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26/04/2011 - 22:39

Ataque e defesa

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FELIPE PARANHOS [@felipeparanhos]
de Salvador

Deixei passar isso uns dias, mas parei agora para falar do assunto. A Indy, por meio de seu consultor de competições Al Unser Jr., declarou que vai “acompanhar” Helio Castroneves, por conta do alto número de acidentes envolvendo o brasileiro neste ano. Ameaçou puni-lo se for considerado culpado de mais um incidente que prejudique um adversário.

Helinho perdeu a freada na largada do GP de São Petersburgo, na abertura da temporada, e ajudou a causar aquela bagaceira que tirou cinco carros da corrida. Na semana passada, em Long Beach, se envolveu em dois toques: um normal, com Justin Wilson, e outro por vacilo próprio, que tirou do companheiro Will Power a chance de vencer a prova.

Até aí, tudo bem. É um número de incidentes incomum para a carreira de Castroneves. Mas é justamente por ser incomum que chama a atenção esta ameaça para o piloto da Penske. Ótimo que todos, até um piloto de qualidade notável como Helio, estejam sujeitos a sanções.

A questão é que a Indy não parece trabalhar assim. Alguns pilotos fazem besteira atrás de besteira e têm, digamos, o benefício da dúvida. Vou dar um exemplo: em 2009, Marco Andretti atrapalhou, por duas corridas de circuito misto seguidas — Glen e Edmonton —, líderes que tentavam dar uma volta de atraso nele. Por uma volta inteira.

(Como se sabe, em ovais, os pilotos não são obrigados a reduzir a velocidade para que vire retardatário — apenas se facilita a ultrapassagem, uma vez que o piloto de trás vem mais rápido. Como em mistos o espaço é outro, acaba tendo de abrir.)

Naquelas ocasiões, o filho de Michael Andretti interferiu no resultado da corrida ao impossibilitar a disputa de primeiro e segundo colocados. Passou-se a mão na cabeça. Separando essa história da próxima: o mesmo Marco fez uma, com o perdão da palavra, cagada na etapa de Long Beach, acabando com a corrida de Sébastien Bourdais nos boxes. Foi um erro primário, muito mais feio do que o toque de Castroneves em Power. Por mais que tenha sido um só, foi crasso. E ninguém nem toca no nome de Marco — que tem menos talento do que um Sato, por exemplo.

Parece que, com esse caso de Castroneves, e até com as ameaças a Milka Duno no ano passado, a Indy tomou um caminho de mais severidade em relação a falhas ou desnível de pilotos. Eu só espero que não existam protegidos pela categoria. Se, mais uma vez o escolhendo como exemplo, Marco Andretti fizer uma besteira na etapa de São Paulo, vai receber as mesmas ameaças? Veremos.

Autor: - Categoria(s): F-Indy Tags: , , , , ,
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