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20/09/2010 - 13:06

Montanha-russa lusitana

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Evelyn Guimarães

Mexilhoeira Grande, Portugal | Foi ainda no Brasil que recebi o convite na Nissan para dar uma volta rápida no circuito do Algarve, neste final semana, por conta realização da sétima etapa do Mundial de GT1. A primeira reação foi de empolgação, claro. Já participei de outros eventos assim em Curitiba, de Stock Car e também de BMW, com Augusto Farfus ao volante. É legal para caramba, mas eu conheço o traçado curitibano, então as reações dentro do carro foram menos desastrosas…

Mas voltando à pista lusitana. Como já disse, o circuito impressiona. E não somente pela estrutura, como as modernas arquibancadas permanentes, que dão uma visão ótima da pista ou as instalações dos boxes e do paddock. Na verdade, o impressiona mesmo é o traçado. A pista fica um terreno acidentado, entre colinas, o que deu ao projetista da pista liberdade para criar aquelas curvas que todo o piloto gosta. A pista é larga, tem uma grande reta principal, que acaba em uma curvinha fechada para direita. Foi nesse ponto que a minha volta rápida começou.

O modelo GT-R foi o escolhido pela empresa, já que o carro faz parte do Mundial de GT1. Ainda nos boxes me lembrei das corridas de Gran Turismo que costumava (tentava, mas que costumava) disputar com o pai no Playstation. Não sei por que nunca escolhi o Nissan?

Mas, enfim, lá estava eu esperando por Jamie Campbell-Walter. Jamie tem 37 anos e pode-se dizer que é um especialista em categorias de turismo. O inglês já correu na Le Mans Series, 24 Horas de Le Mans e foi campeão no GT.

O carro, na verdade, era um modelo de passeio, o que me deu certo alivio, mas precipitado. Na saída dos boxes, já tinha me arrependido. Jamie, com uma tranqüilidade absurda, foi ‘cantando’ todas as curvas e explicando o contorno de cada uma pelos 4.684 m da pista. Infelizmente, só prestei atenção na primeira.

Depois da primeira curva, vem um trecho em S e mais duas curvas ainda para direita e em descida. Depois, a grande curva aberta, onde já tinha me segurando mais de uma vez na porta, o que fez Jamie rir bastante e dizer: “Mas é só o começo”.

E era mesmo. Percorremos em seguida um grande trecho em subida (onde nem vi mais o ponteiro da velocidade), para chegar a uma curva muito fechada para a esquerda e subida novamente. Depois, uma grande descida (onde quase saímos do chão) e novamente subimos.  Bem parecido com uma montanha-russa. Essa é a toada do circuito. Subidas e decidas, misturadas às curvas fechadas e de alta velocidade. E Jamie não economizou no acelerador.

Cada curva era uma surpresa diferente. Às vezes boa, às vezes ruim.  Mais de uma vez, achei que íamos sair da pista ou rodar. Quase aconteceu na penúltima curva. Ainda bem que foi quase, porque não tinha almoçado ainda àquela altura e queria chegar logo aos boxes.

Mais cedo, quando entrevistei o projetista da pista, o arquiteto Paulo Pinheiro, ele me disse que a idéia era construir uma pista técnica e desafiadora. Que separasse os meninos dos homens. Ele tinha razão.

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