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09/08/2011 - 15:49

Geração privilegiada

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Muito antes de sequer pensar em ganhar a vida escrevendo sobre automobilismo, já acompanhava todo tipo de esporte. Do tipo que já lia jornal de esportes com cinco, seis anos, sempre gostei. E sempre escutei aquela expressão manjada dos mais velhos que diziam que no tempo deles, tudo era melhor. E talvez tenha sido mesmo, e talvez eu diga o mesmo quando ficar mais velho.

Eu não vi Pelé, Garrincha, Di Stéfano nem Cruyff jogar. Tampouco pude assistir, ainda que pela TV, uma corrida de mitos como Fangio, Clark, Stewart ou mesmo Fittipaldi. Mas ao mesmo tempo em que perdi momentos gloriosos do esporte, não posso reclamar do que ei vi e recordo e que um dia eu vou contar para meus filhos e dizer que sim, ‘que no meu tempo, que na minha época, o esporte era melhor’.

Ao longo desses 31 anos, eu ainda recordo bem os êxitos de pilotos como Piquet (o pai), Senna, Prost, Mansell e Schumacher, os mais marcantes, isso para ficar na F1. Se for enveredar pelo esporte a motor a fora, como não mencionar Wayne Rainey, Michael Doohan e Valentino Rossi como mestres das pistas? Eu também vou poder falar sobre Alessandro Zanardi, que se não chegou a ser um campeão do mundo na F1, ganhou tudo na Indy e, mais importante que tudo, deu um X na morte e está aí, inteiro, prestes a disputar a Paraolimpíada de Londres.

Confesso que até pouco tempo atrás, não tinha lá muito acesso ao rali, por exemplo. Mas claro, já tinha ouvido falar muito bem, por exemplo, de Carlos Sainz e Tommi Makinen — o popular Antero —, tetracampeão mundial (obrigado Victor e Diogo pela correção), e do clássico Subaru 555. Até que, também pelo fato de trabalhar no Grande Prêmio e acompanhar melhor o WRC, não há como não admirar um piloto como Sébastien Loeb.

Da mesma forma, eu conhecia muito pouco da Nascar. Como não tinha TV a cabo, nem tinha como assistir as corridas naqueles superovais espetaculares, mas por tudo que eu lia nas revistas especializadas, principalmente, sabia que um certo Dale Earnhardt (o pai) era o fodão. E era mesmo. Mas aí apareceu Jimmie Johnson e ganhou tudo nos últimos anos. Se já é difícil ganhar em um ano, dada a extrema competitividade da Nascar, que dirá em cinco, ainda mais de forma consecutiva!

Mas porque eu escrevo essas linhas falando de memórias no automobilismo em geral? Pois bem, o fato é que parte dessa geração que aprendi (tenho certeza que não só eu) a admirar, encabeçada por Schumacher, Loeb, Rossi. JJ, o #48, deve seguir por um bom tempo na carreira e deve também ampliar seus recordes na Nascar, já que a categoria permite que pilotos mais velhos, como Mark Martin, por exemplo, ainda consigam ser competitivos.

Mas me refiro principalmente ao trio Schumacher-Rossi-Loeb. Na última segunda-feira, Michael já deu indicações que pode em 2011 fazer, definitivamente, sua última temporada como piloto de F1, mesmo depois de passar o ano todo falando que vai cumprir o contrato com a Mercedes até 2012. Não digo que ele tem ou não de parar, acho que ele tem feito o que mais lhe dá prazer, que é correr. E ganhando um baita dinheiro por isso. Não sigo o discurso daqueles que dizem que ele se queimou ao retornar. Ao contrário: mostra que, aos 42 anos, se tivesse um carro realmente competitivo, colocaria a molecada no bolso. Que nós, fãs do bom esporte, acompanhemos cada uma das oito corridas que restam, porque podem ser sim, as últimas de Schumcher como piloto de F1.

Da mesma forma, Rossi não tem mais nada a provar para ninguém. Ganhou tudo na Motovelocidade e poderia parar quando bem entendesse. Mas quis o italiano abraçar o novo desafio, de reconduzir a Ducati às vitórias. Mas a temporada tem sido muito difícil, já que a moto não ajuda, e as equipes rivais — Honda e Yamaha —, que foram muito ajudadas nos respectivos desenvolvimentos pelo Doutor, estão em um patamar superior. Claro que Valentino tem prazer pelo que faz, mas ele tem dado a entender, em suas últimas declarações, que está de saco cheio da moto ruim. Não duvido que ele pare no próximo ano, talvez. Mesmo sabendo que ele tem ainda muita lenha para queimar.

Mas dentre os supercampeões citados, o primeiro a encerrar a carreira deve ser Loeb. Para mim, o cara é um fenômeno do esporte. Não sei se em outro esporte de alto nível um cara consegue ser campeão mundial por sete anos consecutivos. Sei que é clichê, mas Sébastien é como vinho, quanto mais velho e experiente, melhor é nas trilhas de terra e principalmente, asfalto. O francês disse que vai decidir seu futuro no WRC na próxima semana, mas fez mistério. Disse que tem três opções: seguir na Citroën, ir para a Volkswagen e encerrar a carreira no WRC. De todas as possibilidades, a última é a mais provável.

É aquilo, não vi Pelé, Di Stéfano ou Garrincha, não vi Fangio, Clark, Stewart nem Fittipaldi nas pistas. Mas não posso reclamar. Vi Loeb, Rossi e Schumacher. Minha geração é mesmo privilegiada.

Autor: - Categoria(s): F1, MotoGP, Nascar, Rali Tags: , , , , , , , , ,

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32 comentários para “Geração privilegiada”

  1. Luana Marino disse:

    Caraca, Fernandão, 31 já? Passou o Victor (merece, portanto, mais respeito que todos, rs)!

    Ah, sobre o texto, ótima FOTO! (Tu tem que ser promovido nesse site… hehe)

    Brincadeira, texto excelente, parabéns! Saudades da galera do GP :)

    • Fernando Silva disse:

      Hahaha. Vê só, Lu, mais velho que eu, só o Flavio.
      Saudades também. Você faz falta, saiba disso.
      E quanto à foto, sabia que você ia gostar. Aliás, a foto foi sugestão da Evelyn e foi muito bem aceita pelas meninas.
      Beijão, se cuida!

  2. Diogo disse:

    Pô Fernando, belo texto, mas tem uma correção: o Subaru 555 é do Colin McRae e o carro do Tommi Makinen é o Lancer EVO.

    • Fernando Silva disse:

      Obrigado pela correção e pelo elogio, Diogo. Vou ajeitar lá. Sabe como é, 31 anos, a memória já anda falha, ahaha.
      Abraço!

  3. Delmar Viana disse:

    Faltou citar o Kelly Slater!!!!!!

  4. Uma pequena correção: Quem marcou época com o Subaru com o patrocínio da empresa tabagista 555, foi o escocês Colin Mcrae.

    O Tommi Mäkinen exerceu seu domínio a bordo de um Mitsubishi Lancer, sendo tetracampeão de forma consecutiva (1996 à 1999).

    • Fernando Silva disse:

      Obrigado pela correção, Victor. Vou lá ajeitar! Abraço!

  5. “Ao contrário: mostra que, aos 42 anos, se tivesse um carro realmente competitivo, colocaria a molecada no bolso” Sei la sera’ mesmo. E pq nao colocou entao o Rosberguinho?

    • João (Portugal) disse:

      Em qualificação é mais lento que o Rosberg em corrida não é.. e se isso aos 42 anos não é um feito impressionante então eu não sei o que é… podes-me dizer que o Rosberg fez mais pontos, é verdade, mas isso está directamente relacionado com o modo como cada um dos pilotos enfrenta uma corrida.. o Schumacher tem errado, tem batido muito por culpa do seu estilo agressivo, o carro não ajuda, então ele vai no braço, força, luta e claro, erra também… já o NR é constante, não “espalha magia” não arrisca, leva o carro até ao fim, não tem chama… ainda há que salientar que o MS tem tido alguns problemas mecânicos..
      Claro que isto não significa que o MS esteja por cima do NR, não está mas… com um carro ao nível das 3 grandes, não tenham dúvidas, o MS estaria bem à frente do NR, ainda que pudesse perder nos treinos, aos 42 anos já perdeu aquele 0,5/0,7 segundos que tinha antes mas em ritmo de corrida, e em luta, é muito superior ao seu colega, que tem 26 anos….

    • Fernando Silva disse:

      Concordo em gênero, número e grau contigo, amigo luso!
      E saudações encarnadas!

    • Pedro Pina disse:

      Realmente, pra você colocar os outros adversários no bolso, você tem que comecar primeiro com o seu companheiro de equipe, pois ele pilota o mesmo carro que o seu, seja bom ou ruim. E olha que o Rosberg é um grande piloto mas ainda assim inferior a Hamilton, Vettel e Alonso.
      Schumacher já foi um grande piloto, quando era jovem e tinha uma equipe inteira e muito competente trabalhando só pra ele. A situacão atual dele e da equipe são bem diferentes.

    • vicente disse:

      nem aos gregos nem aos baianos…
      sou torcedor de carteirinha do Piquet, o melhor ! nem por isso deixo de reconhecer que o Senna era mais rápido. No entanto, Piquet tomou pau nas classificações de Schummi e precisou correr cuidadosamente atrás dos pontos para supera-lo na classificação (e conseguiu !). Isso porque sua inteligência é superior a seu impeto.
      A questão que coloco é: se Schummi, nesta idade ainda tem mais ímpeto que inteligência, isso é um sinal de menor ou maior rapidez ? E de eficiencia ?
      E a eterna dúvida: Hamilton ou Button ? Senna ou Prost ? Ou Piquet, que de acordo com o momento podia ser (quase) Prost ou (quase) Senna ? E o segredo dos Tostines …

    • Gil Queiroz disse:

      Pedro Pina e Vicente já disseram tudo sobre o Schumy, imagine se ele fosse companheiro de equipe do Alondos, do Hamilton ou do Vettel, estaria passando vergonha ainda maior. Ma, tudo bem, as viuvas do Schmumy sempre encontrarão desculpas para o vexame que está dando na F1 e que sempre foi tempos atrás, pois a galera de hoje é muitom melhor que aquela que o Schumy acostumou a mandar. Toma Schumy.

  6. Leandro disse:

    Olá Fernando,

    Somos da mesma idade e concordo plenamente com o seu texto, aliás muito bem escrito. Mas tem um porém, podemos não ter visto o Emerson na F1, mas não pode ser esquecido o que ele fez na Indy. Eu lembro muito bem das duas vitórias na Indy 500 e do título em 1989. Ele podia não estar no auge, como em 1972 ou 1974, mas estava em grande forma, tanto que derrotou pilotos como Al Jr., Mário e Michael Andretti, Rick Mears, etc. Além do excelente duelo com o Leão em 1993.

    • Fernando Silva disse:

      Bem lembrado, Leandro!
      Ah, tempos bons aqueles da Indy, da verdadeira Indy multimarca de chassi e motor.
      Você citou pilotos do primeiro time. Eu, particularmente, sempre gostei muito do estilo do Michael Andretti. Pena que ele não vingou na F1.
      Era uma turma da boa. E o Emerson sempre foi competitivo até aquelas trágicas 500 Milhas de Michigan de 1996.
      Ah, e obrigado pelo elogio e pelo comentário! Abraço.

  7. Osmar Cassão disse:

    Embora eu acredite que cada geração tem seus heróis… fugindo um pouco paras o boxe, eu vi Tyson, Hollyfield e Foreman. Mas não vi Ali, Frasier nem S.R. Leonard.

    • Fernando Silva disse:

      Nossa… quantas vezes assisti aquelas lutas do Tyson x Holyfield, lembro até de umas boas, acho que do Evander e/ou do Foreman contra o Maguila, entrou para a história.
      É aquilo, embora não seja lá fã de MMA e UFC, respeito, claro, mas eu cutia o boxe naquela época. Gostaria de ter visto aquela luta histórica, acho que do Cassius Clay contra o Foreman no Zaire. E claro, teve o Eder Jofre, mais um desses mitos dos velhos tempos.

  8. Julio Diaz disse:

    O Mamola na Motovelocidade era impagavel… gênio, e vimos Sampras, Jordan, Tiger Wods e outros mitos, o Ser Humano é formidavél, sempre se reinventando.

    • Fernando Silva disse:

      Nossa, tá vendo como a memória é falha? Você só citou craques, mitos do esporte.
      Tirando o Mamola, assisti um pouco da época de cada um. Inesquecível.

  9. Paulo Barros disse:

    Já que você falou em heptacampeões em esporte de alto nível, faltou lembrar de Lance Armstrong. Depois de derrotar um câncer, venceu sete vezes consecutivas o Tour de France, a mais difícil, tradicional e disputada prova de ciclismo do mundo. Mais um gênio prá galeria.

  10. Marciano de Brito Silva disse:

    O próprio Guga, numa entrevista recente, disse que os garndes jogadores de tênis atuais são os melhores de todos os tempos. Seu argumento? Todos os recordes estão sendo batidos com facilidade…

    Hamilton e Alonso, na F1, são demais!!!

  11. Bernard Fonseca disse:

    Parabéns pela matéria!!!
    Realmente Loel é incrível!!
    No primeiro ano de WRC já foi vice campeão.
    Nos outros foi 7 vezes campeão.
    Mais de 61% das vezes ele venceu.
    No asfalto ele não perde uma prova tem pelo menos 4 anos.
    O curioso é que tanto ele quanto Valentino Rossi(quando estava na Yamaha), tiveram um jóvem talento que viraram desafetos de ambos e grandes rivais, Ogier e Lorenzo respectivamente e as disputas são incríveis.
    Lorenzo ganhou de Rossi e ainda por cima fez ele sair da Yamaha, só que Mr. Loeb está derrotando Ogier e dando um banho no garoto, que é estilo Lorenzo.
    Por isso, Loeb deve parar, pois se no 1° de Citroen oficial Ogier já está dando um belo trabalho, vai ser muito muito difícil de bate-lo ano que vem com mais experiência e rítmo.

  12. luisfernando-rj disse:

    sou fã incondicional do nélson piquet tive o privilégio de assistir os seus tres títulos,e ainda nessa semana no sportv em entrevista ao reginaldo leme ele mostrou parte de sua coleção de carros antigos alguém por aqui assistiu?

  13. Jota disse:

    Eu vi Senna, Dooham e Tommi Mäkinen

    E ate hj quando vejo os seus respectivos veiculos brota agua nos meus olhos

  14. Ricardo disse:

    Ola Fernando,

    O unico da lista que eu não gostei de ver foi o Schumacher, as suas trapaças que quase ninguem lembra hoje foram marcantes…

  15. E nossos filhos e netos, quem eles verão? Vettel, Thomaz Bellucci e Neymar? Sem graça né?

  16. Lubacris disse:

    O Alemão não consegue dar pau nem no medíocre Rosberg com o mesmo carro… como que colocaria no bolso Alonso, Vettel e Hamilton com o mesmo carro!?!?

  17. @RoadsLife disse:

    Parei de ler no Schumacher …

  18. Luiz Fernando disse:

    Se Schumacher com um carro competitivo colocaria a molecada no bolso fico a imaginar o que faria Nico Rosberg. Falando francamente, ele foi um grande piloto, dos melhores que vi também, mas sejamos honestos: ele é mais lento do que Nico. Não devemos torcer os fatos. Rosberg é mais rápido nos treinos, erra menos e pontua mais do que Schumacher. Atualmente ele é um piloto superior. O resto é a conivência, típica do fã, que tem em mente a brilhante carreira de Michael Schumacher.

  19. Allan disse:

    Se você viu Piquet vencer, então acompanhou esportes já nos anos 80. E ali residiram monstros sagrados até superiores ao que você citou no Rally (Walter Röhrl, Juha Kankkunen, Henri Toivonen, Markku Alén, Ari Vatanen) e motovelocidade (Eddie Lawson, Fredie Spencer) que não poderiam ser esquecidos, mesmo que “por ouvir falar”…
    Mesmo nessa nova geração que você ouviu falar, o maior foi Colin McRae, que só perde mesmo pro francês.
    Ultima correção: a Ducati vencia corridas antes de Rossi. Nem vou citar o título de Stoner. Ocorre que a moto é radical, e pelo jeito só Stoner mesmo se entendia com ela. E Rossi há muito tempo deixou de colaborar com os avanços da Honda. Seria o mesmo que Hamilton agradecer a Hakkinen pelo carro que tem agora…

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