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10/01/2011 - 12:05

Presente inesperado

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva1]

SUMARÉ — Nasser Al-Attiyah é um dos principais pilotos de carros do Rali Dacar em 2011. Vice-campeão da prova no ano passado, o príncipe-herdeiro do Catar obteve bons resultados em outras provas, como por exemplo, no Rali dos Sertões de 2009, quando também terminou em segundo, andando sempre próximo do ritmo do campeão Carlos Sainz.

Apesar de Nasser ser membro da família real de um dos países mais ricos do mundo, o piloto é considerado uma das pessoas mais simpáticas e acessíveis do meio ‘ralizístico’, conforme apurei em conversas com o pessoal que cobriu o Sertões em 2009. Sua postura agressiva dentro das pistas e extremamente generosa fora delas lhe rendeu muitos fãs. E um deles quis render uma homenagem a Al-Attiyah.

O jovem Orlando esteve presente no acampamento de Iquique, onde os pilotos concediam entrevistas aos veículos de todo o mundo. Munido de uma enorme bandeira do Catar, o chileno furou o bloqueio da segurança e seguiu aos boxes da Volkswagen para pegar uma foto e um autógrafo do príncipe.

“Nasser é o príncipe do rali. Queria lhe render uma homenagem. Também o faço pelo meu pai, que também é um grande admirador seu”, disse Orlando. O gesto emocionou Al-Attiyah, que após pedir o telefone do garoto para contato, convidou este e também seu pai, para conhecer seu palácio em Doha, capital do Catar. O chileno não conteve a emoção. “É um sonho que virou realidade. Não acredito. A única coisa que queria era uma foto. Apenas uma foto com ele”.

A generosidade de Nasser não é novidade. No mesmo Sertões de 2009, o carro de uma das melhores duplas femininas do Brasil, formado por Helena Deyama e Joseane Koerich — irmã de Marlon Koerich, que disputa o Dacar deste ano ao lado de Emerson Cavassin — pegou fogo em pleno sertão, sendo completamente destruído pelas chamas. Obviamente arrasadas com a má sorte e tendo o prosseguimento da carreira em xeque, as meninas também receberam um presente inesperado: um cheque de US$ 20 mil assinado por Nasser para comprar um novo carro. Como retribuição pelo gesto do piloto, a dupla o homenageou na edição de 2010, batizando o novo carro de Príncipe.

Autor: - Categoria(s): Rali Tags: , , , , , ,
08/01/2011 - 13:59

El caballero

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

CAMPINAS — Conheci Marc Coma durante a cobertura do Rali dos Sertões em 2010, prova em que o catalão faturou a vitória pela primeira vez. Além de ser reconhecido como um dos melhores pilotos de moto no off-road em todos os tempos, tendo como principais títulos o bicampeonato do Dacar e o tetracampeonato mundial de rali cross-country, o espanhol sempre foi muito humilde e bastante solícito com todos aqui no Brasil.

Pois bem. Durante a quinta especial do Dacar entre as cidades chilenas de Calama e Iquique, Coma deu mais uma prova de que além de ser competentíssimo no que faz — tanto que após seis estágios, lidera a edição de 2011 — é dono de grande espírito esportivo.

Marc sofrera uma queda no km 80 do trajeto, e o acidente danificou o radiador da moto KTM de número 1. A essa altura, a diferença para o rival Cyril Despres havia caído de dez para pouco mais de dois minutos. Mais à frente, Olivier Pain, que liderava a especial, bateu forte com sua Yamaha e caiu inconsciente, fraturando o pulso.

Coma, que passava pelo local, parou e prontamente ajudou o colega de profissão, deixando a competição em segundo plano. O espanhol acionou o alarme de emergência e improvisou uma sinalização com o capacete do francês. O bicampeão esperou a chegada de Paulo Gonçalves e Joan Pedrero Garcia, companheiros de Pain. Ambos acionaram a equipe de apoio da Yamaha, e assim, Marc seguiu rumo a Iquique, já com a liderança perdida para Despres.

Após chegar no destino final da quinta especial, Coma criticou os competidores que não socorreram Olivier. Como o francês era o líder da etapa, vários pilotos passaram por ele, que só foi socorrido pelo catalão e Gonçalves. O diário ‘El País’ reproduziu um diálogo em que Marc repreendeu a atitude de Frans Verhoeven, belga da BMW.

— Frans, por que não parou?
— Como?
— Só teria de parar e perguntar: “Você tem algum problema?”, “Você está bem?”, “Precisa de ajuda?”
— Não o vi, sinto muito.

Postura bem diferente do espanhol teve Despres, que já em Iquique, declarou: “Eu vi que Marc Coma estava fazendo reparos [em sua moto]. Eu nunca me alegro com os problemas das outras pessoas. O que é importante para mim é a corrida que disputo”.

Pedrero exaltou a atitude de Marc e também criticou os oponentes que não socorreram Pain. “Isso diz muito sobre o tipo de pessoa que é Marc. Ele não foi o primeiro a encontrar [Pain]. Houve alguns pilotos que não pararam”, lembrou o piloto da Yamaha, ao deixar claro que qualquer competidor está sujeito a viver uma situação como a de Olivier. “O companheirismo é importante. Isso pode acontecer com qualquer um”.

Apesar da organização da prova não obrigar o participante do Dacar a socorrer um colega de equipe, a postura de Coma retrata um código de ética, um acordo de cavalheiros, que alguns outros insistem em ignorar, colocando a vitória acima de tudo. Como prêmio, tanto ele quanto Gonçalves receberam um prêmio de bonificação da ASO — embora nada esteja previsto no regulamento — e recuperaram o tempo no atendimento a Olivier.

É por isso que Marc Coma é diferenciado. É por isso que Marc Coma é Marc Coma.

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04/01/2011 - 09:22

Hummer salvo por um… Fiat 147

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FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

O Rali Dacar é pródigo em histórias curiosas. E a edição de 2011 mal começou, mas já garantiu um episódio sensacional.

No caminho entre Córdoba e San Miguel de Tucumán, Robby Gordon perdeu o controle de seu imponente Hummer, que ao bater em uma enorme rocha, teve a suspensão dianteira danificada, ficando sem condições de trafegar, por estar preso à grande pedra. O norte-americano, que vinha numa boa oitava colocação, perdeu mais de 40 minutos tentando, sem sucesso, recolocar o veículo de volta à pista.

Para a sorte de Gordon, apareceu um prestativo espectador argentino, que colocou seu Fiat 147, da mesma cor do Hummer, à disposição para desatolar o carro do norte-americano. Ex-piloto da Indy e agora na Nascar, Robby manobrou o 147, que, com muita competência, conseguiu remover o milionário veículo laranja do local. 

Gordon finalmente conseguiu chegar a Tucumán, terminando a segunda especial do Dacar em 47º. E ele só continua na prova graças à ajuda salvadora do guerreiro Fiat 147.

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30/11/2010 - 09:40

Dacar in Rio

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FERNANDO SILVA [@fernandomagall]

Em tempos de recesso nas categorias principais do automobilismo mundial, o foco do esporte a motor no fim do ano e começo de 2011 será o Rali Dacar, que de 32 edições, terá a terceira consecutiva disputada entre Argentina e Chile, com os competidores cruzando o desafiador deserto do Atacama.

Para 2012, a rota da maior competição off-road do planeta tem grandes chances de ser alterada, e o Brasil pode ver a largada do mítico rali no Rio de Janeiro. Em matéria divulgada pela revista portenha ‘Corsa’, Etienne Lavigne, diretor do Dacar, admitiu que a prova pode cruzar praticamente todo o continente sul-americano, passando também por Paraguai, Peru, além de Argentina e Chile.

Segundo o dirigente francês, uma das possibilidades de trajeto do novo Dacar em 2012 é que a largada aconteça no Rio de Janeiro, e a chegada, em Lima, capital peruana.

A ideia de integrar a América do Sul por meio de uma competição da magnitude do Dacar, por si só, é muito interessante. O Rio de Janeiro sofre com a falta de uma grande arena para o automobilismo, uma vez que Jacarepaguá deixará de existir muito em breve, e Deodoro ainda é apenas mais um projeto. O Dacar serviria como alento para os fãs brasileiros e cariocas que sentem falta de mais competições de alto nível na Cidade Maravilhosa. Antes palco de provas da F1, Indy e Mundial de Motovelocidade, Jacarepaguá hoje é palco apenas da Stock Car, Racing Festival e campeonatos regionais. Muito pouco para o potencial do Rio. Muito pouco.

Estou na torcida para que o Dacar venha para o Brasil e para o Rio. Alavancaria ainda mais o esporte no país, assim como acontece hoje na Argentina, responsável pelo maior número de inscritos na edição 2011 do Dacar, 85.

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