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Arquivo da Categoria Rali

20/10/2011 - 16:21

Desnecessário

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

de Sumaré

“A equipe decidiu apoiá-lo. Matematicamente tudo é possível, qualquer coisa pode acontecer e vou fazer meu melhor. Meu trabalho será ajudar [a equipe] a conquistar os títulos. Não é a posição dos sonhos para piloto algum.”

Este é Sébastien Ogier, que deu as declarações acima durante entrevista coletiva que antecede o início do Rali da Catalunha, prova que será crucial para a definição do título do WRC em 2011. O piloto da Citroën se referiu a Sébastien Loeb, seu companheiro de equipe e líder da temporada ao lado de Mikko Hirvonen, da Ford. Ambos somam 196 pontos. Seria natural que a equipe francesa beneficiasse seu principal piloto e, em teoria, aquele que tem mais chances de ser campeão mundial.

Até aí, beleza. Só que Ogier, terceiro colocado, está a apenas TRÊS pontos de Loeb e Hirvonen. A Ford também fez uso do jogo de equipe nas últimas etapas do Mundial, já que o colega de Mikko, Jari-Matti Latvala, já não tem mais chances de título e abriu passagem para o compatriota, tanto na Austrália — onde Hirvonen venceu —, como na França. A tática ajudou o finlandês a alcançar Loeb no topo da tabela. A estratégia e o jogo de equipe da montadora do óvalo azul se justificam porque há apenas um piloto com chances reais de título.

Agora, quanto à Citroën, não há razão nenhuma para tal postura. Claro, a cúpula da equipe pode avaliar que é melhor para a marca que Loeb seja octacampeão, já que o piloto é um mito do rali e também acabou de renovar contrato pelo menos até 2013, rechaçando uma proposta tentadora da Volkswagen. Talvez a Citroën dê a preferência a Loeb como forma de gratidão por permanecer na equipe até o fim de sua carreira.

É a velha questão da ética no esporte que aflora mais uma vez. Lembre-se que não faz muito tempo, no ano passado, a Ferrari efetuou jogo de equipe para favorecer Fernando Alonso, único na equipe em condições de conquistar o título, em detrimento de Felipe Massa. No entanto, McLaren e Red Bull deixaram a disputa livre entre seus pilotos, e o resultado foi o vimos nas duas últimas temporadas.

O favorecimento da Citroën em relação a Loeb em fase tão crucial do campeonato é totalmente desnecessário para ele, para a própria equipe e para o Mundial de Rali como um todo. Embora Ogier esteja em melhor forma neste fim de temporada, com duas vitórias em três provas, o heptacampeão não precisa disso nem JAMAIS precisará: é o melhor do mundo no rali e franco favorito para a vitória na Catalunha e em Gales, última etapa do Mundial.

Só há uma grande razão que justificaria tal postura da Citroën: a confirmação dos boatos que dão conta da ida de Ogier para a Ford em 2012, em uma eventual troca com Mikko Hirvonen, que segundo o noticiário aponta, pode ser o novo colega de Loeb na próxima temporada. Seja lá como for, tal postura é ruim para a marca, é ruim para Loeb, Ogier e principalmente para o esporte.

Autor: - Categoria(s): Rali, WRC Tags: , , , , , , ,
30/09/2011 - 15:28

Campeão fora de combate?

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Ainda não é oficial, mas tudo indica que Nasser Al-Attiyah não defenderá o título do Rali Dacar em 2012. A informação partiu do Twitter do piloto argentino Orlando Terranova, que em 2011 correu ao lado do luso Filipe Palmeiro com um BMW da equipe X-Raid. O príncipe do Catar estava cotado para guiar um Mini Countryman do time alemão no próximo mês de janeiro, mas é provável que algo tenha desandado nesse projeto.

Orly terá como navegador Lucas Cruz, que foi copiloto de Carlos Sainz nas últimas edições da prova, sempre representando a Volkswagen. Já que o time de Wolfsburgo tem centrado todas suas forças no WRC para a estreia oficial em 2013, o Dacar ficou sem sua equipe mais forte e tricampeã para uma nova fase da prova na América do Sul. Em 2012, o rali voltará às origens e será linear, com largada em Mar del Plata e chegada em Lima, capital peruana.

Curioso é que Nasser, praticamente garantido como um dos pilotos do projeto Volkswagen no WRC, abriu mão do Mundial para defender o título do Dacar, graças a um pedido de seu principal patrocinador, a investidora qatari Barwa.

Mas recentemente, Nasser também anunciou que buscava ser terceiro piloto do time de fábrica da Citroën, mais ou menos no mesmo esquema que faz Khalid Al-Qassimi, que corre esporadicamente pelo time oficial da Ford. O príncipe também anunciou um projeto para desenvolver os jovens pilotos de seu país no off-road.

Levando em conta a proximidade do fim do Dacar para o início Rali de Monte Carlo de 2012, apenas dois dias, é provável que, caso Orly Terranova esteja certo, Al-Attiyah tenha de fato priorizado o WRC, já que o Dacar segue cada vez mais caro. Vale lembrar, também, que a próxima edição da maior prova cross-country do mundo não terá outro campeão: Vladimir Chagin, o Czar do Dacar, anunciou sua aposentadoria depois de faturar seis títulos dos caminhões pela montadora Kamaz.

Abaixo, confira de novo o duelo épico entre Nasser e Sainz em janeiro. Sensacional.

Autor: - Categoria(s): Rali, Sem categoria, WRC Tags: , , , , ,
09/08/2011 - 15:49

Geração privilegiada

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Muito antes de sequer pensar em ganhar a vida escrevendo sobre automobilismo, já acompanhava todo tipo de esporte. Do tipo que já lia jornal de esportes com cinco, seis anos, sempre gostei. E sempre escutei aquela expressão manjada dos mais velhos que diziam que no tempo deles, tudo era melhor. E talvez tenha sido mesmo, e talvez eu diga o mesmo quando ficar mais velho.

Eu não vi Pelé, Garrincha, Di Stéfano nem Cruyff jogar. Tampouco pude assistir, ainda que pela TV, uma corrida de mitos como Fangio, Clark, Stewart ou mesmo Fittipaldi. Mas ao mesmo tempo em que perdi momentos gloriosos do esporte, não posso reclamar do que ei vi e recordo e que um dia eu vou contar para meus filhos e dizer que sim, ‘que no meu tempo, que na minha época, o esporte era melhor’.

Ao longo desses 31 anos, eu ainda recordo bem os êxitos de pilotos como Piquet (o pai), Senna, Prost, Mansell e Schumacher, os mais marcantes, isso para ficar na F1. Se for enveredar pelo esporte a motor a fora, como não mencionar Wayne Rainey, Michael Doohan e Valentino Rossi como mestres das pistas? Eu também vou poder falar sobre Alessandro Zanardi, que se não chegou a ser um campeão do mundo na F1, ganhou tudo na Indy e, mais importante que tudo, deu um X na morte e está aí, inteiro, prestes a disputar a Paraolimpíada de Londres.

Confesso que até pouco tempo atrás, não tinha lá muito acesso ao rali, por exemplo. Mas claro, já tinha ouvido falar muito bem, por exemplo, de Carlos Sainz e Tommi Makinen — o popular Antero —, tetracampeão mundial (obrigado Victor e Diogo pela correção), e do clássico Subaru 555. Até que, também pelo fato de trabalhar no Grande Prêmio e acompanhar melhor o WRC, não há como não admirar um piloto como Sébastien Loeb.

Da mesma forma, eu conhecia muito pouco da Nascar. Como não tinha TV a cabo, nem tinha como assistir as corridas naqueles superovais espetaculares, mas por tudo que eu lia nas revistas especializadas, principalmente, sabia que um certo Dale Earnhardt (o pai) era o fodão. E era mesmo. Mas aí apareceu Jimmie Johnson e ganhou tudo nos últimos anos. Se já é difícil ganhar em um ano, dada a extrema competitividade da Nascar, que dirá em cinco, ainda mais de forma consecutiva!

Mas porque eu escrevo essas linhas falando de memórias no automobilismo em geral? Pois bem, o fato é que parte dessa geração que aprendi (tenho certeza que não só eu) a admirar, encabeçada por Schumacher, Loeb, Rossi. JJ, o #48, deve seguir por um bom tempo na carreira e deve também ampliar seus recordes na Nascar, já que a categoria permite que pilotos mais velhos, como Mark Martin, por exemplo, ainda consigam ser competitivos.

Mas me refiro principalmente ao trio Schumacher-Rossi-Loeb. Na última segunda-feira, Michael já deu indicações que pode em 2011 fazer, definitivamente, sua última temporada como piloto de F1, mesmo depois de passar o ano todo falando que vai cumprir o contrato com a Mercedes até 2012. Não digo que ele tem ou não de parar, acho que ele tem feito o que mais lhe dá prazer, que é correr. E ganhando um baita dinheiro por isso. Não sigo o discurso daqueles que dizem que ele se queimou ao retornar. Ao contrário: mostra que, aos 42 anos, se tivesse um carro realmente competitivo, colocaria a molecada no bolso. Que nós, fãs do bom esporte, acompanhemos cada uma das oito corridas que restam, porque podem ser sim, as últimas de Schumcher como piloto de F1.

Da mesma forma, Rossi não tem mais nada a provar para ninguém. Ganhou tudo na Motovelocidade e poderia parar quando bem entendesse. Mas quis o italiano abraçar o novo desafio, de reconduzir a Ducati às vitórias. Mas a temporada tem sido muito difícil, já que a moto não ajuda, e as equipes rivais — Honda e Yamaha —, que foram muito ajudadas nos respectivos desenvolvimentos pelo Doutor, estão em um patamar superior. Claro que Valentino tem prazer pelo que faz, mas ele tem dado a entender, em suas últimas declarações, que está de saco cheio da moto ruim. Não duvido que ele pare no próximo ano, talvez. Mesmo sabendo que ele tem ainda muita lenha para queimar.

Mas dentre os supercampeões citados, o primeiro a encerrar a carreira deve ser Loeb. Para mim, o cara é um fenômeno do esporte. Não sei se em outro esporte de alto nível um cara consegue ser campeão mundial por sete anos consecutivos. Sei que é clichê, mas Sébastien é como vinho, quanto mais velho e experiente, melhor é nas trilhas de terra e principalmente, asfalto. O francês disse que vai decidir seu futuro no WRC na próxima semana, mas fez mistério. Disse que tem três opções: seguir na Citroën, ir para a Volkswagen e encerrar a carreira no WRC. De todas as possibilidades, a última é a mais provável.

É aquilo, não vi Pelé, Di Stéfano ou Garrincha, não vi Fangio, Clark, Stewart nem Fittipaldi nas pistas. Mas não posso reclamar. Vi Loeb, Rossi e Schumacher. Minha geração é mesmo privilegiada.

Autor: - Categoria(s): F1, MotoGP, Nascar, Rali Tags: , , , , , , , , ,
30/06/2011 - 10:31

Rali dos Sertões em ritmo de samba

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Maior competição off-road do Brasil e uma das mais importantes do mundo, o Rali dos Sertões será tema de samba-enredo da X9 Paulistana em 2012. Com o enredo chamado “Trazendo para os braços do povo o coração do Brasil… A X9 Paulistana desbrava os sertões dessa gente varonil”, a tradicional escola de samba da capital vai contar um pouco da história do Sertões, que dos dias 9 a 19 de agosto, cruzará pela 19ª vez esse imenso Brasil.

Rodrigo Cadete e Flávio Campello, carnavalescos da X9, acompanharão os dez dias da prova em agosto, de Goiânia a Fortaleza, para conhecer a dimensão de uma competição como é o Sertões. Aliás, o Sertões é muito mais que um grande rali. Além da prova em si, há uma série de medidas em prol do meio ambiente nas cidades que compõem o trajeto e, principalmente, as ações sociais lideradas pelo Instituto Brasil Solidário. Certamente, os carnavalescos terão muita história para contar na avenida.

A homenagem é mais do que merecida, por tudo o que o Rali dos Sertões representa para o esporte brasileiro. Sinceramente, eu não me lembro de outra figura do automobilismo ter sido homenageada no carnaval, pelo menos no Rio e São Paulo. Acho que só Ayrton Senna, mas não me recordo. Mas isso me fez pensar em alguns sambas-enredo ligados ao automobilismo que poderiam ser interessantes para as escolas de samba: Senna, Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Rubens Barrichello, Brasil na Indy… e se fosse a CBA? Seria o ‘samba do crioulo doido’?

Com a palavra, o amigo leitor.

Autor: - Categoria(s): Rali Tags: , , , , , , , ,
30/06/2011 - 01:53

Pilota pouco

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Felipe Paranhos

Hoje eu ouvi a propaganda do GP do Brasil mandando comprar ingressos e tal. Lá pelo meio da narração, o cara fala: “Venha ver os melhores pilotos do mundo em Interlagos!”

É claro que a F1 não é a junção de todos os melhores pilotos do mundo, embora lá estejam vários deles. Mas essa frase fica ainda mais absurda quando se vê um vídeo como esse, do Rali da Grécia do WRC.

Não pilota nada, esse Hirvonen.

Autor: - Categoria(s): Rali Tags: , , , , , , ,
18/04/2011 - 15:17

Rapidinhas do rali

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

SUMARÉ — Nem só de WRC viveu o rali neste fim de semana. Ao contrário. Rolou muita coisa boa aqui no Brasil e na América Latina. A começar pelo RN 1500. A prova que, como o nome diz, é disputada no Rio Grande do Norte, é uma das mais importantes do cross-country brasileiro. O trecho de 916, 69 km — 476,25 destes, cronometrados — foi um misto de dunas e sertão em paisagens belíssimas com percursos bem difíceis, desafiando ainda mais os competidores nas motos, carros e quadris, grande parte deles, com participação no Rali dos Sertões.

Após quatro dias de competições, Marlon Koerich, que disputou a prova em parceria com a irmã, Joseane, faturou o título com um protótipo da Sherpa. Marlon fez belo papel no Dacar em janeiro, quando na condição de estreante, chegou numa boa 14ª colocação ao lado do experiente navegador Bina Cavassin. Marcos Moraes e Edu Sachs completaram o RN em segundo lugar, consolidando a dobradinha da MEM, time de Marcos, que também é diretor da Dunas Race, organizadora do Sertões.

Nas motos, Denísio do Nascimento conquistou o título após 6h50min15s de prova. O piloto superou em quase 6s o tempo de Tiago Fantozzi, vice-campeão. Dario Júlio completou o top-3 nas duas rodas. Já entre os quadris, a vitória coube a Francinei de Souza, que foi destaque no Sertões com o vice-campeonato, perdendo a disputa em 2010 para Rafal Sonik. O cearense conquistou o RN 1500 superando Marcio Oliveira.

Abaixo vai um vídeo bem legal de um pouco do que rolou neste fim de semana no RN.

Outra prova de destaque no fim de semana aconteceu em Encarnación, no Paraguai, na primeira etapa do Sul Americano de rali de velocidade, o Rali Trans Itapúa. Lá estava Paulo Nobre, o Palmeirinha, que disputou sua primeira prova após perder a eleição para presidente do Palmeiras. Ao lado do eterno parceiro Edu Paula, o piloto alviverde vinha em bom ritmo e fechou o sábado em terceiro na classe 3, quinto na classificação geral, onde os trechos de lama predominaram, por conta da chuva que desabou no local. Mas no último dia, ontem (17), já com as trilhas mais secas, todo mundo imprimiu um ritmo mais forte, e na tentativa de alcançar os rivais, Palmeirinha perdeu o controle de seu Mitsubishi Lancer Evo e quase capotou. Mas o bom resultado já tinha caído por terra.

Nobre não perdeu o bom humor e a chance de alfinetar a torcida do time rival. “Esse tipo de coisa faz parte do esporte, mas é triste ver um super resultado escapar desse jeito pelas mãos! Naquele décimo de segundo que vi a curva cheia de barro, senti que daria uma ‘corinthianada’”.

Além de Palmeirinha e Paula, mais sete duplas representaram o Brasil no Paraguai. São elas: Maicon Soares e Cleiton Casarotto; Luís Tedesco e Roger Valandro; Fernando Mello e Fernando Toschi; Cristiano Borges e Marcelo Fillipon; Alexandre Figueiredo e Andrey Karpinski; Milton e André Pagliosa, além de José Barros Neto e Emília Abadia. Sidney Broering também participou da prova, sendo navegador do paraguaio Dick Ferreira. Desses, Tedesco conquistou o melhor resultado, vencendo com um Palio a Classe 9. Na classificação geral, a vitória foi do paraguaio Thiago Weiler, com um Mitsubishi Lancer Evo.

A título de curiosidade, é interessante ver carros como Honda Civic e Toyota Corolla disputando um rali. Vários deles estavam inscritos para a prova no Paraguai.

A próxima etapa do Sul Americano de Rali de Velocidade acontece entre os dias 5 e 8 de maio em Erechim, considerada a capital brasileira do rali.

Autor: - Categoria(s): Rali Tags: , , , , , , , , , ,
14/04/2011 - 14:26

Aí, sim

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

SUMARÉ — Confesso que fiquei bastante satisfeito ao ver hoje no Facebook uma foto do carro do Daniel Oliveira em Amã, na Jordânia, com adesivos de patrocinadores brasileiros. Levando em conta que hoje em dia os pilotos tupiniquins encontram dificuldades até mesmo para completar orçamento visando a disputa do Mundial de F1 — como Lucas Di Grassi —, o feito de Oliveira, único nacional a disputar o Mundial de Rali em 2011, é algo notável.

Pelo menos no Rali da Jordânia, o piloto baiano será patrocinado pela Embraer, pela Keta, empresa do setor financeiro e também de seguros, além do próprio Governo da Bahia. É preciso destacar que o WRC, apesar de ser considerado uma categoria top, jamais teve no Brasil o mesmo status que tem na Argentina, por exemplo.

E se a maior divisão do rali de velocidade do planeta não é atraente aos olhos do torcedor, esta é ainda menos visível para empresários que desejam ver suas marcas divulgadas em nível mundial. Mas é bom ver que, bem aos poucos, alguns investidores dão atenção ao rali. Aí, sim.

Infelizmente, o rali não tem a visibilidade que merece por aqui. Já venho batendo nessa tecla há tempos. O Dacar foi um exemplo claro disso. Apenas uma emissora de TV, a SporTV — é preciso reconhecer —, deu certo destaque à prova em janeiro, ainda assim, exibindo boletins no fim da noite. As outras, nem isso. E claro, baixa exposição, menor quantidade de patrocínios. O que explica a queda brusca de brasileiros inscritos na competição.

Mas aos trancos e barrancos, o esporte vai sobrevivendo aqui por essas bandas, graças a alguns mecenas, empresários apaixonados pelo rali que investem dinheiro para organizar e promover competições por todo o Brasil como o Rali dos Sertões e a Mitsubishi Cup, por exemplo. E mesmo com pouco apoio, tanto o rali de velocidade, quanto o cross-country nacional revela gente do porte de Oliveira, Guilherme Spinelli (isso para ficar só entre os pilotos de carros).

A situação de Daniel é um pouco diferente. O piloto conta com maciço apoio da Prodrive, empresa preparadora de carros de propriedade de David Richards, que criou a Brazil (assim mesmo, com Z) World Rally Team justamente para desenvolver o novo Mini, visando não apenas a atual temporada, como 2012, ano em que a montadora vai disputar todas as provas do campeonato. O time conta com estrutura de primeira e já fala em vitórias no ano que vem. Mesmo assim, um patrocínio sempre cai bem.

A equipe que conta com Daniel e o navegador luso Carlos Magalhães no comando do Mini John Cooper Works, por enquanto, da categoria S2000, cuja estreia aconteceu em Portugal no fim de março. A ‘promoção’ de Oliveira à divisão principal do WRC deverá acontecer no Rali da Itália, daqui a duas semanas.

Autor: - Categoria(s): Rali Tags: , , , , , , , , ,
02/04/2011 - 17:55

Vai bem

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Felipe Paranhos

Kevin Abbring (HOL), Paul-Loup Chatin (FRA), Albert Costa (ESP), Alon Day (ISR), Phillip Eng (AUS), Robin Frijns (HOL), Timmy Hansen (SUE), Egon Kaur (EST), Andreas Mikkelsen (NOR), Alexander Rossi (EUA), Richie Stanaway (NZL) e Stoffel Vandoorne (BEL). Prazer.

Savannah Megan Courtenay (ESP), Melissa Calvi (LUX), June Mali Jahnsdatter Blad (NOR),
Lucile Cypriano (FRA), Lubov Andreyeva (CAZ), Hannah Pym (GBR), Kim Oomen (HOL), Bianca Cristina Anton (ROM), Caitlin Wood (AUS), Idil Gökmen (TUR). Prazer.

Vocês estão devidamente apresentados.

Os primeiros, alguns devem imaginar, são os pilotos da Academia de Jovens da FIA, lançada no início de fevereiro. As garotas, por sua vez, foram as escolhidas no último dia 31 para a Academia de Kartistas da entidade.

Perceberam alguma coisa nesses 22 nomes? Nenhum é da América do Sul. São três holandeses, dois rapazes e uma menina, dois franceses, espanhóis e australianos — nestes casos um garoto e uma garota —, pilotos de Israel, Suécia, Estônia, Estados Unidos, Nova Zelândia e Bélgica, e pilotas de Luxemburgo, Cazaquistão, Inglaterra, Romênia e Turquia.

Nenhum brasileiro, argentino, até mesmo da Colômbia ou da Venezuela, países em alta no automobilismo mundial. Nas duas hipóteses possíveis, as nacionalidades incluídas na relação exemplificam uma condição sintomática.

Situação 1 | A América do Sul não produz tantos jovens pilotos quanto antigamente, seja para o rali, para monopostos ou ainda no kartismo. Sendo assim, países que estão em crescimento, caso da Noruega, são agraciados com oportunidades que poderiam ser dos latinos. Não acredito nisso, continuam saindo grandes talentos do Brasil, por exemplo.

Situação 2 | A Codasur — Confederação Esportiva Automobilística Sul-Americana — e suas afiliadas, incluindo a lamentável CBA, têm peso nulo na hora de influenciar este tipo de escolha. Representação zero lá fora. Não à toa, dos 24 conselheiros da FIA, três são da América do Sul — o dominicano Henry Krausz, o paraguaio Hugo Mersan e o italiano Vincenzo Spano, que, apesar de sua nacionalidade, cresceu e é dirigente pela Venezuela. Os três países são minúsculos em termos de força no esporte. É nessa situação que eu acredito.

Autor: - Categoria(s): F1, Kart, Rali Tags: , , , ,
10/01/2011 - 12:05

Presente inesperado

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva1]

SUMARÉ — Nasser Al-Attiyah é um dos principais pilotos de carros do Rali Dacar em 2011. Vice-campeão da prova no ano passado, o príncipe-herdeiro do Catar obteve bons resultados em outras provas, como por exemplo, no Rali dos Sertões de 2009, quando também terminou em segundo, andando sempre próximo do ritmo do campeão Carlos Sainz.

Apesar de Nasser ser membro da família real de um dos países mais ricos do mundo, o piloto é considerado uma das pessoas mais simpáticas e acessíveis do meio ‘ralizístico’, conforme apurei em conversas com o pessoal que cobriu o Sertões em 2009. Sua postura agressiva dentro das pistas e extremamente generosa fora delas lhe rendeu muitos fãs. E um deles quis render uma homenagem a Al-Attiyah.

O jovem Orlando esteve presente no acampamento de Iquique, onde os pilotos concediam entrevistas aos veículos de todo o mundo. Munido de uma enorme bandeira do Catar, o chileno furou o bloqueio da segurança e seguiu aos boxes da Volkswagen para pegar uma foto e um autógrafo do príncipe.

“Nasser é o príncipe do rali. Queria lhe render uma homenagem. Também o faço pelo meu pai, que também é um grande admirador seu”, disse Orlando. O gesto emocionou Al-Attiyah, que após pedir o telefone do garoto para contato, convidou este e também seu pai, para conhecer seu palácio em Doha, capital do Catar. O chileno não conteve a emoção. “É um sonho que virou realidade. Não acredito. A única coisa que queria era uma foto. Apenas uma foto com ele”.

A generosidade de Nasser não é novidade. No mesmo Sertões de 2009, o carro de uma das melhores duplas femininas do Brasil, formado por Helena Deyama e Joseane Koerich — irmã de Marlon Koerich, que disputa o Dacar deste ano ao lado de Emerson Cavassin — pegou fogo em pleno sertão, sendo completamente destruído pelas chamas. Obviamente arrasadas com a má sorte e tendo o prosseguimento da carreira em xeque, as meninas também receberam um presente inesperado: um cheque de US$ 20 mil assinado por Nasser para comprar um novo carro. Como retribuição pelo gesto do piloto, a dupla o homenageou na edição de 2010, batizando o novo carro de Príncipe.

Autor: - Categoria(s): Rali Tags: , , , , , ,
08/01/2011 - 13:59

El caballero

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

CAMPINAS — Conheci Marc Coma durante a cobertura do Rali dos Sertões em 2010, prova em que o catalão faturou a vitória pela primeira vez. Além de ser reconhecido como um dos melhores pilotos de moto no off-road em todos os tempos, tendo como principais títulos o bicampeonato do Dacar e o tetracampeonato mundial de rali cross-country, o espanhol sempre foi muito humilde e bastante solícito com todos aqui no Brasil.

Pois bem. Durante a quinta especial do Dacar entre as cidades chilenas de Calama e Iquique, Coma deu mais uma prova de que além de ser competentíssimo no que faz — tanto que após seis estágios, lidera a edição de 2011 — é dono de grande espírito esportivo.

Marc sofrera uma queda no km 80 do trajeto, e o acidente danificou o radiador da moto KTM de número 1. A essa altura, a diferença para o rival Cyril Despres havia caído de dez para pouco mais de dois minutos. Mais à frente, Olivier Pain, que liderava a especial, bateu forte com sua Yamaha e caiu inconsciente, fraturando o pulso.

Coma, que passava pelo local, parou e prontamente ajudou o colega de profissão, deixando a competição em segundo plano. O espanhol acionou o alarme de emergência e improvisou uma sinalização com o capacete do francês. O bicampeão esperou a chegada de Paulo Gonçalves e Joan Pedrero Garcia, companheiros de Pain. Ambos acionaram a equipe de apoio da Yamaha, e assim, Marc seguiu rumo a Iquique, já com a liderança perdida para Despres.

Após chegar no destino final da quinta especial, Coma criticou os competidores que não socorreram Olivier. Como o francês era o líder da etapa, vários pilotos passaram por ele, que só foi socorrido pelo catalão e Gonçalves. O diário ‘El País’ reproduziu um diálogo em que Marc repreendeu a atitude de Frans Verhoeven, belga da BMW.

— Frans, por que não parou?
— Como?
— Só teria de parar e perguntar: “Você tem algum problema?”, “Você está bem?”, “Precisa de ajuda?”
— Não o vi, sinto muito.

Postura bem diferente do espanhol teve Despres, que já em Iquique, declarou: “Eu vi que Marc Coma estava fazendo reparos [em sua moto]. Eu nunca me alegro com os problemas das outras pessoas. O que é importante para mim é a corrida que disputo”.

Pedrero exaltou a atitude de Marc e também criticou os oponentes que não socorreram Pain. “Isso diz muito sobre o tipo de pessoa que é Marc. Ele não foi o primeiro a encontrar [Pain]. Houve alguns pilotos que não pararam”, lembrou o piloto da Yamaha, ao deixar claro que qualquer competidor está sujeito a viver uma situação como a de Olivier. “O companheirismo é importante. Isso pode acontecer com qualquer um”.

Apesar da organização da prova não obrigar o participante do Dacar a socorrer um colega de equipe, a postura de Coma retrata um código de ética, um acordo de cavalheiros, que alguns outros insistem em ignorar, colocando a vitória acima de tudo. Como prêmio, tanto ele quanto Gonçalves receberam um prêmio de bonificação da ASO — embora nada esteja previsto no regulamento — e recuperaram o tempo no atendimento a Olivier.

É por isso que Marc Coma é diferenciado. É por isso que Marc Coma é Marc Coma.

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