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21/06/2011 - 13:59

O automobilismo brasileiro. Por um romeno

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FELIPE PARANHOS [no Twitter: @felipeparanhos]

Falo por mim: a Revista Warm Up proporciona a oportunidade de fazer as matérias mais legais da minha carreira — putz, cinco anos já. Passando rápido. Nesta próxima edição, que deve sair no fim desta ou no início da próxima semana, assino uma matéria sobre a F2.

Para ela, entrevistei alguns pilotos da categoria. Um deles, Mihai Marinescu, é o principal representante da atual situação da categoria, que atrai pilotos de países sem tradição no automobilismo e que escolhem a F2 pelo custo-benefício, uma vez que, em países sem expressão no esporte a motor, costuma ser ainda mais difícil conseguir patrocínio para passos maiores.

A conversa chegou ao tema automobilismo brasileiro. Falei da situação do esporte por aqui, da diminuição no número de revelações por conta do sucateamento e da transformação em piada de algumas categorias brasileiras, com a participação decisiva da CBA.

Perguntei a Mihai, então, se ele acredita ser possível uma mudança de patamar, com a queda de países como o Brasil e o crescimento de praças como Venezuela, Rússia e semelhantes. O piloto de 22 anos vê a situação brasileira do ponto de vista de quem é o único expoente da Romênia. Em comparação com o que vive, o automobilismo daqui é pujante.

“Não acho que o Brasil esteja perdendo espaço. O Brasil tem dois pilotos titulares e dois reservas na F1, além de um na GP2. E o futuro do automobilismo brasileiro é brilhante, você tem Cesar Ramos na World Series como campeão da F3 Italiana, Felipe Nasr vencendo na F3 Inglesa… E você tem muitos outros pilotos fortes correndo na Europa ou na América do Norte. O Brasil tem seu lugar no esporte a motor mundial, ninguém vai tomar dele este lugar”, disse.

A opinião de Mihai é a de que outros países vão acrescentar ao panorama do automobilismo internacional, sem prejuízo para países hoje fortes, como o Brasil. “Virão outros pilotos se juntar ao Brasil no topo do esporte a motor mundial. O Leste Europeu vai produzir futuros campeões, tenha certeza. Kubica é só o topo do iceberg. Há muitos outros pilotos jovens batendo na porta. Talvez a Romênia possa ter um futuro campeão, mas a minha opinião pessoal é a de que levará algum tempo para acontecer.”

A minha opinião é a de que Mihai tem e não tem razão. O espaço é um só, o número de vagas nas principais categorias do esporte no mundo é limitado. Se pilotos de países pouco tradicionais estão pegando cada vez mais vagas, outros países vão perder as suas.

Mas talvez seja importante notar uma coisa: por mais que nos anos 1990 e no início dos 2000 o número de brasileiros na Europa e nos Estados Unidos fosse bem maior, talvez esta geração ainda não seja a mais prejudicada. Quando Nasr, Razia, Foresti, Ramos, Pipo, todos esses começaram, o Brasil tinha na F1 uma jovem revelação, Massa, e um veterano que numa equipe top, Barrichello. Além disso, cultivava uma promessa muitíssimo bem apoiada nas categorias de base, que era Nelsinho Piquet. Novinhos, viram o título da Champ Car de Gil de Ferran em 2000 e 2001 e o de Cristiano da Matta em 2002, o da Indy de Tony Kanaan em 2004…

E hoje?

Autor: - Categoria(s): F1, F2 Tags: , , , , ,
28/01/2011 - 15:17

O fim futuro

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Felipe Paranhos

Antes mesmo de ser doado oficialmente à Confederação Brasileira de Judô para a construção do Centro Internacional de Treinamento, o Kartódromo Ayrton Senna, em Lauro de Freitas, já vinha sendo sucateado pelos eventos musicais realizados no local. O último deles, o Reggae Power Festival, com 11 bandas do ritmo, aconteceu no dia 7 de dezembro e deixou marcas profundas no local. Antes disso, no mês anterior, houve o Desafio Internacional de Supermoto.

De acordo com o site “Allkart.net”, os dois eventos deixaram uma conta de energia no valor de R$ 4 mil, além de custos de reconstrução estimados em R$ 10 mil, tudo pago pela Associação Baiana de Kart (ABK).

O pessoal do Allkart (boa, Nei) nos cedeu essas fotos aqui, via ABK. Comento mais abaixo.

Não conheço profundamente a presidenta da Federação de Automobilismo da Bahia, Selma Morais. Somente de entrevistas e tal. O que eu sei é que, ao menos em atitudes públicas, ela dá um duro grande pra fazer o esporte a motor ser respeitado por essas plagas. Quando ela diz que “já é hora de a Bahia ter um autódromo”, está dizendo a verdade.

Pelo que pareceu nos dois anos de Stock aqui — o segundo menos, por uma divulgação mais fraca, ano de eleição e tal — e em corridas outras, como na F-Renault em 2005, há muito público pro automobilismo, gente que paga pra ver. Ótimo que construam um centro de excelência de judô, até por ser algo top, para formar atletas top, mas a terceira maior cidade do país ficar sem kartódromo, sendo que já não tem autódromo, é duro.

Só que vergonha não é simplesmente não ter automobilismo forte na terceira maior cidade do país. É não ter vôlei (joguei voleibol de base, vi de perto que lixo é o vôlei daqui, apesar dos esforços de técnicos e potenciais jogadores), basquete… Enfim. A Bahia é como um monte de lugares no Brasil: vive de duas ou três revelações esporádicas (Luiz Razia, Tony Kanaan), que nascem exclusivamente do suor de suas famílias e/ou da migração rápida para outros lugares.

Essa semana eu tava conversando com o pessoal da redação e falando sobre como existe o risco de, nos próximos anos, não haver brasileiro nenhum na F1, não por conta da falta de talento do pessoal daqui — existe uma infinidade de pilotos que poderiam facilmente chegar lá —, mas porque não vai ter onde revelar, onde começar a correr… Não duvido que os mais ricos saiam daqui cedo pra correr por outra bandeira, como, por exemplo, faz — muito bem — o tenista Christian Lindell.

Parece uma análise (rasa, porque isso merece uma discussão bem maior) catastrofista, mas começo a acreditar que as sucessivas gestões pífias do automobilismo brasileiro vão, sim, destruir o esporte. Veja com um olhar frio: o Brasil só recentemente virou um país médio, o chamado ’em desenvolvimento’ ou um desses nomes que criam e mudam a cada década. Em suma, um país muito pobre por muito tempo, e ainda cheio de miseráveis, apesar dos avanços.

O que explica um país deste ser potência no automobilismo? Entre outros motivos, a tradição. O fato de que, quando fazer esporte-motor era possível com disposição e conhecimento técnico, surgiram Lettrys, Balders, Pereira Buenos, Landis, Fittipaldis, Dias Ribeiros, gente assim. Criou-se uma cultura do esporte. Neste automobilismo de hoje, no qual sem muito dinheiro você não chega a lugar algum, no dia em que o Brasil parar de dar condição a alguns poucos, nunca mais vai se reerguer.

Desculpaí o desabafo.

Autor: - Categoria(s): F1, Geral, Kart, Stock Car Tags: , , , , ,
29/09/2010 - 11:15

O retrato de um país

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SÃO PAULO | Pode-se dizer que Gabriel Dias é um retrato do automobilismo no Brasil. Teve uma forte passagem pelo kart, dentro e fora do país, diga-se. Foi campeão em quase tudo que disputou. Porém, o passo seguinte não se deu em terras tupiniquins. Dias optou por tentar a vida no exterior. O que, também temos de ressaltar, parece o caminho mais realista para a maioria dos jovens pilotos.

Em entrevista ao Grande Prêmio, o curitibano de 20 anos, que fez sua temporada de estreia na divisão principal da F3 Inglesa em 2010, admitiu as dificuldades de se começar a correr no país. E, inclusive, recomendou aos mais jovens optarem cedo pela Europa.

“Não quero colocar os campeonatos daqui em uma posição ruim, mas é difícil.  È complicado para quem corre aqui ter ideia da realidade do que é competir no exterior. Você corre aqui e, por mais alto que seja o nível dos pilotos, não se tem tanta referência. Acho que a opção que tomei foi boa. Fiz uma carreira de kart aqui, porque o nível é ótimo. Também corri o Mundial. Depois, já comecei de fórmula na Europa”, disse o piloto.

“Dei a cara para bater lá, mas, ao mesmo tempo, foi bom, porque aprendi bastante. E não só como piloto, mas como pessoa também. Acho que, para os pilotos que estão procurando começar a carreira em carros de fórmula, ter uma experiência na Europa é muito válido. Eu recomendo”, completou.

Parece uma ladainha mesmo. Mas é a realidade. O Brasil não forma mais pilotos. Os meninos, os poucos que conseguem e têm o apoio financeiro, estão saindo cada vez mais cedo para tentar vaga lá fora.

E o que se vê por aqui? A F-Future ainda engatinha, com poucos carros no grid. A F3 Sul-americana é de dar pena. Realizou etapas na Argentina, mas um grid magro, magro. Em breve, a consequência virá, quando o país deixar de ter representantes nas principais categorias.

Portanto, fica a reflexão. Que tipo de pessoa gere o automobilismo no país e não percebe esse movimento? E qual seria a solução mais imediata para tirar o esporte dessa situação?

Evelyn Guimarães

Autor: - Categoria(s): F1, F3, GP2 Tags: , , ,
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