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19/02/2011 - 08:58

O que, afinal, é um piloto pagante?

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Felipe Paranhos

Alguns termos do automobilismo não são absolutamente entendidos por todos os que acompanham as corridas. Uma das maiores confusões a esse respeito é a definição de piloto pagante. Numa análise mais rasa, seria o cara que paga por uma vaga, com patrocínios ou dinheiro pessoal.

Mas só em F1 2010, o jogo, você chega à Lotus/Virgin/Hispania depois de simplesmente fazer um teste e impressionar a equipe. No mundo real, pouquíssimos pilotos se sustentam pelo que são, independente de surgirem apoiadores ou não. Exemplo: Alonso tem grandes patrocinadores junto a si, mas, se por acaso perdesse todos hoje, seguiria na F1 — afinal, quando precisava de apoios para se estabelecer, contou com eles.

A verdade é que todo piloto é um pagante por natureza, já que se vira com os negócios fora da pista para barganhar uma vaga melhor, desde as categorias de base até a F1. Portanto, não cabe criticar Maldonado, Petrov, Pérez, entre outros, por ter quem banquem suas vagas na principal categoria do automobilismo. São todos pilotos com currículo forte, que por uma ou outra circunstância, tiveram melhor suporte em suas carreiras. Assim, simples. O fato de haver outros caras melhores que ficaram pra trás por falta de dinheiro é outra discussão.

Falo disso tudo para exemplificar o que é o verdadeiro pagante. Ricardo Teixeira pagou por 30 voltas na Lotus em Barcelona na tarde deste sábado (19), assim como já tinha feito em Jerez, para dar 18 giros na filmagem publicitária da equipe. O angolano de 28 anos tem o patrocínio da petrolífera Sonangol, de seu país, que também dá nome oficial à Superliga.

Pois: Ricardo é um dos pilotos com menos talento que já vi nas pistas. Esforçado, é verdade. Mas ruim, fraco mesmo. Na GP2, só não largava em último quando alguém tinha problema na classificação. Apesar de a Trident, sua equipe à época, ser do pelotão inferior da categoria, era comum vê-lo com tempo de grid 1s mais lento do que o penúltimo, por exemplo. E quem acompanha a GP2 sabe como o grid costuma se mistura a cada GP — o que só deixa mais claro o abismo técnico que o separava dos rivais. Na F2, ano passado, conquistou o melhor resultado da sua carreira: um quinto lugar em Marrakech. Quinto, depois de mais de 100 corridas desde que virou profissional.

E, de repente, você pode vê-lo num lugar de titular da F1 ano que vem. Entenderam?

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