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09/09/2010 - 14:23

Falta de respeito à vida. Respeito ao show.

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Felipe Paranhos

A declaração foi feita no dia 6, segunda-feira, mas eu só vi hoje. Alex Debón, piloto da Moto2, criticou o que achou “falta de respeito por parte da organização” da MotoGP, que iniciou a corrida da categoria principal mesmo sabendo do estado gravíssimo de Shoya Tomizawa, também da Moto2, que foi dado como morto 20 minutos depois da largada da prova vencida por Dani Pedrosa.

Segundo Debón, era preciso “suspender a corrida da MotoGP, porque já se sabia desde o primeiro momento qual era o estado em que se encontrava o piloto”. “Sempre colocam o espetáculo e outros interesses à frente da vida de uma pessoa”, bradou.

Alex tem 34 anos, não é nenhum garoto. Corre nas 250cc — e agora, na sua equivalente, a Moto2 — desde 1998. Portanto, conhece muito bem os bastidores do esporte.

A resposta ao questionamento de Debón é complexa. Podem argumentar que a parte business do automoto é grande demais, envolve patrocinadores, TVs etc. E, assim, seria difícil impedir o início da corrida, mesmo que o estado do piloto fosse grave.

Mas tem um detalhe nessa história toda. Eu acompanhava a corrida, como alguns de vocês. Minha reação foi de putaquipariu imediato. Vendo a imagem, não havia dúvidas de que a situação era crítica. E que a possibilidade de morte era grande.

Adicionando à condição médica do piloto o despreparo da brigada de resgate, surge algo a se discutir. Não existe uma categoria esportiva de ponta ter um grupo de resgate que derruba (sim, derruba) a maca que carrega um piloto depois de um acidente gravíssimo.

A corrida da MotoGP deveria ter sido suspensa? Eu suspenderia. Vida é vida.

Autor: - Categoria(s): MotoGP Tags: , , , , , , ,
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