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03/03/2010 - 11:35

Quilmes: o time do Pato Donald

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Felipe Paranhos

O gaudério Francisco Luz, que se ausentou destas plagas quando no mês passado, não foi embora definitivamente. Ele mandou este texto de autoria de Luís Felipe dos Santos, que, junto com Douglas Ceconello, faz o ótimo Impedimento.

Leiam. Vocês vão entender.

Grande alvoroço se instalou no bairro de Jacarepaguá com a notícia divulgada no final de 2012. Não, a Fifa não desistiu da Copa do Mundo, nem o governo resolveu acabar com a renovação automática das concessões. A questão é que o Quilmes, clube mais antigo da Argentina, derrotou o Vélez Sarsfield e tornou-se o quarto classificado argentino para a competição, disputando uma vaga na Pré-Libertadores.

Não era exatamente uma novidade, pois o Quilmes disputara uma Libertadores antes, protagonizando o lamentável episódio Desábato. O problema previsto por um executivo mais atento era o nome que os jornalistas da empresa global deveriam dar ao clube. Vigorava desde 2007 a ordem de que clubes com nomes de empresas deveriam ser chamados apenas pelo nome das suas cidades. Malwee virou Jaraguá, Cimed virou Florianópolis, Ulbra virou Canoas. Ninguém entendeu lhufas, protestos aconteceram aos montes, mas a empresa seguiu irredutível na sua cruzada contra o merchandising.

Só que em 2013, a cerveja Quilmes era uma marca bastante conhecida entre as bebidas importadas e nacionais. O mercado das cervejas de litro estava se expandindo e a Quilmes era uma das opções mais aceitas. Um dos executivos achou que, por ser a empresa argentina, nada demais aconteceria.

Qual o quê. O departamento de marketing da emissora foi informado pelos espiões de sempre. Quilmes não era um nome aceitável. E o contrato milionário com a outra distribuidora, como ficava? O departamento reuniu-se com o jornalismo para decidir renomear o clube.

– Pois bem, ficamos sabendo que o Quilmes jogará a Libertadores. A partir de agora, o clube será chamado pelo nome da sua cidade.
– Buenos Aires?
– Isso.

Correram os jornalistas para atualizar suas pautas. No dia seguinte, choveram emails para a empresa. Ora, não havia um clube chamado Buenos Aires. Ora, o clube que era denominado Buenos Aires era o Quilmes. Ora, o Quilmes NÃO FICAVA em Buenos Aires!

– Como assim? – perguntou o big boss.
– Chefe, o Quilmes é da província de Buenos Aires, apenas. Fica na cidade de Quilmes.
– Droga! Eles já se classificaram para a fase de grupos?
– Ainda não, precisam ganhar do Estudiantes de Mérida em casa.
– Hm. Então ignorem esse jogo. Vamos esperar o resultado.

Assim cumpriram os jornalistas. Não se viu na TV ou na internet qualquer referência ao jogo, que acabou com vitória de 5×1 do Quilmes em casa. Saiu o sorteio da segunda fase e cumpriu-se o horror: O Quilmes, por ser o pior argentino no ranking da Conmebol, não foi cabeça de chave. Acabou caindo no mesmo grupo do Flamengo. DO FLAMENGO!
Convocada reunião urgente.

Querem ler o resto? Vale a pena. Aqui: http://impedimento.wordpress.com/2009/02/28/o-dia-em-que-o-quilmes-virou-o-time-do-pato-donald/

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