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29/04/2011 - 15:38

Muita força

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Felipe Paranhos

Yuki Takahashi marcou o melhor tempo desta sexta-feira de treinos livres em Portugal pela Moto2. Mas não há espaço para a alegria pura no homem mais rápido da categoria mais disputada do motociclismo. Ele perdeu seu irmão mais novo, Koki, no último domingo (24).

Koki, também piloto, já com passagens pelas categorias de acesso à MotoGP, voltava de um evento beneficente que reuniu recursos para as vítimas dos terremotos no Japão, em sua terra natal, Saitama, quando se envolveu em um acidente de trânsito e faleceu.

Cinco dias depois, lá está Yuki, que em uma semana deve ter envelhecido muito mais do que os três anos de diferença que tinha em relação a Koki, fazendo o que há de melhor em seu trabalho e superando outros 38 pilotos — todos, suponho, totalmente concentrados nos pontos a disputar no Estoril.

Eu não teria a menor condição de trabalhar se passasse pelo que ele passou.

Muito menos conseguiria fazer minha função com excelência.

De onde se tira tanta raça?

Autor: - Categoria(s): MotoGP Tags: , , , ,

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7 comentários para “Muita força”

  1. Diogo disse:

    O povo japonês já aprendeu a conviver com desgraças. Guerras, centenas de terremotos, bomba atômica… O desenvolvimento psicológico da cultura japonesa é voltado para que as pessoas retirem lições positivas das mazelas e canalizem seus esforços para continuar a viver e em crescimento. Enquanto estamos acostumados a iniciar um ciclo decrescente quando nos ocorre algo negativo, os orientais apenas iniciam um novo ciclo positivo de vida.
    De toda forma, parabéns ao Takahashi.

  2. Emerson disse:

    É triste perder uma pessoa querida, mas acho um exagero tanto drama. É um absurdo uma pessoa que deixa uma drama afetar toda sua vida.

    A vida passa pra uns e continua pra outros. Sempre foi assim, assim é e assim será. Queria que ele fizesse o quê? Ficar 5 dias chorando a morte de quem não vai voltar mais? Não faz sentido!

    Um competidor deve é usar isso pra servir de motivação pra dedicar uma vitória ao ente perdido.

  3. Marcelo disse:

    Lembrando que os irmãos Schumacher conseguiram a primeira fila no GP de IMO 2003, mesmo sabendo que a mãe não estava bem no hospital. Após o treino, Schumacão pegou seu irmão e se dirigiu ao aeroporto, para visitar a mãe no hospital na Alemanha.

    No dia da corrida,domingo de páscoa, as notícias não eram nada boas. Elizabeth Schumacher morrera naquela mesma madrugada, logo se instalou a dúvida: os irmãos Schumacher correriam? Ferrari e Williams liberaram seus pilotos daquela corrida, mas de forma surpreendente, tanto Michael como Ralf foram à Ímola naquele dia.

    “Correr é uma forma de aliviar a dor que sentimos”

    Era o que dizia uma nota a imprensa,(disputar a corrida também pode ser visto como uma homenagem a quem se foi). Michael colocou uma tarja negra no braço direito, enquanto o caçula Ralf parecia mais sentido, só saindo do seu motor-home em cima da hora e usando óculos escuros. Seu capacete teria uma faixa negra. Com Michael e Ralf alinhados na primeira fila, outra questão surgiu: como eles reagiriam durante a prova? Na largada, o profissionalismo de ambos ficou claro. Largaram forte como sempre e o piloto da Williams levou vantagem sobre o adversário vermelho. Michael, agressivo como sempre, partiu para cima de Ralf numa luta forte como nunca tiveram antes. Barrichello, em terceiro, apenas acompanhava e talvez até esperasse por um acidente, tamanha a tenacidade da briga entre os irmãos. Como esperado, Michael estava mais pesado e quando não conseguiu ultrapassar Ralf na pista, esperou o irmão parar nos boxes e andar o mais rápido possível quando teve pista livre. Uma história antiga, com um resultado conhecido. Michael emergiu dos boxes à frente de Ralf e Barrichello, mas ainda havia um perigo a primeira vitória do piloto da Ferrari. Como tinha acontecido na maioria das vezes até aquele momento, a McLaren sempre treinou com muito combustível e parava uma vez menos. Quando os pilotos de Ferrari e Williams completaram suas primeiras paradas, Raikkonen e Coulthard lideravam a corrida. Na segunda parada, Ralf ficou preso atrás de Raikkonen e isso possibilitou a ultrapassagem de Barrichello nos boxes(isso vale quando acontece com brasileiro?), enquanto Michael continuava andando forte, chegando a sair da pista na Acqua Minerale, mas sem grandes danos. Como tinha parado duas vezes, contra três da maioria, Raikkonen assumiu a segunda posição e foi perseguido no final por Rubens Barrichello, mas o brasileiro não conseguiu a ultrapassagem. Mais à frente, Michael Schumacher continuava sua marcha rumo à vitória, a PRIMEIRA do ano(lembrando que 03 não foi um ano de domínio da Ferrari, foi um ano bem disputado). Quando chegou aos boxes, Michael abraçou longamente Jean Todt e todos os pilotos o cumprimentaram. Schumacher demorou a tirar o capacete e de forma até mesmo heroíca, foi ao pódio receber o seu trófeu de vencedor. Claro que ele não sorriu, a festa foi para lá de contida, mas Michael e seu irmão mostraram que são um modelo de profissionalismo e de amor ao esporte, pois ao sair dos seus respectivos carros, foram ao enterro da mãe.

    Nessa GP Schumacher fez pole, venceu e fez a melhor volta, o alemão mais velho não era um piloto qualquer! Lembrando que muitos empregos na equipe nessa hora estão em jogo, se Schumacher não disputasse esse GP não seria campeão em 03, pois seriam 10 pontos a menos na tabela. Com a derrota da Ferrari em 03, “cabeças” rolariam, uma crise poderia acontecer. Tem muita coisa envolvioda nessa hora, contratos de patrocínio não são renovado. Prevalece o profissionalismo do piloto, o próprio Senna foi alertado por Frank Williams sobre a pressão dos patrocinadores em IMO 94, caso o piloto optasse por não correr(Schumacher ia disparar na tabela com 30 pontos e Senna estaria com zero, não ia ser fácil tirar a diferença, Schumacher pilotou muito em 94, cometendo poucos erros). E pressão é o que não faltou em cima do brasileiro no início de 94, errou em Interlagos, largou mal em AIDA, se largasse bem não se envolveria no acidente na primeira curva. Em IMO rodou nos treinos, enquanto isso, Schumacher vencia tudo, era rápido e preciso não jogando resultado fora, não ia ser fácil para o Senna superar o alemão em 94, a própria Williams admitiu isso.

  4. Igor disse:

    Eu já acho que não havia jeito melhor de honrar, sendo ele também um piloto.

  5. gian_racer disse:

    o rei davi…..apos perder o filho pediu que preparassem um banho e vestes novas…..sendo que desde que seu filho estava doente ficava com a face voltada ao pó e pedindo a deus o restabelecimento de seu filho… depois da morte,fica a dor…e nada se pode fazer….a nao ser ….viver….e seguir em frente.

  6. Aline disse:

    Cada um é cada um, e devemos respeitar a atitude de cada pessoa. Alguns seguem sua vida o mais rápido possível, isso diminui sua dor. Para outros, por mais que se tente, forçar uma retomada é inútil, este precisa “digerir a perda”- seria o meu caso. Sendo opção dele correr, admiro muito, e como disse o colega acima, dedicou sua viória ao irmão também apaixonado pela velocidade.

    Vivo a cultura japonesa por estar em meu sangue, mas me admira a força desse povo, que muitas vezes me surpreende também.

Os comentários do texto estão encerrados.

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