra passar por ele, o que dava uma emoção legal na corrida. E isso não significa que o Senna era pior que o resto e era colocado “na marra” na ponta do grid, entende?
      Esse sistema de treinos de hoje matou aquele lance da “velocidade pura”, que era o que o Senna mais adorava na F1. Ele mesmo dizia que muitas vezes dava mais valor a uma pole do que a uma vitória. Aquela volta perfeita, com um canhão nas mãos era o ápice, a apoteose da velocidade. Sinto falta daquilo, sabe. Era um artifício muito menos artificial do que as asinhas móveis ou o troca-troca de pneus de hoje. Aliás, nem acho que possa ser chamado de artifício. Era simplesmente uma falta de limitações ao acerto do carro para uma condição (fazer uma volta voadora) e outra (aguentar 300 km na maior velocidade média possível). Me parecia algo bem justo.

Os comentários do texto estão encerrados.

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