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31/05/2010 - 15:16

Restarão só lembranças*

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Foi bonito, o Racing Festival. Gostoso de cobrir, principalmente para mim, que estou caminhando ainda. Mas foi mais bonito ainda porque mostrou mais uma vez que, para se ter uma boa corrida em Jacarepaguá, meio autódromo é suficiente. Por mais mutilada que esteja, a pista do Rio ainda proporciona ótimas corridas.

Foi assim em todas as baterias de todas as categorias. Definição, mesmo, só na bandeirada. O público até compareceu em bom número, se levarmos em consideração o belíssimo domingão de sol que fez no Rio. Sim, eu sou carioca, e sei o quanto um domingo de sol é altamente tentador nessa cidade…

Mas voltemos para a corrida. A cada evento que se tem em Jacarepaguá, fica mais nítido que desativar o autódromo será um dos maiores lamentos da história do automobilismo nacional. Até mesmo o único piloto estrangeiro correndo aqui neste fim de semana, o argentino Roberto Curia Jr., de 17 anos, disse que a decisão das nossas autoridades era um verdadeiro equívoco, pois se tratava de um ótimo circuito.

Alguns, aliás, só ficaram sabendo que o que sobrou de Jacarepaguá vai ser transformado em complexos e mais complexos esportivos para as Olimpíadas de 2016 durante o fim de semana, e demonstraram muita insatisfação com a notícia. Insatisfação não só por saberem que será uma pista a menos no Brasil para eles correrem, mas por saberem que justamente a pista onde a maioria deles estreou nos monopostos vai simplesmente desaparecer.

Claro que alguns devem estar lendo e pensando “ah, já está todo ferrado mesmo, que acabe logo”. Também pensava assim, mas esse fim de semana me fez olhar com outros olhos para o autódromo da minha cidade, que guarda ótimas lembranças dos áureos anos 80 da F1, e marcou o primeiro passo dessa molecada que está sedenta por um lugar ao sol dentro de um esporte tão seletivo.

Mas não há muito que fazer, infelizmente. Mesmo que Deodoro saia do papel, o que eu du-vi-do, nada será como Jacarepaguá. Que fiquemos com as lembranças, então. E quem não conhece, que corra logo: sinto que este ano pode, de fato, ser o último.

Luana Marino

* Obrigada ao leitor  que sinalizou o errinho de concordância no título. Valeu!

Autor: - Categoria(s): F1, Trofeo Linea Tags: , , , ,
31/05/2010 - 15:01

Sopro de vida

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O Rio de Janeiro recebeu neste fim de semana o Racing Festival, evento apadrinhado por Felipe Massa e que reuniu de uma só vez uma categoria de turismo, o Trofeo Linea, uma de motos, a 600 Hornet, e uma de monoposto, batizada de F-Future.

É claro que o Linea contou com a presença de nomes famosos e respeitados do automobilismo nacional, tais como Cacá Bueno, Ricardo Maurício, André Bragantini, entre outros, as duas baterias foram movimentadas, com disputas do início ao fim, brigas, discussões, punições e tudo mais. Mas falemos, por ora, da F-Future.

Dez carros alinharam no agonizante circuito de Jacarepaguá (sobre ele, aliás, eu falo depois). É pouco, claro, mas foi apenas a primeira rodada de um campeonato que acabou de nascer, mas que já conta com uma molecada abusada e boa de braço.

Foi interessante acompanhar o trabalho desses meninos, que têm de 15 a 18 anos, durante o fim de semana. O carioca Nicolas Costa, por exemplo, mostrou que vai dar trabalho aos colegas, talvez até pela experiência que já tem do Skip Barber. Na primeira bateria, por exemplo, Nicolas fez a pole, mas empacou na largada. Caiu para sétimo, mas aí começou uma corrida de recuperação até chegar no segundo lugar. Talvez se ainda tivesse tempo, lutaria pelo primeiro com Francisco Alfaya, o vencedor.

Alfaya, aliás, foi o menino que mais chamou minha atenção, não pelo estilo de pilotagem ou por algum lance sensacional na pista, mas pela simplicidade e pelo sorriso fácil. Quando o entrevistei pela primeira vez, logo após a coletiva do treino classificatório, me apresentei, dizendo que era do Grande Prêmio, e ele sorriu meio tímido dizendo “Oi, eu sou Francisco”.  Durante a rápida conversa, me explicou que veio “da terra”. Aos desentendidos: Francisco corrida na Mini Fórmula Tubular, uma categoria que compete em circuitos de terra. Como o kart era muito mais caro, a família do menino optou pela iniciação num terreno totalmente diferente da realidade para a maioria dos demais pilotos.

E foi aí que ele se destacou, conquistando campeonatos no Rio Grande do Sul. Depois, conseguiu dinheiro e comprou um fórmula, disputando mais campeonatos gaúchos. Agora surge o “portão”, como ele mesmo definiu, e Alfaya consegue a primeira vitória da história da Future. Na coletiva, novamente o jeito simples de menino do interior chamou minha atenção. Francisco ainda contou que teve a torcida mais que especial de um grupo de mais ou menos 30 pessoas vindas diretamente de Tapes, sua cidade natal. Fora os avós, tios, pais, amigos… todos presentes em Jacarepaguá.

O caminho trilhado por Alfaya mostra bem o retrato da base do automobilismo nacional, onde o piloto precisa encontrar meios dentre as poucas opções que se tem para manter vivo o sonho de ser piloto. E é por isso que acho que tive grande simpatia pela F-Future e por esses meninos, porque parece que finalmente o monoposto no Brasil ganhou um sopro de vida.

Tomara mesmo que dê certo, e a gente possa ver esses garotos realizados lá na frente.

Luana Marino

Autor: - Categoria(s): Trofeo Linea Tags: , ,
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