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04/02/2011 - 17:38

Primeiras impressões

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LUANA MARINO

RIO DE JANEIRO — Passou despercebida para muita gente por causa da F1, mas a MotoGP iniciou a preparação para a temporada 2011 também nesta semana. Foram três dias de testes em Sepang, na Malásia, que serviram para esboçar algumas situações que deveremos ter ao longo do ano.

A primeira delas é que, de cara, deu para ver que a Honda será forte. Não acredito em domínio, mas a julgar pelas sessões na pista malaia, a Yamaha vai ter de gastar mais algum tempo de trabalho para não perder muito terreno para a rival.

A verdade é que a equipe japonesa investiu pesado para este ano. Depois de ver a rival Yamaha dominando o campeonato de pilotos nas últimas três temporadas, a Honda decidiu manter a dupla de 2010, formada por Daniel Pedrosa e Andrea Dovizioso, e ainda trouxe um reforço e tanto para compor o trio: Casey Stoner, um dos principais pilotos do grid atual. E o australiano mostrou que a adaptação foi rápida ao liderar o primeiro treino e terminar em segundo nos dois seguintes. Se valesse uma média das três sessões, Stoner seria o melhor pela regularidade.

Pedrosa também se destacou. O espanhol foi a esperança da equipe no último Mundial frente a Jorge Lorenzo depois do acidente de Valentino Rossi, mas acabou caindo nos treinos no Japão e fraturando a clavícula, dando adeus ao título. Indo para a sua sexta temporada na MotoGP, vê a concorrência ficar mais acirrada dentro do próprio time, mas mostrou que está recuperado e pode se destacar.

Ainda temos Dovizioso, que embora tenha sido o mais discreto do trio nos treinos, teve momentos de brilho em 2010, como a pole-position no Japão. Stoner e Pedrosa devem confirmar o favoritismo, mas o italiano pode fazer valer a condição de coadjuvante para surpreender.

Trio à parte, o trunfo da Honda para vencer a Yamaha este ano pode ser a sua equipe satélite, a Gresini. Nos testes em Sepang, a equipe foi bastante competitiva, com o desfecho de ouro ficando por conta de Marco Simoncelli. Depois de uma temporada de muitas expectativas em torno do italiano, mas poucos resultados, o piloto pode surpreender e beliscar alguns pódios.

Agora, se a Honda foi a grata surpresa, a Ducati não deve estar esperando a hora de Valentino Rossi ficar bom para se dedicar ao desenvolvimento da moto. O melhor resultado da equipe de fábrica nos treinos foi um discreto oitavo lugar com Nicky Hayden na última sessão. 

A situação de Rossi, aliás, é bem clara, e isso é algo que é digno de elogios para o italiano. Ele não enrola quando tocam no assunto: o ombro direito operado no fim do ano passado ainda incomoda, principalmente nas freadas das entradas das curvas, o que acaba comprometendo o resto do corpo e forçando mais o lado esquerdo. Com isso, Rossi perde cerca de 0s5 por volta. É muita coisa, e Valentino sabe que a situação só vai melhorar com o Mundial em andamento.

Portanto, fãs do ‘Doutor’, não fiquem desanimados se Rossi sequer passar perto do pódio nas primeiras corridas da temporada. Tá certo que o italiano teve o mesmo trabalho na Yamaha e foi campeão logo no primeiro ano com a equipe, mas a situação na Ducati tende a ser um pouco diferente. Primeiro, Valentino precisa se recuperar fisicamente para, depois, mostrar por que é heptacampeão.

Quem pode se dar bem com isso é Hayden. Ciente de que ser ofuscado por Rossi dentro da equipe não é nenhuma hipótese absurda, o americano precisa buscar resultados no início para que a Ducati não se afaste muito da briga pelo título.

Agora, é claro que tudo o que foi escrito acima foram impressões de apenas três dias de testes. Assim como na F1, os pilotos usam as sessões para experimentar vários tipos de acerto, configurações de corrida, vão ao limite, mas também poupam equipamento. Em suma, tudo pode mudar já na primeira corrida do ano, no Catar, e termos uma Ducati surpreendendo e cravando pole e vitória, deixando as rivais para trás.

Não é impossível, mas é pouco provável.

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23/01/2011 - 12:45

Rivalidade dá dinheiro

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Felipe Paranhos

Como se sabe, a rivalidade entre Valentino Rossi e Jorge Lorenzo é a principal arma da MotoGP para driblar a crise e atrair mais audiência, interesse de mídia e patrocinadores. Mas olha, quem mais lucra com a rivalidade são os próprios pilotos.

No início do ano retrasado, Valentino passou a receber o apoio do energético Monster. No início deste ano, o primeiro de Rossi fora da Yamaha, Lorenzo fecha com o Rockstar, que é o terceiro colocado em vendas nos Estados Unidos, atrás do Monster e do onipresente Red Bull.

De quebra, a rivalidade ainda ajuda a Yamaha, que andava meio sem patrocínios.

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11/10/2010 - 13:42

Invasão espanhola

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Luana Marino

A Espanha não é nenhuma novata no rol dos campeões mundiais de motovelocidade, embora o único título do país na categoria principal fosse, até domingo, de Alex Crivillé em 1999, quando as motos ainda eram de 500cc. Nas 125cc, a prova da força ibérica é traduzida por Angel Nieto, pentacampeão da classe nas décadas de 70 e 80, uma das lendas do motociclismo.

O que faltava, na verdade, era essa mesma força na elite das duas rodas, mas a disputa deste ano restrita entre Jorge Lorenzo e Daniel Pedrosa na MotoGP depois do acidente de Valentino Rossi mostrou que a vez é dos espanhóis. Além disso, o domínio do país nas 250cc e nas 125cc é surpreendente.

Para se ter uma ideia, o Mundial deste ano das 125cc já viu nada menos do que oito pódios totalmente espanhóis. Ano passado, isso aconteceu apenas uma vez, no GP da Alemanha. O último foi neste domingo, inclusive, com vitória de Marc Márquez. O piloto, de quebra, ainda assumiu a liderança da competição, que tem, até o momento, Nicolas Terol em segundo e Pol Espargaró em terceiro – todos espanhóis.

Ou seja, provavelmente teremos mais um campeão do país ibérico em 2010 na moto, e se levarmos em conta que Toni Elías já garantiu o título na Moto2, a Espanha está prestes a entrar para um seleto grupo que conta apenas com Itália e Grã-Bretanha até o momento: dominar três categorias da motovelocidade no mesmo ano. A Itália de Valentino conseguiu o feito três vezes, em 1950, 1975 e 1976. Já os britânicos foram superiores em 1967.

Lembrando que, naquela época, os mundiais contavam ainda com 350cc e 50cc. Então, se olharmos por este lado, a Espanha pode alcançar um feito inédito, já que o Mundial deste ano conta com três classes apenas. Seria um domínio total, com uma safra de pilotos que promete muito para as próximas temporadas.

Claro que Rossi ainda tem lenha para queimar na Ducati e totais condições de ser campeão novamente, mas o italiano vai se aposentar daqui a uns poucos anos. E ele sabe que a concorrência nos últimos Mundiais se acirrou. Vai ser mais um desafio para o ‘Doutor’ superar a espanholada abusada que vem por aí.

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