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14/09/2011 - 15:38

Esta não é a questão

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FELIPE PARANHOS [@felipeparanhos]

O anúncio de que a Superliga não virá mais ao Brasil gerou mais um grito indignado de quem gosta de automobilismo e quer ver referido esporte mais forte por estas plagas. Pelo Facebook e pelo Twitter, vi muita gente chateada — claro, menos pelo peso da Superliga, mais pelo que a sua desistência significa.

Nestas horas, uma das coisas mais fáceis de se ouvir por aí é a máxima “brasileiro não gosta de automobilismo”. Permita-me pedir parcimônia (uma aliteração, diria alguém) na hora de fazer esta afirmação apocalíptica. O meu primeiro questionamento a esta frase é a seguinte: “Que brasileiro?” Acredito que qualquer generalização é ruim quando se fala sobre “o brasileiro”: “o brasileiro não sabe votar”, “o brasileiro não gosta de trabalhar”, “o brasileiro, esse povo festeiro”.

É complicado dizer “o brasileiro não gosta de automobilismo” um fim de semana depois de, outra vez, o torcedor da Bahia lotar um circuito que é feito às pressas todos os anos para acomodar bem a Stock Car. É evidente que o número de 50 mil pessoas no sábado e no domingo da Stock em Salvador é inchado pela presença de muitos convidados, daqueles envolvidos com a prova etc.

Mas, ainda que tenham sido 20 mil pagantes nos dois dias — ou até menos —, é bastante gente para assistir a uma modalidade esportiva cujo espectador in loco, vocês sabem, não tem a melhor visão do mundo, uma vez que pode ver apenas as disputas em, sei lá, 1/8 do circuito. Ver futebol, basquete, vôlei, tênis de perto é melhor e mais emocionante do que na TV. No automobilismo, por sua vez, essa impossibilidade natural em relação à visão do que acontece na pista faz do espectador in loco obrigatoriamente um fã do esporte. É mais difícil conquistar alguém para o automobilismo levando-o a uma arquibancada, como fazem pais e filhos num estádio de futebol, por exemplo. Ficar um dia inteiro num autódromo simplesmente esperando os carros aparecerem na pista é para quem ama o esporte, e sabemos que estes não são muitos. Gosto da ideia de outras coisas estarem anexadas a um evento esportivo: visitação, música, autógrafos, brindes, piloto indo na torcida fazer uma surpresa, qualquer coisa que não seja só o carro na pista.

O Brasil que perde a etapa da Superliga não é o Brasil que não gosta de automobilismo. É o Brasil que não faz automobilismo direito. Digam o que quiserem: o futuro do esporte a motor está estreitamente vinculado à sua visão como evento esportivo e promocional, não simplesmente o esporte pelo esporte. Diz uma coisa: presumo que você que lê este blog é um amante do automobilismo. Pense em seu pai, seu irmão mais novo ou sua namorada/seu namorado, todos pouco afeitos às pistas. Com transmissão em HD da F1 na TV — que será cada dia mais comum e barata, acreditem —, será que eles prefeririam ir a Interlagos assistir a um treino classificatório da F1 ou vê-lo no conforto de casa? É um exemplo extremo, claro, mas pense o mesmo para uma corrida do GT3 que passa na TV ao vivo. Se você não fosse apaixonado, iria? Aliás, você vai, mesmo sendo apaixonado pelo esporte?

Acho que é preciso rever a forma com que se faz automobilismo no país. Ver o que dá certo de categorias/eventos tão diferentes, como a Stock, o SBK, a Truck, e começar a avaliar o que se pode replicar para o futuro do esporte. Ainda acho que existe solução para o automobilismo brasileiro, hoje nas mãos da mui ativa CBA, sempre aparecendo em eventos com os quais nada teve a ver, como a Indy no Anhembi e a F1 em Interlagos. Uma CBA com gente forte dos campos promocional, esportivo e técnico poderiam trazer este alento que esperamos. Sei que do jeito que está, não dá; mas não acho que seja impossível mudar o esporte aqui.

Uma coisa é certa: se o Brasil perde a Superliga, o FIA GT1, não tem o Dacar ou a MotoGP, não é culpa do público. E culpá-lo é fazer o jogo dos que hoje destroem o automobilismo.

Autor: - Categoria(s): F-Superliga Tags: , , , ,
09/06/2011 - 13:32

Histórias do automobilismo

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Felipe Paranhos

As duas histórias aconteceram no fim de semana, mas ainda são válidas de serem contadas aqui:

* Quem se importa? | Marco Barba bateu, destruiu a barreira de pneus, chamou o safety-car. Até aí, tudo bem. Só que, ao invés de entrar na frente do primeiro colocado, o carro-guia entrou na frente do segundo. Assim, Kevin Ceccon, líder, pôde dar uma volta e meia a toda velocidade, sem o comando do SC. A falha da direção de prova resultou numa vantagem final de 50s na vitória de Ceccon.

Numa atitude CBAzística, a direção decidiu punir Ceccon em 60s por não reduzir a velocidade durante o período. Desta forma, o italiano caiu para quinto. Só que a Ombra protestou, na minha opinião com razão, contra a decisão, já que Kevin não pode ser punido por um erro que não foi dele. A primeira vitória do piloto de apenas 17 anos na categoria está sub júdice.

* O fim da tristeza | Tristan Gommendy correu pelo Porto na Superliga durante a temporada 2010. Sua última corrida foi no finzinho de outubro. Vieram novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março, abril e maio. 7 meses sem nada. Nenhuma competição oficial. Nem uma corrida de jerico, nada. Aí foi chegando a temporada 2011 da Superliga, foi batendo o desespero na organização, não tinha piloto pra maioria dos carros… Alguém deve ter batido na mesa: “Pô, chama o Gommendy!” Chamaram. Ele foi a Assen, na Holanda, para a primeira etapa do campeonato. E marcou a pole. Ficou emocionado.

“O acordo foi feito há dois dias. Muito, muito obrigado a Wim [Coekelbergs, dono da Azerti, equipe que comanda o carro do Bordeaux] por me colocar no carro. Ele correu um grande risco. Não estou surpreso por estar na pole, mas as circunstâncias tornaram isso especial”, disse.

Por isso que esse esporte é tão legal.

Autor: - Categoria(s): F-Superliga Tags: , , , , ,
31/03/2010 - 16:01

Evolução, involução

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Felipe Paranhos

Com a confirmação de Duncan Tappy no carro do Flamengo, foi fechado o grid da Superliga para a etapa de Silverstone, neste fim de semana, que abre a temporada 2010. Para uma categoria do segundo nível, bela escalação: gente como Sébastien Bourdais, Álvaro Parente, Robert Doornbos, Franck Montagny e Narain Karthikeyan, todos com passagens por alguma(s) das principais categorias do automobilismo.

Sem falar em Davide Rigon, Yelmer Buurman e Borja García, todos com passagens relevantes pela GP2. E, falando em Borja García, me lembrei de um post muito interessante do Leandro Verde, leitor deste blog e admirador do míope espanhol. Ele enumera GP2, World Series, AutoGP, GP3, F2, F3 Europeia, F-Master, sem contar as nacionais, como a forte F3 Inglesa, como as principais categorias de base da Europa, que visam mandar seus pilotos para F1 e Indy, as maiores do mundo.

Somando somente as vagas para pilotos nas categorias continentais, são quase 150 pilotos. A F1 tem 24, a Indy tem regularmente um número entre 24 e 26. Como a renovação é pouca, digamos que, desde 150, no máximo 15 terão chances de chegar aos seus objetivos no ano seguinte. O que o Verde diz é que são muitos campeonatos de acesso para poucas oportunidades reais no esporte-motor top.

Aí é que está: muitos destes pilotos vão acabar aparecendo em “campeonatos B”, como ele bem nomeou, como a Superliga. Por um lado, é ruim, já que são talentos, digamos,  desperdiçados. Mas, por outro — e creio que este pese bastante —, o nome desses pilotos dá força a categorias que nasceram desacreditadas, caso da Superliga. Isso foi algo que a A1GP, por exemplo, não conseguiu fazer — e muito da pouca popularidade da “Copa do Mundo do Automobilismo” tem a ver com o perfil alinhado com pilotos jovens, e não com profissionais consagrados.

Com isso, pelo menos por ora, ganha a Superliga — que pode até se consolidar como principal “campeonato B” se conseguir se organizar melhor e se manter viável. Infelizmente, nenhuma emissora brasileira se interessou pela categoria (muito menos neste ano, em que não há pilotos brasileiros). Mas o Esporte Interativo continua sendo uma boa opção. O canal, também disponível pela internet em seu site, transmite a corrida no domingo. Horário? Pelos meus cálculos, e levando em conta a transmissão ao vivo, 8h, mas eles ainda não puseram a programação no ar.

Autor: - Categoria(s): F-Superliga Tags: , ,
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