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20/04/2011 - 18:29

Esporte que maltrata

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Felipe Paranhos

Alberto Valério, Tiago Geronimi, Caio Lara, Raphael Abbate. Todos eles, ano passado, disputavam campeonatos de monopostos lá fora. Neste ano, estão em posições de coadjuvante nos torneios de turismo brasileiros. Apesar de, evidentemente, tratar-se de um período de adaptação, tenho certeza que os quatro pilotos, de 25, 22, 20 e 19 anos gostariam de continuar por lá.

Ao menos, houve a passagem pelo automobilismo internacional. E quando nem isso acontece, fica só a frustração? É um pouco do que passa Lu Boesel. Competitivo na F3 Sul-Americana, onde ficou conhecido, o sobrinho de Raul e irmão de Pedro, da Copa Montana, o piloto buscou os EUA como destino.

Chegou na O2, equipe da Lights, para testes. Foi o mais rápido num treino que teve, inclusive, Josef Newgarden, que veio da GP3, com um carro mais complexo do que o da F3 Sul-Americana. Lu impressionou a equipe, ganhou a verba do patrocinador do time.

Voltou ao Brasil empolgado para completar a verba e conseguir se garantir na temporada 2011 da Lights. Não deu tempo de obter os recursos para iniciar o campeonato. Sua almejada estreia ficaria para Long Beach, se tudo desse certo.

Pelo visto, não deu. E Lu cogita, como os pilotos citados lá em cima, abandonar o sonho de correr em categorias de monopostos fora do país e tentar vaga nos campeonatos de turismo daqui. Ontem, no Twitter, o piloto desabafou.

“Minha carreira inteira até aqui segui nos monopostos, mas cada vez mais sinto que esse é um caminho incerto e para poucos com bolsos grandes. Mesmo amando o monoposto, o turismo tá cada vez mais presente e mais perto da realidade! Usar um pouco mais do curso adm e tocar a vida”, falou.

Ê, automobilismo… Esporte que maltrata.

Autor: - Categoria(s): Indy Lights Tags: , , , ,

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20 comentários para “Esporte que maltrata”

  1. Passei pelo mesmo a vida inteira.. E eu estava la na porta.. Sem um puto.. Esporte que depende “quase”totalmente do dinheiro.. Infelizmente..

  2. junio messias disse:

    e depois vem o barba fingida me falar que a petrobas e nossa e gasolina so q sobe o preço 3,50 a qui em janauba

  3. André disse:

    Não entendeu Felipe? Po, é culpa da gasolina lá no meio do mato.

  4. JacsonPaz disse:

    E a F1 agora tentando reverter este quadro, atraindo mais atenção, mídia, e consequentemente, mais oportunidades para equipes e pilotos, só recebe críticas de tudo que é “especialista”. Vai entender este povo…

    Leio muito a mídia internacional sobre a F1, e vejo que os maiores críticos das tentativas da FIA estão aqui – unidos – aos amigos da CBA que largaram nossos monopostos as moscas…

    • Felipe Paranhos disse:

      Não entendi, Jacson. O que tem a ver com o que eu disse? Abraço.

    • JacsonPaz disse:

      Felipe, nada contra o que você falou, mas aproveitei o assunto para passar um recado para os colegas da crítica.
      Assisto F1 a 28 anos, e ainda é pra mim, o campeonato de monoposto que mais me agrada.

      Tenho muito medo de nos próximos anos não vermos mais brasileiros de talento na F1 justamente por falta de oportunidade/patrocinio; e quando a F1 começou a dar espetáculo novamente, mesmo que por fatores “diferentes”, me preocupa tanta crítica contra as tentativas da FIA. Sei que o espetáculo é primordial para público é mídia, e consequentemente, patrocínio para os nossos…

      Abraço!

    • Felipe Paranhos disse:

      Ah, agora entendi. Desculpa! É que o sistema dos comentários mostra um em cima do outro, na hora de aprovar. Quando vi em que post era, achei que fosse comentando o que eu disse. Foi mal :)

      Também concordo com você em relação às críticas às tentativas da FIA. Outro dia escrevi um texto aqui, o “Parem de reclamar”, em que eu dizia bem isso. Abraço!

  5. Joaquim disse:

    Em tempos passados a economia brasileira não era tão boa como hoje, porém tenho a impressão que naqueles tempos havia mais patrocínio de empresas brasileiras para pilotos brasileiros (por exemplo, Arisco e Rubinho). Isto é verdadeiro ou é apenas impressão?

  6. Leonardo de Souza disse:

    Você vê como o interesse do público pelos pilotos de base é mínusculo apenas observando a página de comentários deste post, se o assunto fosse qualquer coisa relacionado a Barrichello,Massa ou qualquer outro piloto da F1 de hoje ou do passado já teria aqui em média mais de 60 comentários, mais como é um assunto referente a um problema real e que demonstra aonde está indo parar os pilotos de Fórmula no Brasil nínguem dá importância, mas quando estes chegam a F1 ai começa o processo de “cornetagem” como oque ocorre com o Barrichello,Massa,B.Senna e até mesmo com o Razia como ví nesta última semana em que ele estreou na sexta-feira do GP da China.

    Antigamente um piloto como o Lú já teria conseguido patrocínio para completar o orçamento para a Indy Lights especialmente após o ótimo teste dele lá, mais hoje pouquissimas(talvez na verdade nenhuma) empresas incentivam os pilotos daqui para competirem no exterior, algo que era bem comum no final da década de 80 e ínicio da de 90 (curiosamente um período que o Brasil estava passando por dificuldades econômicas).

    Também não existe no País um projeto a longo prazo para fazer com que os pilotos tenham um prosseguimento gradativo em suas carreira, tudo depende apenas de quanto cada um têm em seu próprio bolso para avançar no automobilismo e quando falta dinheiro ou ficamos estagnados ou acabamos desistindo pela falta de incentivo frente as dificuldades da carreira, enquanto não tivermos incentivos desde o ínicio no kart para que os melhores e mais preparados prossigam para competirem nos Fórmula e em quanto as categorias de base daqui não formem um grid de pelo menos 20 carros e possam premiar os pilotos com a possibilidade de competirem uma temporada inteira no exterior díficilmente veremos novos pilotos Brasileiros na Indy e na f1 nos próximos anos que não sejam apenas os que têm condição financeira para banca do próprio bolso toda a sua carreira, e ao contrário do que muitos pensam este tipo de pilotos são poucos aqui e também têm seu limite de quanto gastar, afinal níguem fica rico gastando como rico.

    Lembro até hoje que na revista Racing a pouco mais de dez anos atrás o Piquet exaltava em sua coluna as conquistas dos pilotos Brasileiros no exterior que chegavam a passar de 190 por temporada, hoje este número não deve passar dos 10 devido ao reduzido número de pilotos Brasileiros no exterior.

    Todos nós do ramo do Automobilismo (Dirigentes,Confederações,Equipes,Pilotos,Patrocinadores e até mesmo o Público e outros) precisamos parar de pensar em nossos próprios ganhos e prejuizos e traçarmos um objetivo em comum que é fortalecer o kart e o automobilismo de base para recuperarmos o incentivo de grandes empresas nacionais para desenvolver a carreira dos pilotos Brasileiros desde o Kart até chegarem a F1 ou Indy, criando assim um processo que possa levar um grande número de pilotos de qualidade para as categorias Top de Fórmula, gerando ainda mais interesse do público e consequentemente de patrocinadores, criando o mesmo interesse no automobilismo de base que havia no século passado.
    Precisamos pelo menos fazer com que nossos pilotos consigam competir no exterior nas categoria de base de lá para ao menos tentarem conquistar um vaga nos programas de desenvolvimento de pilotos que existem na Europa e assim darem os passos finais em suas carreiras rumo a F1, dependendo apenas de seu talento para obter sucesso.

    Não é fácil e muito menos simples fazer isso, mas se não for feito a situação só irá piorar com o passar dos anos. Este texto do Verde com relação ao assunto também é muito bom. http://bandeiraverde.com.br/2011/04/20/os-esquecidos-de-hoje/

  7. cyro de cicco disse:

    Felipe, lembro dos tempos em que o Brasil enviava uma cacetada de pilotos para tudo que era mercado automobilístico todos os anos e boa parte deles levantavam o caneco de campeão. Naquela época, o automobilismo brasileiro tinha o kart, fórmula ford, depois fórmula chevrolet e fórmula 3 Sul-Americana. Havia um envolvimento das montadoras! Existia no turismo, marcas e pilotos, stock car, copa Uno e outras que não lembro mais. Eram campeonatos fortes. O monoposto era forte e tinha uma lógica na qual o piloto brasileiro saia daqui rumo à Europa para fórmula opel, vauxhall, fórmula 3 inglesa e outras rumo a F1. Sei do enfraquecimento do automobilismo brasileiro, porém o que ocorre no exterior? Houve um aumento assombroso dos custos no exterior?

  8. pablo disse:

    Sempre se escuta a mesma conversa ao respeito e nada se faz.
    O automobilismo acaba deste jeito……por que, ja que a imprensa tem a forca que tem, nao toma as redeas do assunto para fazer presao aos governos dos estados de uma boa vez, e criar leis de incentivos fiscais especificas para este tipo de automobilismo (monopostos) , leis que funcionen,com porcentagens viaveis, para que se encaixen a maioria das empresas e nao somente as super empresas, a gente se cansa de ouvir que a economia nao para de crescer, e as empresas cada vez pagam mais impostos, qual o empresario que nao gostaria de ver o seu dinheiro aportado ao governo revertido num esporte e nao sendo roubado por politicos corruptos.
    Ta ai a minha sugestao para uma possivel solucao de futuro.

    • Felipe Paranhos disse:

      Não sei os outros do site, mas eu não concordo com lei de incentivo fiscal pra automobilismo. É um esporte muito caro, que revela pouca gente. Acho que há outros esportes que podem revelar atletas olímpicos, por exemplo.

  9. Fabrizio Petecof disse:

    Se há de fato interessados e apaixonados pelo esporte a motor dispostos a dar sua contribuição às categorias de base, porque um portal tão importante e bem acessado também não começa a dar sua contribuição divulgando e prestigiando os garotos do kart em seus campeonatos? Só aparece noticia de kart quando há desafio das estrelas, 500 milhas ou algum famoso correndo. Desculpe a sinceridade, mas enquanto Sportv e cia passam um jogo de Handebol (nada contra!) ao vivo entre Sorocaba x Pres Prudente durante 1:30hs !!! Ocorrem pegas incríveis entre garotos no kart da Granja, Aldeia e Interlagos.

    Garotos estes que só serão conhecidos na mídia se o pai puder pagá-lo durante 10, 15 anos a duras penas para chegar na F-1.

    Porque o espaço destacado na mídia geral para a morte do nosso saudoso Gustavo não continua a ser disponibilizado para o mesmo esporte?

    Enfim, são reflexões! Mas sem duvida na minha sincera opinião essa preocupação legitima em vossa publicação seria mais convincente se em seu link “Kart” tivessem realmente as notícias importantes sobre o que acontece nos principais campeonatos desse esporte no Brasil e certamente ajudaria os garotos que precisam de visibilidade desde cedo.

    Um abraço, Fabrizio

    • Felipe Paranhos disse:

      Olá, Fabrizio. Seria ótimo dar mais espaço ao kart. Assim como seria ótimo cobrir mais profundamente a F-Future, por exemplo. Só que somos poucos no Grande Prêmio, e o trabalho com as principais categorias fica sendo prioritário. Mas o objetivo é continuar crescendo para poder cobrir tudo.

  10. Fabrizio Petecof disse:

    Felipe,
    Vocês são o principal portal do esporte a motor do país, eu mesmo sou leitor assíduo há anos! Certamente a iniciativa de cobrir o kart em seus principais campeonatos bem como a F-future seria fantástico! Uma nobre atitude a contribuir para a quebra de paradigmas sobre o amadorismo desse esporte, que têm certames sérios e garotos totalmente comprometidos com seus sonhos.
    Quanto a serem poucos, discordo! Pois vocês são caras muito inteligentes e bem informados e valem por muitos.

    Abs

    • Felipe Paranhos disse:

      Obrigado, Fabrizio! Pode acreditar que a gente não para nos projetos pra sempre ampliar as coberturas.

  11. Dionisio disse:

    Quem disse tudo ai foi Sergio Jimenez . O que manda é a grana ! Para quem não sabe o Jimenez é um dos maiores talentos brasileiros e continua na luta.

  12. rafael disse:

    Uma reclamaçãozinha: Adoro o grande premio, acesso diariamente, mas notei uma coisa, quando não é fim de semana de F1 , não estão postando o calendario com os horarios para o fim de semana,eu particulermente tento assistir ao maximo de corridas no fim de semana e minha fonte de noticias é o grande premio e tambem voces mesmo dizem sempre que a f1 não é tudo e tal , mas parece que só a f1 tem tido importancia ultimante , ano passadco não era assim , mas esse ano ao que me lembro só foi assim, bom … abraço a toda equipe!

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