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16/10/2009 - 03:35

A "buena noche" de Hamilton e Kovalainen

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Era para ser o show de uma estrela só. O evento da Johnnie Walker, marca de uísque que patrocina a McLaren, nesta quinta-feira (15) em São Paulo para promover a segurança no trânsito prometia apenas a presença de Lewis Hamilton. Mas já que o evento era no hotel Hilton, onde a equipe inglesa está hospedada, não custava nada chamar Heikki Kovalainen e pedir para que o finlandês também aparecesse por lá. A surpresa virou brincadeira entre alguns jornalistas: “Xiii, vai ser coadjuvante que nem foi o (Adrian) Sutil na coletiva do (Rubens) Barrichello”. Até que o nórdico não foi uma peça decorativa. Participou bastante, foi bastante questionado. Não foi o show de uma estrela só.

Essa estrela seria Hamilton, que já começou o evento cometendo uma gafe. Desejou boa noite a todos em inglês. E aí, quis se aproximar do público brasileiro, ser simpático – como realmente foi durante a “noche” – e lançou: “Buenas noches”. Alguém o assoprou que ele não tinha falado em português – ou em “brazilian”, como Heikki chegou a mencionar durante a coletiva – e, sim, em espanhol. “It’s pretty close (é muito perto)”, falou o mestre de cerimônias.

As tentativas de falar português (ou espanhol) acabaram por aí. Nem um “obrigado” rolou. “Caipirinha”, a bebida oficial dos estrangeiros no Brasil, também não rolaria porque o evento queria lembrar as pessoas de que alcool e direção não combinam. Acredito que pegaria mal, sabe, piloto da F1, caipirinha, deixa quieto.

No início, o discurso tradicional dos pilotos. Hamilton lamentou não chegar dessa vez ao Brasil disputando o título. Nas outras duas vezes que veio ao país, o britânico estava no topo do campeonato. Mesmo assim, o piloto destacou que vir a São Paulo é sempre uma grande experiência e lembrou de sua idolatria a Ayrton Senna. “Quando venho aqui, sinto sua presença”, declarou. Tenho certeza que não foi a primeira vez que ouvi isso.

Kovalainen também não fugiu das declarações-padrão, lamentando o fato de a McLaren não disputar o título, mas comemorando a melhora do carro, que é bastante competitivo, e esperando um fantástico fim de semana. Bem press-release.

A integração de Lewis e Heikki com o público presente no hotel e em um bar da capital paulista – que assistia ao evento por um link ao vivo – até que foi boa. Ambos estavam bem-humorados e frequentemente fizeram brincadeiras – aí, sim, fugindo um pouco daquele protocolo cansativo da F1.

Isso aconteceu quando foi divulgado o nome do vencedor de um sorteio promovido pela ação “Piloto da Vez”. O sortudo Ronald Szafirski verá seu nome escrito na frente dos capacetes dos representantes da McLaren no GP do Brasil. “Saiba que o lugar onde está seu nome custa muito caro, alguns pagam muito dinheiro por ele”, falou Kova.

Depois, Hamilton arrancou risos ao falar que sempre é o “Piloto da Vez” quando sai com sua namorada, Nicole Scherzinger, vocalista do grupo “Pussycat Dolls”, mesmo com os pedidos dela para guiar seu carro. “Ela gosta de dirigir, mas eu nunca deixo. Eu sou o homem das corridas”, falou o inglês, para ser retrucado por Kovalainen: “Na verdade, ela é mais rápida do que ele.”

Mais um momento descontraído aconteceu quando foi questionado aos pilotos se eles dirigem de volta para seus hotéis depois de beberem o champanhe na comemoração do pódio. Heikki disse que não era preciso, já que todos têm um motorista à disposição, e que é bom tomar champanhe para relaxar nas coletivas pós-corridas. E aí ele resolveu tirar sarro com a fama alcóolica de seu país e com um personagem da F1 famoso por gostar bastante de um “mé”, como diria Mussum.

“Na Finlândia, gostamos muito de nos divertir. Vocês podem ter uma ideia disso comigo e com o Kimi (Raikkonen), já que a primeira coisa que fazemos no pódio é tomar tudo”, brincou Kovalainen.

A última parte foi reservada aos  jornalistas presentes, que poderiam sabatinar os pilotos. Pena que o tempo disponível foi muito curto. Só houve três perguntas. E as piadas acabaram, voltou aquele discurso ensaiado da categoria.

Hamilton elogiou bastante a dupla da Ferrari que será formada por Fernando Alonso e Felipe Massa. “Vai ser difícil batê-los”, falou. Alguns diriam que o inglês está com medo; para mim, é puro respeito.

Logo após, perguntado sobre o trabalho da McLaren para 2010, Kovalainen não se aprofundou muito na questão do colega, ao dizer que a equipe sabe quais foram os erros cometidos neste ano e trabalha para consertá-los. Seria interessante vê-lo comentar sobre a próxima temporada do time de Woking. Os rumores são de que ele não vai ficar para ver a recuperação que apregoou.

Por fim, ambos preferiram ficar no muro do que dar uma opinião sobre o escândalo da Renault no GP de Cingapura de 2008. “Não estou envolvido com a equipe deles, não sei o que dizer”, “Eu concentro no meu trabalho”, “Eles já foram punidos”, “Vamos falar sobre o presente”, declarações desse tipo. E, nisso, acabou a entrevista.

Fim de noite, Lewis e Heikki foram liberados porque tinham de descansar, afinal, há dois treinos nesta sexta. Hora de descansar, depois de um dia longo em Interlagos e no evento. Falaram, responderam, brincaram e deram seus recados. Por hoje é só. Então… buenas noches, Hamilton e Kovalainen.

Marcus Lellis – @marcuslellis

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