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17/05/2010 - 08:44

Peito de peru e fim da jornada com a F3 em Brasília

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(Diário de viagem, dia 3. Os outros dois você pode ver aqui e aqui.)

FELIPE PARANHOS [@felipeparanhos]
de Brasília

Jornalistas e pilotos às vezes têm bastante em comum. Normalmente, o ego inflado. É o que me incomoda nas duas profissões, aliás. O jornalista se alimenta desse poder falseta que ostenta; o piloto de toda a mística que envolve o esportista. Evidentemente e ainda bem, há exceções: e é destas que falo aqui.

Já falei aqui da minha satisfação em poder trabalhar em um final de semana no qual as histórias estão ali, prontas para ser contadas, só bastando pescá-las — diferente do que acontece nas grandes e glamourosas competições automobilísticas.

Além disso, a entrevista coletiva, aberração que se tornou comum no jornalismo, inexiste na F3 Sul-americana, como na maioria das categorias de acesso. Quer falar com quem? Alguns passos e pronto. Torcedor? Quer falar com o piloto? Espera acabar a sessão, pega um autógrafo, tira uma foto.

E não sou só eu quem exalta este clima caloroso: Lucas Foresti, feliz pelas duas vitórias no último domingo, conversou comigo sobre o que pode se tornar a F3 Sudam. Segundo o brasiliense, cara extremamente tranquilo, uma das coisas mais interessantes dos finais de semana da F3 Inglesa, na qual corre pela Carlin, é o calor e a proximidade do público.

Lucas contou que, na Inglaterra, é comum ver torcedores acampados no autódromo — como ainda acontece, aliás, no automobilismo americano. Como exemplo deste carinho e paixão dos fãs de automobilismo, citou os autógrafos que são vendidos no eBay, conhecido site de leilões. “£ 20”, estimou como preço de uma assinatura o piloto, que completou 18 anos durante a última semana.

Na hora de ir embora da capital do país, me dei um presente. Várias camisas de seleções em promoção no aeroporto. Quase fui na da Venezuela, quando vi a da Dinamarca — equipe para a qual eu e o imitão Victor Martins torcemos. Já tinha a branca, era hora de comprar a número 1. Feito.

Este só não seria o ponto alto do meu dia se a aeromoça tivesse me ouvido. Ah, se ela tivesse me ouvido. Mas deixa eu explicar, antes que vocês pensem besteira: ela não sabia dizer “peito de peru” em inglês e perguntou à colega como falava “peru”. Parem de pensar besteira, já disse. Eu falei, meio tímido, “turkey”. Ela não ouviu — ou não confiou — e foi perguntar a outra pessoa lá perto da cabine.

Ainda bem que ela não ouviu. Eu ia traduzir “turkey chest”. É “turkey breast”. Ou não. Foi assim que disseram a ela, pelo menos.

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