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Arquivo de junho, 2011

06/06/2011 - 23:38

Metalíngua

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Felipe Paranhos [@felipeparanhos]

O jornalismo me intriga. É daquelas coisas que podem emocionar e dar nojo em questão de segundos, a depender de que canal você está, que revista lê, que site visita, que colunista acompanha. É o jornalismo o instrumento que leva ao público grandes histórias, lições, denúncias. Mas é também o jornalismo que cria pequenas aberrações, como o mundo dividido entre dois lados, os que amam e os que odeiam, os que dizem PIG e os que dizem PTralhas, os que não percebem que há mil matizes entre o bem e o mal.

Dias atrás, o jornalismo apanhou de cinta. Não aconteceu nada, como sempre, com esse masoquista dos infernos. Uma marca aqui, um vergalhão ali, mas ele continuou caminhando, manquitolento, rumo ao nada. Apareceu no email uma nota de (risos) esclarecimento.

[Esclarecer | explicar, aclarar, elucidar. Ops.]

Não havia qualquer esclarecimento no texto. Só ataques, todos sem sentido. Chega a ser engraçado classificar de boato e de “besteira sem base” uma notícia consolidada, longamente apurada, confirmada por inúmeras fontes — duas delas oficiais — e pelo próprio alvo dela.

[Boato | balela, rumor, peta, mentira. Ops.]

O comunicado teve repercussão próxima do zero. Pelo que vi, a versão sem sentido foi reproduzida por alguns sites que se valem do Ctrl+C e Ctrl+V e alguns veículos que aparentemente não tinham conhecimento do caso.  Um alento. A apuração continuou. À CBA, foram pedidos, aí, sim, esclarecimentos.

Vieram. Ou nem tanto. Muitas das perguntas feitas não foram respondidas. Mas as primeiras palavras, aquelas infladas artificialmente, divorciadas da informação, tiveram sua natureza escancarada. De acordo com o segundo comunicado, a dita inocência não existe, uma vez que houve uma redução da pena — o que não invalida a punição.

Só que o segundo comunicado também deixa mil lacunas. E modifica uma informação que ela mesma havia divulgado. Era uma, agora é outra. Não que haja grandes diferenças entre elas. Mas, se X agora desmente algo que ele mesmo disse e também desmente Y, no que e em quem acreditar?

X não queria que a história aparecesse, ao contrário do que reza a ética esportiva, ao contrário do que é feito em toda entidade séria — e, pasmem, até nas não sérias. A história apareceu. X teve de confirmar. Y, o criador de toda a história, fez o mesmo, mas se recusou a dar detalhes. E, depois de uma redução de pena, não de uma declaração de inocência, tentou emplacar uma história.

X e Y poderiam ser qualquer entidade e qualquer atleta. No Brasil, país em que a maioria das confederações é rodeada por suspeitas, fica cada vez mais difícil acreditar na idoneidade delas. Mas o torcedor ainda movimenta essa grande roda financeira, porque acredita na disputa sadia, na igualdade entre todos… Acredita no esporte. O atleta, protagonista das competições esportivas, deveria saber disso. Deveria zelar por isso.

Mas prefere, por meio de seus assessores, atacar a informação apurada à exaustão, a informação bem cuidada — independente de quem a tenha publicada. Prefere isso a admitir seu erro, a conceder uma entrevista verdadeira, falar aos seus fãs, àqueles que o admiram ou admiravam. Ao fazerem isso, pisa no pescoço de quem um dia vibrou pelo atleta, sonhou com um resultado improvável, torceu pelo seu sucesso ou quis comprar seus produtos.

Além disso, ainda me espanta que o jornalismo seja atacado pelo jornalismo. Me espanta o desprezo dado por outros jornalistas a uma notícia tão importante. Me espanta ver a minha profissão achincalhada por quem aprendeu as mesmas coisas que eu. Não nasci pra isso. A saída é a academia. Não aquela. A academia do mundo acadêmico. Outra faculdade, outra profissão, outras desilusões.

Falta estômago para a podridão de hoje.

Atualização meia hora depois: mas aí eu vejo o Bem, Merdinhas, programa do chefe no Twitter, e a força pra continuar volta. Aqui, ao menos aqui, estamos livres do me-ajuda-aqui-que-eu-te-ajudo-ali, do jornalismo de amiguinhos, de interesses nefastos. Enfim. Desabafo feito.

Autor: - Categoria(s): Stock Car Tags: , , , ,
06/06/2011 - 15:45

Sem pé, nem cabeça

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Confesso que não assisti às etapas da F-Superliga televisionadas pelo Bandsports no último final de semana, já que estava no belo Velopark fazendo a cobertura da Porsche Cup. Não que eu morra de amores pela categoria, nada disso. Mas eu fiquei curioso para saber mesmo se haveria corrida em Assen depois de tanta confusão e indefinição, principalmente por conta de um grid tão diminuto e da não participação de Corinthians e Flamengo no certame.

Pois é. Nada de times brasileiros na F-Superliga. O país é representado por uma única equipe, que conta com Antonio Pizzonia no volante. E só. O grid não é dos mais cheios, apenas 14 carros, o que mostra que pouco a pouco, a Superliga vai perdendo em interesse depois dessa filosofia adotada nesse ano.

É estranho ver que não há identificação entre piloto e equipe (ou país representado), do mesmo jeito que hoje muitos jogadores de futebol não se identificam com o clube e zás. É bizarro ver Duncan Tappy acelerar com o carro do JAPÃO e Andy Soucek, com a TURQUIA. E também não é menos esquisito ver um carro da Holanda disputando a vitória com outro carro da Holanda. Quiseram adotar uma filosofia da finada A1 GP, mas essa categoria que está aí está sem pé, nem cabeça. Não é nem A1 GP, nem Superliga. Não é nada.

Não sei por que diabos mexeram em algo que, se não estava dando tão certo, tinha algo bem estruturado e tal. Mas enfim. O fato é que, mesmo com um grid vazio, as corridas foram bem disputadas, como você pode ver no vídeo acima. Pizzonia mandou bem e quase ganhou a superfinal e o prêmio de € 100 mil, grana essa que foi para Craig Dolby.

Aliás, falando em dinheiro, outra coisa também é preciso ponderar: de onde sai a ferpa que banca isso tudo, já que a Superliga não é lá um primor de audiência e de público pagante? Como diria Januário de Oliveira, sinistro, muito sinistro.

Autor: - Categoria(s): F-Superliga Tags: , , , , , ,
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