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24/11/2010 - 11:26

Gold and honey

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JOÃO PAULO BORGONOVE [@Borgo_]

Pois é. Passada a distração do joguinho do post anterior, vamos falar sobre a ida de Ho-Pin Tung à Indy, que já é dada como certa pelos lados de Indianápolis. Piloto pagante e tal, dizem. Não, criançada. O Tung não leva dinheiro pra FAZZT. O Tung é pretendido pela patrocinadora principal da equipe canadense, a Bowers & Wilkins, empresa britânica do ramo de redes wi-fi e home theaters.

A B&W, creio que acertadamente, olha para os lados asiáticos para turbinar seus negócios. E como ela pretende bancar dois carros com sua marca na FAZZT, não vejo problema nenhum  no fato de eles escolherem o companheiro de Alex Tagliani, que já correu – e bem – em 2010 com a marca da grande ilha estampada no carro. Um chinês, coisa inédita em categoria top, chacoalhando toda a mídia cantonesa e tal. Baita jogada.

O fato é: pilotos pagantes fazem parte da nova fase do automobilismo mundial, e não só da Indy. Como bem disse João Paulo de Oliveira, um dos pilotos mais injustiçados na Europa e no Brasil, mas um dos mais respeitados no Japão, essa é a tendência e isso já é realidade também na F1.

“Diante do que vem acontecendo, a F1 pode caminhar para uma nova era. A era de ‘quem pode’. Agora, o $$$ passa a ser essencial a novos pilotos”, comentou o atual campeão da F-Nippon em sua conta no tuíter (@JPdeOliveira).

Usando os exemplos de Pastor Maldonado e a PDVSA, e Sergio Pérez e a Telmex, JP completou afirmando que isso pode tirar muitos jovens talentos da categoria. “Acredito que a F1 continuará tendo os melhores pilotos em atividade no mundo, como há hoje em dia, mas a entrada de talentos ficará escassa”, completou. “Infelizmente, quem mais perde com tudo isso são simplesmente os fatores principais do esporte: o público e a própria categoria”, finalizou.

Pois bem. Concordo com tudo o que foi dito pelo meu xará, mas acredito que Pérez, por exemplo, é um ótimo piloto. Maldonado idem. Afinal, o nível da categoria em 2010 foi bom, e Maldona foi o campeão, com Checo em segundo. Não dá pra dizer que eles estão na F1 exclusivamente pelo lado financeiro. Até dá, dirão alguns, mas acho que seria muito injusto com os pilotos.

Edoardo Mortara, bicampeão da etapa de Macau da F3 e atual campeão da F3 Europeia, explicou bem a sua situação, que é completamente contrária à dos dois latino-americanos acima.

“O Mundial de F1 está se tornando diferente do que era por causa de dinheiro. Você precisa de muito dinheiro, coisa que eu não tenho. Você precisa de pessoas que acreditam em você, te apoiam e investem em você. E esse não é o meu caso”, disse o italiano.

É exatamente o que Oliveira disse. Porém não basta ter APENAS talento. Ele ainda é necessário, claro. Mas agora precisa ter dinheiro. É isso.

E o que a Indy tem a ver com essa nova fase da F1? Tudo. A Indy também é assim, o que nos presenteia com as barbeiragens de Milka Duno, por exemplo. (Mas a F1 tem sua Duno, um tal de Sakon Yamamoto.) Graham Rahal ficou capenga em 2010. Tony Kanaan, vejam bem, tem futuro incerto na categoria em 2011. Precisa de grana. Talento tem de sobra.

Mas defendi Tung por dois motivos. Ele não leva grana, é isso que entendi. E, cá entre nós, esse vídeo – o segundo motivo – mostra que ele não é qualquer pilotozinho. Eduardo Azeredo, companheiro dos tempos da F1 Brasil, foi quem me lembrou dessa manobra.

Autor: - Categoria(s): F-Indy, F1 Tags:
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