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15/09/2009 - 02:04

O segredo de Mallya

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Felipe Paranhos

Não tenho registro de alguém que tenha previsto o sucesso atual da Force India quando esta chegou à F1. A equipe que herdou o espólio de Spyker, Midland e Jordan parecia ser mais um brinquedo de milionário ou um time de vida curta, como foram duas das citadas anteriormente. Vijay Mallya provou o contrário — mostrando que é possível unir atitude empresarial e pensamento competitivo.

No início, não havia muito o que fazer: o carro certamente não seria brilhante, dado o pouco tempo para se planejar — a compra da Spyker, por £ 56 mi, foi completada no início de outubro. Diante do primeiro obstáculo, Mallya tomou a melhor decisão: trouxe um piloto experiente, ainda motivado com a F1, e manteve um jovem acostumado às dificuldades dos times pequenos. Assim, a FI teve, em seu primeiro ano, Fisichella e Sutil.

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O carro era uma bomba. Mal projetado, bem mais fraco do que o dos rivais e sem confiabilidade. Além disso, Adrian e Giancarlo erravam a passar da conta. Como sempre, a pressão foi para as luvas dos pilotos. Ao fim da temporada, entretanto, Mallya tomou o que revelaria ser a melhor postura: demitiu seu diretor-técnico, Mike Gascoyne, que não mostrou ser nada mais do que uma grife, e seu chefe de equipe, Colin Kolles, envolvido em problemas internos no final da temporada.

Vieram, aí, as propostas/ameaças dos pilotos pagantes. A equipe era/é quase totalmente bancada pelo patrocínio da Kingfisher, empresa do próprio Vijay. Mesmo com alguns problemas financeiros (lembram do não-pagamento de fornecedores?), a equipe manteve a proposta de gestão séria.

A mudança de parceria — de Ferrari para McLaren — e a melhora no desempenho no time de Martin Whitmarsh foram fundamentais para o crescimento da escuderia nesta temporada, conforme Victor Martins, editor-chefe do GP, já analisou em seu blog. Mas ainda que não obtivesse os pódios que alcançou na esteira da evolução da equipe de Woking, a FI já evoluiria: com motor Mercedes, câmbio e a transferência de dados vindos da escuderia-mãe, os indianos ganharam ritmo e credibilidade. Desta maneira veio o segundo lugar em Spa, com Fisico, e o quarto lugar em Monza, com Sutil.

Formula One World Championship

Agora, já falam em Karun Chandhok e Neel Jani para a equipe. O primeiro é indiano, o segundo tem pai indiano. O primeiro tem o lobby de Bernie Ecclestone a favor, o segundo um título e um vice-campeonato da A1 GP. Esperto, Mallya não vai dar uma vaga de titular a nenhum dos dois, para não correr riscos. Pelo mesmo motivo, acredito que não deve oferecer lugar a Bruno Senna, mas é só opinião, não tenho informação sobre isso.

Ok, Liuzzi e Sutil não chegam a ser um Vettel, mas, comparando com os demais, o carro da Force India em 2009 é melhor do que o da Toro Rosso em 2008. Não me espantaria se surgisse uma vitória nas últimas provas. Pra que mudar a dupla de pilotos para a temporada 2010? Não vejo razão.

Autor: - Categoria(s): F1 Tags: , ,
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